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Cade aceita recurso na privatização da Copasa e questiona atuação da Equatorial no setor de saneamento
Publicado 27/07/2026 • 09:39 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 27/07/2026 • 09:39 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O relator do processo que analisa a privatização da Copasa no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), José Levi, admitiu um recurso interposto pelo Sindágua (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais).
O recurso questiona a aprovação, sem restrições, dada pela Superintendência-Geral do Cade à aquisição de 30% das ações da Copasa pela Equatorial.
Leia também: Equatorial é condenada por não fazer manutenção e deixar milhares sem luz durante apagão no Amapá
Essa aprovação ocorreu depois de uma análise sob rito sumário, procedimento reservado a operações consideradas de menor potencial ofensivo à concorrência, conforme resolução nº 33, de abril de 2022.
🔍 Rito sumário: é um procedimento simplificado de análise de fusões e aquisições no Cade, aplicado a operações avaliadas como de baixo risco concorrencial, com trâmite mais rápido do que o rito ordinário.
Ainda de acordo com o parecer da Superintendência-Geral, a análise da privatização foi enquadrada em rito sumário porque, na hipótese de que a adquirente, ou seja, a Equatorial, não participava antes do ato do mercado de saneamento básico.
No documento, o Cade descreve o grupo Equatorial como atuante nos segmentos de geração, distribuição e comercialização de energia elétrica e, de forma limitada, nos segmentos de saneamento básico restritos ao Estado do Amapá, além de serviços de telecomunicações.
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Siga o Times | CNBCO Sindágua contesta essa premissa. Segundo o sindicato, a análise não poderia ter ocorrido sob rito sumário porque a Equatorial já atuava no mercado de saneamento básico não apenas no Amapá, mas também por meio da Sabesp, em São Paulo, companhia da qual o grupo se tornou acionista de referência durante a privatização, em julho de 2024.
No despacho desta sexta, sem entrar no mérito da questão, o relator José Levi registrou a alegação do sindicato de que a operação desperta preocupações concorrenciais, decorrentes especialmente da participação societária do grupo Equatorial na Sabesp, que teria sido omitida pelas requerentes no ato de notificação ao Cade.
Diante disso, o relator intimou a Equatorial e a Copasa a se manifestarem em cinco dias úteis sobre o que afirma o Sindágua. O sindicato pede que a operação seja analisada sob rito ordinário, modalidade mais rigorosa de investigação concorrencial.
Na decisão, o relator pondera que, caso o recurso não tivesse sido apresentado ao Tribunal do Cade, a aprovação sem restrições do Ato de Concentração nº 08700.005684/2026-06 transitaria em julgado. Segundo ele, se procedente a alegação da recorrente, isso implicaria situação de potencial dano ao direito difuso tutelado pela autarquia.
Procurada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Equatorial informou que o processo de aquisição da participação na Copasa segue em análise pelo Cade e dentro dos trâmites regulatórios aplicáveis. A companhia diz que acompanha o andamento do processo, “não cabendo antecipar expectativas sobre a conclusão da análise ou comentar procedimentos em curso”.
“Importante destacar que a notificação do investimento na Copasa apresentou informações completas à autoridade, incluindo no que se refere à participação minoritária detida na Sabesp tal como exigido pela regulamentação. Inclusive, a participação detida pela Equatorial na Sabesp foi objeto de análise pelo próprio órgão concorrencial à época do investimento”, afirmou a empresa.
Em nota, o Sindágua afirmou que a luta contra a privatização não será abandonada e que, caso o processo se consume, o sindicato vai atuar para reverter o que classifica como dilapidação do patrimônio público e da responsabilidade do Estado com serviços essenciais.
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