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EUA buscam ampliar presença energética na Índia, mas custos e logística dificultam avanço

Publicado 17/04/2026 • 22:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Os Estados Unidos intensificaram a pressão para vender petróleo e gás à Índia, que enfrenta escassez de oferta após restrições ao petróleo da Rússia e do Irã.
  • Especialistas avaliam que substituir fornecedores tradicionais por energia americana é difícil devido a fretes elevados, infraestrutura limitada e prazos maiores de entrega.
  • Mesmo assim, Washington tenta transformar promessas indianas de compras superiores a US$ 500 bilhões em compromissos imediatos.

Os Estados Unidos aumentaram os esforços para ampliar as exportações de energia à Índia, terceiro maior mercado consumidor do mundo, em um momento em que o país enfrenta interrupções de oferta vindas do Oriente Médio e vê suas alternativas diminuírem após o fim de isenções para petróleo russo e iraniano.

Apesar disso, substituir petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico e da Rússia por energia americana é uma decisão complexa para Nova Délhi, segundo analistas.

Entre os principais obstáculos estão os altos custos de frete, refinarias indianas parcialmente incompatíveis com o petróleo dos EUA e tempos mais longos de transporte.

Pressão americana por mais vendas

Na quarta-feira, o embaixador dos EUA na Índia, Sergio Gor, se reuniu com o ministro do Petróleo e Gás Natural, Hardeep Singh Puri, para discutir segurança energética e novas oportunidades de crescimento.

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Embora o ministro não tenha revelado detalhes, Gor afirmou na rede X que as conversas trataram da ampliação do acesso da Índia a uma “energia americana confiável” e do fortalecimento da segurança energética de ambos os países.

O presidente Donald Trump também vem pressionando repetidamente a Índia para comprar mais energia americana, chegando a sugerir a aquisição de petróleo da Venezuela com apoio de Washington.

Risco no Estreito de Ormuz preocupa Índia

Segundo relatório do Citi, interrupções no Estreito de Ormuz ameaçam cerca de 50% das importações indianas de petróleo bruto, 60% do gás natural liquefeito (GNL) e praticamente todo o suprimento de GLP.

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Os impactos já começam a ser sentidos internamente.

No mês passado, mesmo ao anunciar uma isenção de 30 dias para refinarias indianas continuarem comprando petróleo russo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse esperar que a Índia aumentasse as compras de petróleo americano.

Na quinta-feira, porém, Bessent afirmou que Washington não renovará a licença geral para petróleo russo ou iraniano, aprofundando as preocupações energéticas de Nova Délhi.

Promessa bilionária vira alvo de cobrança

Em fevereiro, dentro de um acordo comercial mais amplo entre os dois países, a Índia declarou intenção de importar mais de US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões) em energia, tecnologia da informação, carvão e outros produtos americanos.

Agora, diante da crise de abastecimento, os EUA querem transformar essa intenção em contratos de curto prazo.

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Contudo, a Índia é importadora líquida de energia, e combustíveis representam parcela relevante de sua conta externa.

Uma alta prolongada dos preços energéticos pode ampliar o déficit em conta corrente e comprometer a estabilidade macroeconômica do país.

Índia enfrenta aperto de oferta

Para Mukesh Sahdev, analista-chefe da XAnalysts, Washington deseja fechar um acordo rapidamente enquanto a Índia atravessa uma situação de forte pressão para garantir suprimento de petróleo e gás.

Segundo ele, se os EUA concluírem um acordo antes do arrefecimento do conflito no Oriente Médio, poderão impor preços mais altos e condições mais favoráveis.

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Desde o início da guerra com o Irã, o governo indiano passou a priorizar o fornecimento de GLP residencial, principal combustível de cozinha no país, em detrimento do uso comercial.

Isso provocou o fechamento permanente de cerca de 10% de restaurantes e estabelecimentos alimentícios, segundo relatório da PHD Chamber of Commerce and Industry.

Estoques de GLP e importações emergenciais

Após relatos de que a Índia poderia levar 3 a 4 anos para restaurar o fornecimento de GLP aos níveis anteriores à guerra, o Ministério do Petróleo divulgou detalhes dos estoques nacionais.

A demanda diária de GLP no país é de cerca de 80 mil toneladas métricas, enquanto a oferta doméstica soma apenas 50 mil toneladas.

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Para cobrir a diferença, o governo garantiu 800 mil toneladas métricas de cargas de importação já a caminho, vindas dos EUA, Noruega, Canadá, Argélia e Rússia.

Descompasso comercial limita petróleo americano

Especialistas afirmam que os EUA desejam exportar mais GLP, mistura de propano e butano, à Índia, enquanto acumulam excedentes internos.

A China era grande compradora de propano americano, mas sem acordo comercial entre Pequim e Washington, os EUA buscam novos mercados.

Essa lógica não se repete com tanta facilidade no GNL, já que a Índia é altamente sensível a preços e pode substituir gás por carvão na geração elétrica e na produção de fertilizantes.

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Segundo nota da S&P Global Energy, o país já raciona suprimentos de gás natural liquefeito.

Petróleo dos EUA ainda enfrenta barreiras

Grande parte das importações indianas de petróleo ainda vem de Rússia, Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.

Com sanções limitando novamente o petróleo russo e tensões no Oriente Médio apertando a oferta, as opções indianas diminuem.

Mesmo assim, especialistas consideram improvável uma grande expansão das compras de petróleo bruto americano, citando incompatibilidade entre a qualidade do produto, configuração das refinarias indianas e demanda local.

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Além disso, refinarias da Índia são ajustadas para maximizar produção de diesel, tornando o petróleo americano menos atrativo.

Onde os EUA podem ganhar espaço

Para Pankaj Srivastava, vice-presidente sênior da Rystad Energy, há potencial maior para exportações americanas de GNL, GLP, etano e propano.

Com danos à infraestrutura do Oriente Médio, especialmente no Qatar, a confiabilidade do fornecimento de gás pode ficar em dúvida, abrindo espaço para os EUA como parceiro natural.

Ainda assim, ele alertou que as importações continuarão caras devido à guerra e aos choques globais de oferta.

Sem descontos relevantes, concluiu, “a conta não favorece compras dos EUA”.

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