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Angola busca investimentos brasileiros para ampliar produção de alimentos e reduzir dependência de importações
Publicado 17/08/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/08/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O governo de Angola pretende ampliar a parceria com o Brasil para fortalecer a produção de alimentos em seu território e reduzir a dependência das importações.
Atualmente, o país africano gasta cerca de US$ 1,4 bilhão por ano na compra de alimentos do exterior e busca atrair empresas brasileiras interessadas em investir na produção agrícola e na indústria alimentícia local.
Segundo o professor de Relações Internacionais da África e do Oriente Médio da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Anselmo Otávio, o cenário reúne interesses dos dois países. “De cada dez alimentos consumidos em Angola, cerca de seis são importados”, afirmou, ao destacar que a produção local atende apenas parte da demanda da população.
Leia também: Brasil e Angola buscam diversificar comércio além do petróleo e agro
A proposta não se limita ao aumento das exportações brasileiras para Angola. O objetivo é incentivar a instalação de projetos produtivos no próprio país africano, aproveitando a experiência brasileira no setor agropecuário.
De acordo com o professor, a visita do presidente angolano ao Brasil, prevista para setembro, deve incluir encontros com empresários do agronegócio para apresentar oportunidades de investimento. Ele também ressaltou o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na cooperação técnica. “A ideia é construir um ambiente favorável para ampliar a produção interna de alimentos em Angola”, disse.
Além dos investimentos produtivos, Otávio observa que a parceria também pode favorecer as exportações brasileiras de produtos como carnes, leite e derivados, segmentos em que o Brasil possui forte presença internacional.
Para o especialista, a aproximação ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro busca diversificar seus destinos comerciais diante das incertezas do mercado internacional.
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Siga o Times | CNBC“O agronegócio brasileiro tem necessidade de buscar novos mercados”, afirmou. Segundo ele, fatores como as tarifas impostas pelos Estados Unidos e os limites de importação estabelecidos pela China reforçam a importância de ampliar as relações comerciais com outras regiões.
Nesse contexto, Angola aparece como uma das portas de entrada para o continente africano, que reúne países interessados em fortalecer a produção local de alimentos e ampliar a segurança alimentar.
Embora investimentos agrícolas exijam planejamento de longo prazo, Anselmo Otávio avalia que a estabilidade política de Angola reduz parte dos riscos para investidores.
Outro fator apontado pelo professor é a Área de Livre Comércio Continental Africana, criada para estimular o comércio entre os países do continente. Segundo ele, esse processo tem despertado o interesse de diversas economias.
“O Brasil acompanha uma tendência internacional de fortalecimento das relações com os países africanos”, afirmou.
Leia também: Grupo Carrinho quer Brasil como parceiro estratégico para transformar África em celeiro agrícola global
Além dos aspectos econômicos, o especialista destaca que a cooperação entre Brasil e Angola é favorecida pelos laços históricos e culturais construídos ao longo das últimas décadas.
“O Brasil mantém uma relação de longa data com Angola, o que faz do país um parceiro estratégico para ampliar a cooperação econômica”, concluiu.
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