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IA pode adicionar quase R$ 1 trilhão ao PIB com ganhos de produtividade, estima Reglab
Publicado 17/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 17/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A adoção de inteligência artificial pode adicionar quase R$ 1 trilhão à economia brasileira nos próximos anos, o equivalente a 7,6% do PIB, segundo estudo do Reglab, Centro de Estratégia e Regulação. Na economia como um todo, o principal canal desse ganho é o aumento da produtividade do trabalho, afirma João Ricardo Costa Filho, líder do núcleo de economia aplicada da instituição.
Em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Costa Filho explicou que o efeito da IA sobre a atividade econômica ocorre por dois canais principais: trabalho e capital.
No primeiro, ferramentas de inteligência artificial permitem que profissionais gastem menos tempo com tarefas operacionais e dediquem mais esforço a decisões estratégicas. No segundo, máquinas e equipamentos podem incorporar softwares capazes de tornar processos produtivos mais eficientes.
“A ideia do aumento da produtividade é você poder fazer mais com menos recursos”, afirmou.
Segundo o economista, a interligação entre os diferentes setores ajuda a ampliar o efeito sobre a economia, já que mudanças de produtividade em uma atividade também afetam outras cadeias produtivas.
O estudo considera como a economia brasileira funciona atualmente e estima o impacto de uma adoção mais ampla de inteligência artificial sobre essa estrutura.
A projeção, portanto, não pressupõe uma transformação do Brasil em grande produtor de chips, semicondutores ou outras tecnologias avançadas.
“A gente está olhando para a economia como ela está e como a adoção pode gerar esse impacto. Então, no fundo, é uma estimativa um pouco conservadora”, disse.
Na avaliação de Costa Filho, se o país também avançar no desenvolvimento de novas tecnologias e mudar sua estrutura produtiva, o efeito econômico da IA poderá superar o considerado no levantamento.
Leia também: Microsoft unifica aplicativos Copilot e aposta em “superaplicativo” de inteligência artificial
O efeito estimado varia entre os setores porque a participação do trabalho e do capital também varia de uma atividade para outra.
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Siga o Times | CNBCNa indústria de transformação, o estudo calcula impacto de cerca de R$ 264 bilhões nos próximos anos, o maior valor absoluto citado por Costa Filho.
Outras atividades de serviços aparecem com potencial próximo de R$ 165 bilhões, enquanto o comércio poderia registrar impacto de aproximadamente R$ 130 bilhões.
O economista ressalta que os valores também refletem o tamanho de cada setor na economia. Além disso, em algumas atividades os ganhos devem vir principalmente da produtividade do trabalhador; em outras, máquinas e equipamentos têm peso maior.
O ritmo em que esses ganhos poderão aparecer depende da velocidade de adoção das ferramentas e da reorganização dos processos dentro das empresas.
No caso das máquinas, Costa Filho observa que a substituição de equipamentos ocorre de forma gradual, pois exige investimentos elevados e leva tempo para se materializar.
No trabalho, a adoção depende não apenas da disponibilidade da tecnologia, mas também da capacidade dos profissionais de incorporá-la às atividades cotidianas.
Para o economista, os ganhos mais relevantes surgem quando a IA deixa de ser usada apenas para executar as mesmas tarefas mais rapidamente e passa a modificar a forma como empresas e trabalhadores organizam a produção.
“Quanto mais rápido eu adoto e implemento e mudo como eu faço, mais rápido vem esse ganho”, afirmou.
Costa Filho avalia que o setor privado tem interesse e capital para avançar na adoção de inteligência artificial, mas considera o ambiente de negócios um fator importante para a velocidade desse processo.
Segundo ele, políticas públicas, regulação, estabilidade e previsibilidade podem influenciar a disposição das empresas para investir em novas tecnologias e equipamentos.
Na avaliação do economista, um ambiente mais previsível e favorável ao investimento pode contribuir para acelerar a adoção das ferramentas e, consequentemente, a materialização dos ganhos de produtividade estimados pelo estudo.
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