O estudo calculou em 91,4 a pontuação geral do Brasil, colocando o país na 15ª posição.
O principal ponto de atenção no cenário brasileiro é a Otimização Tributária.
Uruguai, Ilhas Maurício e Espanha lideram o ranking de 2026, com Costa Rica e Portugal completando os cinco primeiros colocados entre os mais abrangentes.
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O visto de renda passiva do Brasil, o VITEM XIV, consolida-se como um dos caminhos de residência mais acessíveis das Américas, embora o tratamento tributário da renda de aposentadoria limite seu desempenho geral. A constatação faz parte do 2026 Global Retirement Report & Index, lançado hoje pela Global Citizen Solutions, consultoria líder global em planejamento de residência e cidadania. Desenvolvido pelo braço de pesquisa da companhia, o Global Intelligence Unit, este índice avalia 46 países na Europa, Américas, Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África, pontuando cada programa de vistos de aposentadoria e renda passiva em cinco pilares: qualidade de vida, mobilidade e cidadania, tributação, processo e custos.
O estudo calculou em 91,4 a pontuação geral do Brasil, colocando o país na 15ª posição. A colocação brasileira foi calculada pois o visto de renda passiva brasileira exige a comprovação de renda estável de aposentadoria ou pensão de US$ 2.000 por mês, não estabelece idade mínima, não exige compra de imóvel e possui amplas regras de inclusão familiar. A maior força do Brasil está em Mobilidade e Cidadania (6º lugar), oferecendo mobilidade no Mercosul e um caminho para a naturalização.
O principal ponto de atenção no cenário brasileiro é a Otimização Tributária (35º lugar). O país tributa residentes pela renda mundial com alíquotas progressivas de até 27,5% e não possui regime especial para aposentados ou acordos para evitar dupla tributação com EUA e Reino Unido. O alívio vem de créditos unilaterais sobre o imposto pago no exterior e, no caso do Social Security norte-americano, de um crédito por reciprocidade reconhecido pela Receita Federal. Uma reforma do imposto de renda de 2025 ampliou a faixa de isenção e suaviza a situação nas rendas mais baixas, mas aposentados com renda global elevada devem dimensionar sua exposição antes de decidir.
“O visto VITEM XIV é um dos programas mais acessíveis das Américas — barreira de renda baixa, sem idade mínima e um caminho claro para a cidadania —, mas quem tem renda global significativa precisa avaliar com atenção a tributação sobre a renda mundial antes de decidir. A escolha certa depende menos do clima e mais das regras fiscais e de residência de cada país”, avalia Laura Madrid, pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions.
Melhores vistos para aposentados brasileiros de acordo com as pontuações nos pilares avaliados
Uruguai — É o programa mais equilibrado do grupo. É o único com desempenho consistente nos cinco pilares (Mobilidade 97, Custos 96, Processo 84, Qualidade de Vida 78). Reúne residência simplificada pelo Acordo de Residência do Mercosul, caso não se possa recorrer ao Visto de Rentista diretamente, afinidade linguística, proximidade geográfica e um regime de tributação territorial reforçado pela Lei 20.446 (o chamado Tax Holiday 2.0), que isenta rendimentos de capital de fonte estrangeira por até onze anos. É a alternativa de menor risco de execução.
Portugal — É uma via de acesso à União Europeia. Reúne identidade linguística, naturalização em sete anos pela condição de nacional da CPLP e, ao fim do percurso, a cidadania europeia; os pilares de Qualidade de Vida (94) e Mobilidade (99) estão entre os mais altos do Índice. A fragilidade é tributária (58): com a extinção do regime de Residente Não Habitual e sua substituição pelo IFICI (que não contempla rendimentos de aposentadoria), o titular do D7 passa a ser tributado em bases universais.
Espanha — O caminho mais célere à cidadania europeia. Na condição de ibero-americano, o nacional brasileiro naturaliza-se em apenas dois anos, e o país lidera o grupo em Qualidade de Vida (94). A ressalva recai sobre o pilar tributário (50, o mais baixo do grupo): a Espanha tributa a renda em bases mundiais, a alíquotas progressivas elevadas e sem regime preferencial para aposentados.
Paraguai — O melhor custo-benefício fiscal e de entrada. Combina o menor patamar de exigência financeira, residência ágil via Mercosul e um regime estritamente territorial, que mantém a aposentadoria de fonte brasileira fora do alcance da tributação local. O contraponto é a Qualidade de Vida (70), seu pilar mais baixo. Para o perfil orientado a eficiência tributária e a custo, assume a primeira posição.
Costa Rica — Base estável nas Américas. Oferece regime territorial (88), afinidade linguística e notas elevadas em Custos (95) e Mobilidade (95), amparadas por sólida estabilidade institucional. A limitação está no Processo (64): o programa Pensionado é consolidado, mas o trâmite é o mais lento. Menções complementares: a Argentina (Mercosul, afinidade linguística, proximidade geográfica e naturalização em dois anos, com a ressalva da instabilidade macroeconômica) e o Panamá (regime territorial, economia dolarizada e o consolidado programa Pensionado).
Panorama Global: O Índice de 2026
Uruguai, Ilhas Maurício e Espanha lideram o ranking de 2026, com Costa Rica e Portugal completando os cinco primeiros colocados entre os mais abrangentes. A edição de 2026 abrange 46 jurisdições na Europa, nas Américas, na Ásia-Pacífico, no Oriente Médio e na África, cada uma representada por sua principal via de aposentadoria ou de renda passiva, como o Visto D7 de Portugal ou o Visto Não Lucrativo da Espanha. A qualidade de vida tem o maior peso, seguida por mobilidade e cidadania e, depois, pelos pilares financeiro e processual, refletindo o que mais importa para um aposentado típico com mobilidade internacional.
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Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions, explica: “A principal conclusão do Índice é que um visto de aposentadoria deve ser entendido como um ativo; uma forma de diversificar a exposição tributária, de estilo de vida e política. Com a população mundial de 65 anos ou mais prevista para quase dobrar, chegando a 1,6 bilhão até 2050, estamos diante de uma geração de aposentados que viverá mais, será mais numerosa e terá mais mobilidade do que nunca. Os países que desenharem seus programas em torno dessa realidade moldarão a próxima década da mobilidade na aposentadoria.”
Principais conclusões do Relatório e Índice Global de Aposentadoria 2026
O relatório redefine o visto de aposentadoria ou de renda passiva como uma decisão de alocação, e não como burocracia, capaz de oferecer qualidade de vida, otimização tributária, mobilidade e, acima de tudo, opcionalidade.
“Um visto de aposentadoria é uma decisão de alocação de ativos que tem cada vez mais relevância em um contexto de volatilidade e instabilidade: avalie o dividendo de qualidade de vida que ele gera, a exposição tributária de que ele protege e se oferece uma jurisdição-base alternativa, sólida e previamente constituída, para o caso de necessidade futura”, afirma Laura Madrid.
A Europa lidera em estilo de vida e mobilidade; seus programas ocupam todas as cinco primeiras posições do pilar de mobilidade e cidadania (Grécia, Itália, França, Portugal e Chipre), mas fica atrás em tributação e apresenta a maior disparidade interna entre todas as regiões.
As Américas se destacam em custo, eficiência fiscal e variedade, com programas de passaporte forte e naturalização rápida no Brasil, na Argentina e no Chile que superam as expectativas e ajudam a impulsionar o Uruguai e o forte desempenho geral da América do Sul.
A África se apoia no caso atípico de Maurício, enquanto o Oriente Médio continua sendo um especialista puro em tributação e agilidade, oferecendo regimes de imposto zero e execução rápida, mas nenhum caminho para um segundo passaporte.
A Global Citizen Solutions aponta forças estruturais que estão levando a mobilidade na aposentadoria de um nicho para o mercado principal: projeta-se que a população mundial de 65 anos ou mais praticamente dobre, de 761 milhões em 2021 para cerca de 1,6 bilhão até 2050. Somam-se a isso mais de 60 milhões de milionários em dólares no mundo, número em crescimento, uma transferência de riqueza entre gerações já em andamento e gerações mais jovens que planejam cada vez mais uma aposentadoria antecipada ou flexível.
O índice completo 2026 Global Retirement Report & Index está disponível no link.
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