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O que a Paramount prometeu a Hollywood para obter os direitos de exibição da WBD
Publicado 25/09/2026 • 20:17 | Atualizado há 34 minutos
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Publicado 25/09/2026 • 20:17 | Atualizado há 34 minutos
KEY POINTS
Samuel Boivin | Nurphoto | Getty Images
Um novo filme a cada 11 dias? É isso que a Paramount promete. David Ellison ganhou espaço nesta semana para avançar com a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, em uma operação que reunirá dois dos estúdios mais tradicionais de Hollywood.
Para viabilizar o negócio, o acordo firmado pelo CEO com um grupo de procuradores-gerais estaduais em questões antitruste estabelece compromissos específicos para a nova empresa. Entre eles está a obrigação de lançar pelo menos 30 filmes nos cinemas em 2027 e 2028 e, posteriormente, no mínimo 32 produções por ano entre 2029 e 2031.
Atualmente, a empresa que resultaria da fusão já possui 35 filmes programados para chegar aos cinemas no próximo ano, segundo dados da Rentrak. A quantidade de lançamentos, porém, não é o único ponto que desperta atenção na indústria. Ainda existem dúvidas sobre a qualidade dessas produções, a distribuição dos títulos ao longo do ano e o que acontecerá depois do fim do compromisso de cinco anos.
“Isso é muito mais complicado do que simplesmente perguntar se 30 filmes são suficientes”, afirmou Paul Dergarabedian, chefe de tendências de mercado da Rentrak, à CNBC. Segundo ele, 30 grandes lançamentos representariam um compromisso relevante com o mercado cinematográfico e seriam bem recebidos pelos exibidores.
Ao mesmo tempo, o analista destacou que o resultado dependerá do desempenho dos filmes, da diversidade da programação, da regularidade dos lançamentos e da capacidade da empresa resultante da fusão de cumprir os compromissos assumidos.
A indústria cinematográfica vem defendendo uma maior quantidade de lançamentos nas salas desde que a pandemia de Covid-19 provocou o fechamento dos cinemas e interrompeu a produção de filmes.
O compromisso de Ellison com o mercado de exibição, anunciado inicialmente em abril durante a CinemaCon, recebeu o apoio dos CEOs das três maiores redes de cinema: Adam Aron, da AMC, Sean Gamble, da Cinemark, e Eduardo Acuna, da Regal. O apoio veio antes mesmo da conclusão do acordo com os estados.
Leia mais: Paramount e Warner Bros.: acordo será discutido em audiência judicial nesta quinta (24)
A Cinema United, entidade que representa os proprietários de cinemas, havia se manifestado fortemente contra a fusão. Nesta semana, porém, o grupo passou a apoiar o negócio, afirmando que o acordo firmado com os estados atende a diversos objetivos da indústria cinematográfica.
Ainda assim, parte dos exibidores continua desconfiada. Executivos de diferentes empresas do setor, que falaram à CNBC sob condição de anonimato, disseram que permanecem preocupados com os efeitos da operação.
O acordo estabelecido pela Paramount determina não apenas uma quantidade mínima de filmes por ano, mas também estabelece critérios sobre quantas produções deverão receber distribuição ampla e quantas terão de contar com orçamentos superiores a US$ 50 milhões. Caso a empresa não cumpra as metas estabelecidas, poderá sofrer multas significativas.
A concentração entre grandes estúdios costuma resultar em uma redução do número de filmes disponíveis no mercado. Isso pode diminuir a receita dos cinemas, especialmente das redes menores e dos operadores independentes.
O mercado de exibição já passou por mudanças profundas desde a pandemia. O período resultou em uma redução no número de salas e também na frequência do público. Parte desse impacto foi compensada pelo aumento dos preços dos ingressos, que deve ajudar a bilheteria doméstica dos Estados Unidos a ultrapassar US$ 10 bilhões (R$ 53,5 bilhões) pela primeira vez desde o início da pandemia.
Mesmo assim, o setor continua se adaptando às novas condições econômicas. Alguns operadores de cinemas afirmaram à CNBC que temem que a fusão entre Paramount e Warner Bros. reduza não apenas o número de estúdios responsáveis pelo fornecimento de filmes, mas também a concorrência. Outra preocupação é que a companhia resultante tenha maior poder de negociação sobre condições de exibição e taxas de aluguel.
As grandes redes, que possuem centenas de unidades, têm mais capacidade para lidar com esse cenário. Os operadores menores, por outro lado, possuem um poder de negociação muito mais limitado.
Leia mais: FCC aprova fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery
Há ainda o receio de que a Paramount não consiga manter uma produção superior a 30 filmes por ano depois do término do acordo de cinco anos. Os custos de produção e marketing continuam aumentando, enquanto a empresa terá de lidar com uma dívida estimada em cerca de US$ 79 bilhões (R$ 422,65 bilhões) após a conclusão da fusão.
“Claro que me preocupo com o que acontecerá no sexto ano”, afirmou Rob Lehman, presidente e diretor de operações da Santikos Theaters, à CNBC. “Depois de cinco anos, será que o número de filmes por ano cairá para 18?”
Apesar da preocupação, Lehman classificou a quantidade mínima de filmes garantida pela Paramount como uma vitória para a indústria.
Pelas regras estabelecidas, caso a Paramount não cumpra suas metas anuais, a empresa será multada em US$ 30 milhões por filme que deixar de entregar dentro da cota. Desse valor, 90% serão destinados aos trabalhadores da indústria cinematográfica, enquanto os outros 10% irão para a Associação Nacional de Procuradores-Gerais.
Embora US$ 30 milhões (R$ 160,5 milhões) por filme represente uma penalidade relevante, o valor ainda é pequeno quando comparado aos custos envolvidos na produção e no marketing de grandes filmes. Para Dergarabedian, entretanto, a quantidade de lançamentos não é suficiente para garantir o sucesso da estratégia.
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Siga o Times | CNBC“Você pode dizer que vai lançar 30 filmes, ou até mesmo 100 filmes, mas esses filmes ainda precisam se conectar com o público”, afirmou. Para ele, seria preferível ter menos produções caso uma parcela maior delas alcançasse grande sucesso.
Na avaliação do analista, o ponto principal é encontrar a quantidade adequada de filmes, distribuí-los no ritmo correto e garantir que sejam produções capazes de atrair o público aos cinemas.
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A programação conjunta da Paramount e da Warner Bros. para o próximo ano inclui novos capítulos de franquias conhecidas do público. Entre os títulos estão produções relacionadas a Sonic, Godzilla, Minecraft, Um Lugar Silencioso, Tartarugas Ninja, O Senhor dos Anéis, Invocação do Mal e ao universo de super-heróis da DC.
Além dos compromissos financeiros e regulatórios, existe um desafio logístico para uma empresa lançar 30 filmes em um único ano. O calendário possui 52 semanas, o que significa que, em média, haveria menos de duas semanas entre os lançamentos. Isso sem considerar os períodos de grandes estreias, quando vários filmes costumam chegar aos cinemas simultaneamente.
Uma programação muito concentrada poderia fazer com que os próprios filmes da Paramount e da Warner Bros. competissem entre si pela atenção do público. A disputa por salas de grande formato premium, como IMAX e Dolby, torna o planejamento ainda mais complexo.
Para 2027, a programação combinada dos dois estúdios possui atualmente seis datas em que ambos têm lançamentos previstos para os cinemas. Há também períodos em que três a cinco filmes estão programados para chegar às salas na mesma semana.
Na avaliação de Dergarabedian, é provável que algumas datas sejam alteradas depois da fusão. A ideia seria evitar que produções com públicos semelhantes competissem diretamente e, ao mesmo tempo, distribuir melhor os lançamentos ao longo do ano.
Um exemplo é o gênero de terror. A empresa resultante da fusão possui atualmente nove filmes desse gênero programados para 2027. Alterar algumas datas poderia permitir que cada produção permanecesse mais tempo em cartaz sem disputar diretamente o público com outro filme do mesmo estúdio.
Lehman espera que a companhia utilize esse planejamento para oferecer uma programação diversificada, com filmes infantis, terror e grandes produções de ação.
O acordo firmado pela Paramount com os procuradores-gerais estaduais estabelece que, nos dois primeiros anos após a conclusão da operação, pelo menos 20 filmes lançados pela nova empresa deverão receber distribuição ampla em mais de 2 mil cinemas.
Nos três anos seguintes, a exigência sobe para pelo menos 21 filmes por ano. David Poland, analista do setor, considera que a quantidade mínima de grandes lançamentos prevista no acordo não é tão expressiva.
Atualmente, a Paramount caminha para lançar 14 grandes produções em 2026, enquanto a Warner Bros. tem 13 previstas. Somadas, as duas empresas chegariam a 27 grandes lançamentos no ano, segundo dados da Rentrak.
Dergarabedian ressalta que os filmes distribuídos em larga escala possuem papel importante para os cinemas. São essas produções que normalmente atraem grandes públicos, ocupam mais salas, impulsionam as vendas nas bombonieres e geram discussões culturais capazes de beneficiar todo o mercado.
Leia mais: Tom Cruise apoia acordo da Paramount para comprar a Warner Bros.
Outro ponto importante do acordo está na definição de “elemento-chave”. Em Hollywood, um blockbuster costuma ser uma produção de orçamento elevado capaz de gerar receita suficiente com ingressos e produtos licenciados para que o estúdio também possa financiar projetos menores, que podem apresentar uma rentabilidade inferior.
Para muitos profissionais do setor, um blockbuster é uma produção cujo orçamento ultrapassa US$ 100 milhões (R$ 535 milhões) e pode chegar a US$ 200 milhões (R$ 1,07 bilhão) ou US$ 250 milhões (R$ 1,34 bilhão). São filmes que buscam atrair grandes públicos para os cinemas. Exemplos recentes incluem produções do Universo Cinematográfico da Marvel, A Odisseia, da Universal, e Homem-Aranha: Um Novo Dia, da Sony.
O acordo firmado pela Paramount, porém, estabelece um limite diferente: pelo menos 20% dos lançamentos anuais da empresa deverão ser considerados filmes de grande orçamento, definidos no documento como produções com orçamento mínimo de US$ 50 milhões.
Para Dergarabedian, esse valor está abaixo do que normalmente se entende como um blockbuster em Hollywood. Ainda assim, ele observa que uma produção de US$ 50 milhões pode alcançar esse status caso consiga conquistar o público e se transforme em um fenômeno cultural e de bilheteria.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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