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Trump e Xi encerram visita de Estado marcada mais por espetáculo do que por acordos

Publicado 25/09/2026 • 17:26 | Atualizado há 24 minutos

KEY POINTS

  • Trump e Xi concordaram em estender a trégua comercial que venceria em novembro, mas não avançaram em um acordo sobre riscos da IA.
  • Visita de Xi a Washington durou três dias e teve ampla cobertura na China, mas recebeu menor exposição televisiva nos Estados Unidos.
  • Trump ofereceu um jantar de Estado a Xi, que reuniu também executivos dos setores de tecnologia e finanças.

Andrew Caballero / AFP

O líder chinês Xi Jinping encerrou nesta sexta-feira (25) sua primeira viagem formal a Washington em 11 anos, concluindo uma aguardada visita de Estado ao presidente Donald Trump que teve três dias de cordialidade e pompa, mas produziu poucos acordos concretos.

Trump recebeu Xi em uma rara recepção na pista do aeroporto. Os dois líderes participaram de um sofisticado jantar de Estado, tomaram chá acompanhados das esposas e visitaram os Arquivos Nacionais. Entre os compromissos cerimoniais, Trump e Xi assinaram uma extensão de um acordo comercial já existente, enquanto Xi prometeu enviar um casal de pandas para Atlanta.

O que não houve foram promessas de compras ou acordos para lidar com os riscos da inteligência artificial, a guerra no Irã ou medidas para solucionar outros desafios globais complexos.

Uma visita de Estado marcada por muita pompa, mas pouca mudança nas circunstâncias, pode ter sido intencional.

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“Antes das eleições de meio de mandato, o interesse do presidente Trump é manter as coisas calmas”, disse Scott Kennedy, consultor sênior do Center for Strategic and International Studies (CSIS), que estuda a economia chinesa. “Temos as taxas de juros chegando a níveis recordes, e ele não quer deixar os mercados ainda mais apreensivos.”

Para quem acompanhou a visita à distância, na China, o clima foi positivo.

“Acho que foi um grande sucesso”, disse Hai Zhao, diretor de estudos políticos internacionais da Academia Chinesa de Ciências Sociais, um centro de estudos ligado ao Estado. “Os chineses estão muito felizes em ver que o presidente Xi foi muito bem recebido em Washington, D.C.”, afirmou, enquanto o jantar entre Trump e Xi chegava ao fim.

Veja os principais pontos da visita histórica:

Trégua comercial continua

Um resultado concreto surgiu quando o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que Estados Unidos e China concordaram em prorrogar até 10 de janeiro a trégua comercial que estava perto de expirar, uma extensão de dois meses do acordo firmado no ano passado.

Sem especificar uma data, Xi mencionou um “novo acordo conjunto” sobre o comércio bilateral, segundo o comunicado de Pequim sobre sua reunião com Trump.

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A trégua, acertada depois que Trump e Xi se encontraram em Busan, na Coreia do Sul, reduziu tarifas dos Estados Unidos e suspendeu os controles de Pequim sobre exportações de terras raras e minerais críticos, entre outras medidas.

Especialistas em China disseram à CNBC que uma extensão mais curta poderia favorecer ligeiramente os Estados Unidos, que podem usar a perspectiva de uma retomada das hostilidades comerciais como instrumento de pressão.

Muitos esperavam uma prorrogação maior, de seis meses. Mas o período mais curto pode dar aos dois lados poder de negociação nas futuras conversas entre Xi e Trump. A expectativa é que eles se encontrem outras duas vezes neste ano: na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Shenzhen, na China, em novembro, e no G20, em Miami, em dezembro.

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Depois desses dois eventos, “acho que é preciso ter cautela com a ideia de que as coisas continuarão tão calmas quanto parecem agora”, disse Kennedy nesta sexta-feira ao “Squawk Box Asia”, da CNBC.

“Como alguns disseram, na superfície, como em uma partida de polo, as coisas parecem relativamente calmas, mas, por baixo, há muitos chutes, e esses chutes ficarão mais visíveis à medida que chegarmos ao novo ano”, afirmou.

“Armadilha de Tucídides” evitada?

A retórica da China tornou-se notavelmente mais confiante.

“A Armadilha de Tucídides pode ser superada”, afirmou Xi ao chegar à Casa Branca, segundo o comunicado oficial chinês.

A declaração contrasta com a pergunta retórica feita pelo líder chinês quando os dois se encontraram em maio, em Pequim, sobre se os países conseguiriam evitar a Armadilha de Tucídides. O termo se refere à forma como, historicamente, as tensões entre uma potência em ascensão e outra dominante frequentemente resultaram em guerra.

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Xi afirmou na quinta-feira que os dois países podem ter uma competição “saudável” sem confronto. “Deve ser uma corrida em que um tenta alcançar o outro, não uma luta em que um vence ou perde”, disse.

Estabelecer uma linha mínima – competir intensamente sem entrar em conflito militar – é o “resultado político mais significativo” da cúpula, afirmou Cui Shoujun, professor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Renmin da China, em declaração em chinês traduzida pela CNBC. “Isso trouxe certeza à volátil relação bilateral.”

Os comentários de Trump na chegada de Xi à Casa Branca enfatizaram apenas a cooperação de maneira geral. O presidente americano ainda não se pronunciou sobre Taiwan durante esta cúpula, apesar de Xi ter pedido aos Estados Unidos que “se oponham à ‘independência de Taiwan’”, segundo o comunicado de Pequim sobre as conversas de quinta-feira.

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O relato chinês também informou que Trump e Xi discutiram a situação no Oriente Médio, sem mencionar a guerra no Irã.

Zhai Jun, enviado especial da China para o Oriente Médio, afirmou, porém, em um evento nesta sexta-feira em Singapura, que “a situação no Oriente Médio foi uma questão importante na discussão entre os líderes que acabou de ocorrer, e o consenso alcançado por eles será fundamental para reduzir a temperatura do conflito”.

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Questões sobre IA permanecem

Nenhum dos dois lados sinalizou grandes medidas para limitar a inteligência artificial. Isso ocorre apesar dos alertas de alguns líderes de tecnologia e parlamentares americanos sobre os riscos representados pelo rápido avanço dos modelos de IA.

“Quero deixar exatamente como está”, escreveu Trump sobre a IA em uma publicação na Truth Social antes da chegada de Xi à Casa Branca. “Essa também é a posição da China.”

Xi adotou posteriormente um tom diferente na Casa Branca, dizendo que Estados Unidos e China têm “tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e administrar a IA para o bem e garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas”.

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O líder chinês ressaltou a necessidade de cooperação entre os dois países em inteligência artificial.

Trump e Xi estão sendo “puxados em duas direções” ao tentar equilibrar o objetivo de acelerar o crescimento da IA com as preocupações de que a tecnologia saia de controle, disse à CNBC Ho-Fung Hung, especialista em China e professor da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins.

Mais uma vez, porém, os anúncios públicos não trouxeram detalhes, em meio a uma série de oportunidades para fotografias.

“Há uma série de questões nessa relação complexa que não estão realmente sendo tratadas abaixo do nível de líder para líder de maneira institucionalizada e sistêmica”, disse Dewardric McNeal, analista sênior de políticas da Longview Global, ao “Closing Bell: Overtime”, da CNBC, na tarde de quinta-feira.

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Cerimônia e elogios em abundância

Xi deveria receber de Trump um tratamento de tapete vermelho — e recebeu, literalmente. Um tapete vermelho foi estendido até o avião do líder chinês na pista da Base Conjunta Andrews, e outro apareceu na Casa Branca quando sua comitiva chegou ao Pórtico Sul.

Trump e a primeira-dama Melania Trump esperaram Xi junto às escadas do avião em sua chegada. Foi a primeira vez que Trump se deslocou até a base para receber um líder estrangeiro.

A recepção deu o tom para uma cúpula repleta de cerimônias e demonstrações sincronizadas do poder militar, com grande número de integrantes das Forças Armadas tocando música, hasteando bandeiras e rifles e marchando em formação em diferentes locais.

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No recém-pavimentado Jardim das Rosas, Xi e Trump acompanharam uma revista militar que incluiu uma apresentação no terraço dos U.S. Army Herald Trumpets e demonstrações do Old Guard Fife and Drum Corps, do Exército, além do Silent Drill Platoon e do Drum and Bugle Corps, dos Fuzileiros Navais.

Militares também realizaram voos rasantes na quarta e na quinta-feira. O primeiro chegou com um forte estrondo que fez Trump reagir com uma expressão de susto, enquanto Xi não demonstrou reação.

Após uma reunião bilateral privada na quinta-feira, Trump mostrou a Xi o recém-construído heliponto instalado do lado de fora da Casa Branca. “Ele adora um bom granito”, disse Trump sobre Xi enquanto os líderes passavam pelos repórteres a caminho do local, onde conheceram o helicóptero presidencial.

Não é incomum que um líder invista fortemente em hospitalidade e organize cerimônias elaboradas durante uma visita de Estado, o nível mais elevado da diplomacia entre chefes de Estado. Ainda assim, o tratamento oferecido por Trump a Xi se destacou.

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“Trump levou a pompa mais longe do que a maioria de seus antecessores”, disse à CNBC Ryan Hass, diretor do John L. Thornton China Center, da Brookings Institution. “A parte do dia dedicada à discussão substantiva é menor do que o tempo que os dois líderes passarão em compromissos cerimoniais.”

Fora da televisão

A cúpula foi repleta de grandes e coloridas demonstrações de coreografia militar, mas as principais redes de televisão não as transmitiram.

Isso ocorreu por causa de uma suspensão, já encerrada, da chamada cobertura compartilhada de televisão da Casa Branca, adotada em solidariedade à MS NOW, CNN e Politico, veículos que Trump proibiu de acessar a Casa Branca na semana passada devido ao que ele afirma serem reportagens prejudiciais.

Um juiz federal determinou que a Casa Branca restabelecesse por até duas semanas o acesso dos três veículos, ao mesmo tempo em que colocou em dúvida a alegação do governo de que a proibição seria uma questão de segurança nacional.

Apesar da decisão, alguns jornalistas dos três veículos foram impedidos de entrar na Casa Branca na manhã de quinta-feira, enquanto meios de comunicação estatais chineses tiveram acesso. O acesso foi totalmente restabelecido mais tarde naquele dia, informou o governo Trump em um documento apresentado à Justiça.

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Em uma publicação na Truth Social na tarde de quinta-feira, Trump criticou as emissoras por não transmitirem a chegada de Xi, reclamando que o momento havia sido “feito para a televisão”.

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