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Analistas veem exagero em previsão sobre fim da hegemonia do dólar e avanço do “petroyuan”
Publicado 16/04/2026 • 07:57 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 16/04/2026 • 07:57 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
O dólar americano sofreu forte pressão em 2025, com investidores aderindo à estratégia de “Sell America”, cortes de juros promovidos pelo Federal Reserve e abalos na credibilidade fiscal e política dos Estados Unidos. Já a guerra no Irã ajudou a moeda a recuperar parte da força em 2026, mas o futuro da principal divisa global segue em debate.
A discussão ganhou força após o Deutsche Bank divulgar análise prevendo que a liderança do dólar pode ser corroída caso países passem a negociar petróleo em moedas alternativas.
Segundo Mallika Sachdeva, diretora-gerente de câmbio do banco alemão, o conflito no Irã poderá ser lembrado como catalisador da “erosão do petrodólar e início do petroyuan”, em referência ao uso crescente do yuan chinês no setor petrolífero.
A avaliação recebeu resposta da gestora Franklin Templeton, que classificou a tese como “notavelmente simplista” em relatório publicado em 14 de abril.
Para Sonal Desai, chefe de renda fixa da gestora, o petróleo não é negociado em dólar apenas porque os Estados Unidos atuaram historicamente como potência militar global.
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Ela afirmou que exportadores de petróleo têm interesse direto em receber em dólar, devido ao acesso aos mercados de capitais mais profundos e líquidos do mundo, além de um ambiente institucional e jurídico que protege contratos e propriedade privada.
No primeiro semestre de 2025, o dólar registrou seu pior desempenho em mais de 50 anos, após o presidente Donald Trump recuar de tarifas anunciadas em abril, abalando a confiança nos ativos americanos.
O índice do dólar, que mede a moeda frente a uma cesta de divisas fortes, caiu quase 10% ao longo de 2025.
Com o início da guerra no Irã em 28 de fevereiro, a moeda teve breve recuperação, subindo diante das principais concorrentes e acompanhando a alta do petróleo. Depois, voltou a enfraquecer com expectativas de paz e queda do barril.
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As posições de Deutsche Bank e Franklin Templeton representam extremos no debate sobre a desdolarização: de um lado, quem vê declínio estrutural; de outro, quem considera não existir alternativa viável.
A participação do dólar nas reservas globais caiu de mais de 70% em 1999 para pouco acima de 50% atualmente. Mesmo assim, segue dominante, apesar do avanço de moedas como o euro e o renminbi.
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Siga o Times | CNBC“Não existe alternativa”, afirmou Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados do Brown Brothers Harriman, em entrevista à CNBC. Segundo ele, nenhuma outra moeda opera em ambiente capaz de substituir o dólar.
A China responde por cerca de 3% das reservas dos bancos centrais do mundo e amplia gradualmente sua influência como parte de um plano de internacionalização da moeda.
Ainda assim, Haddad avalia que o país está longe de alcançar participação próxima de 50%, especialmente com mercados de capitais ainda fechados. Ele fez avaliação semelhante sobre a Zona do Euro.
Desai acrescentou que construir uma moeda substituta confiável exige mercados profundos, Estado de Direito, plena conversibilidade e histórico de estabilidade macroeconômica, algo que leva décadas.
Leia também: Dólar perde força nas carteiras enquanto países ampliam reservas de ouro em meio à guerra no Oriente Médio
Por outro lado, Haddad reconheceu que o enfraquecimento do guarda-chuva de segurança americano no Golfo desde o início da guerra amplia a desconfiança sobre políticas comerciais e estratégicas dos EUA, prejudicando a imagem do dólar.
Ele também citou a deterioração fiscal americana e o enfraquecimento institucional do Federal Reserve diante de pressões de Trump como fatores negativos adicionais.
Esse quadro pode levar a uma transição em que o dólar perca espaço gradualmente como reserva global, sem desaparecer: menos forte, porém ainda central.
Para Desai, a recente fraqueza da moeda apenas reflete sua natureza de câmbio livre.
“Alguma fraqueza do dólar é totalmente compatível com o status de moeda global de reserva”, escreveu.
“Diferentemente do renminbi, o dólar é uma moeda de livre flutuação. Ele sobe e desce.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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