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Brasil tem maior juro real do mundo, enquanto dívida pública chega a 82,9% do PIB

Publicado 06/11/2026 • 19:23 | Atualizado há 17 minutos

KEY POINTS

  • A taxa brasileira avançou de 8,45% em setembro para 9,05% no levantamento mais recente da Moneyou.
  • O pagamento de juros consumiu mais de R$ 1,1 trilhão em 12 meses, equivalente a 8,9% do PIB.
  • A dívida pública passou de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026.

Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O Brasil segue com a maior taxa de juros reais do mundo, de 9,05%, segundo levantamento da consultoria de mercado Moneyou publicado nesta semana.

O percentual supera em mais de sete vezes a média de 1,27% dos 40 países analisados. Os juros reais correspondem à taxa nominal descontada a inflação.

O país lidera o ranking, à frente de Turquia (7,77%), Argentina (6,80%), Rússia (6,57%) e Colômbia (4,05%). Na sequência aparecem Indonésia (3,67%), México (3,26%), África do Sul (2,93%), Hungria (2,04%) e Chile (1,69%).

No levantamento anterior, publicado em setembro, o Brasil também ocupava a primeira posição, mas com juros reais de 8,45%. O indicador avançou, portanto, 0,6 ponto percentual na comparação entre as duas edições.

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu, por unanimidade, o ciclo de redução da taxa básica de juros iniciado em abril. A Selic foi mantida em 13,75% ao ano.

Em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas aumentaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação permanecem acima da meta. O colegiado não apresentou indicações sobre os próximos passos da política monetária.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. No acumulado de 12 meses, o índice passou de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, de 4,5%.

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A manutenção dos juros é alvo de críticas de representantes da indústria e de especialistas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão do Copom como “injustificável” e afirmou que a taxa elevada aumenta os custos para empresas e famílias.

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“É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.

Juros e dívida pública

Os juros elevados são apontados pelo Banco Central como o principal fator de aumento da dívida pública. Nos últimos 12 meses, as despesas com juros ultrapassaram R$ 1,1 trilhão, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agentes do mercado financeiro têm defendido cortes de gastos como forma de estabilizar o endividamento público. A dívida passou de 71,7% do PIB em 2022 para aproximadamente 82,9% em agosto de 2026.

Por outro lado, economistas críticos à política monetária do Banco Central argumentam que a redução dos juros deve integrar a estratégia de controle da dívida. Essa avaliação considera o peso das despesas financeiras sobre as contas públicas e defende alternativas para diminuir o custo do endividamento.

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