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Carta de Flávio isola tese de fraude e encontra resistência até entre aliados e partidos da direita
Publicado 28/10/2026 • 21:58 | Atualizado há 31 minutos
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KEY POINTS
Foto: AFP
A carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, expôs divergências até entre integrantes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lideranças da esquerda atacaram o documento, enquanto políticos e partidos que apoiaram Flávio no segundo turno reafirmaram o reconhecimento do resultado das urnas. Dentro da própria direita, houve diferenças sobre a estratégia de conduzir a oposição a partir do exterior.
Na primeira versão do documento, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da vitória de Lula no segundo turno.
Pouco depois, o senador republicou o texto sem o trecho em que se apresentava como presidente eleito e passou a se definir como “líder do Brasil”.
A acusação de fraude eleitoral e a afirmação de que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos foram mantidas.
Uma das reações de maior peso no campo político veio de Tarcísio de Freitas (Republicanos), importante aliado de Flávio.
O governador reeleito de São Paulo disse compreender a insatisfação do senador, mas defendeu o encerramento da disputa eleitoral.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.
Leia também: Flávio republica carta e retira trecho em que se dizia ‘verdadeiro presidente eleito’ do Brasil
Tarcísio também defendeu “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também se distanciou da contestação apresentada por Flávio.
Perguntado sobre a carta, afirmou que o presidente do Brasil é “aquele que o TSE declarou eleito”.
“Cabe agora ao Lula governar buscando corrigir os rumos, principalmente da economia, e a oposição fiscalizar e cobrar o cumprimento das promessas”, declarou.
Nunes também esteve ao lado de Flávio durante a campanha presidencial.
O MDB também se manifestou após a divulgação da carta.
Em publicação nas redes sociais, a legenda reafirmou confiança no sistema eleitoral brasileiro e na legitimidade do resultado do segundo turno.
O União Brasil divulgou uma nota assinada pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, reafirmando a validade do resultado.
“O União Brasil reafirma que a democracia é, para o partido, um valor inegociável. Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”, diz o comunicado.
A sigla afirmou ainda que “a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”.
Para o partido, o momento é de encerrar a disputa eleitoral e voltar as atenções aos desafios do país.
“A eleição terminou. O Brasil continua, e precisa de todos nós”, concluiu Rueda.
O PSD, presidido por Gilberto Kassab, reafirmou a nota divulgada na segunda-feira (26), na qual cumprimentou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin pela reeleição.
“O PSD reafirma seu compromisso com nossa democracia”, diz a manifestação.
A legenda afirmou que pretende apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades sociais, ao equilíbrio fiscal, ao fortalecimento da confiança de investidores e a investimentos em saúde, educação, ciência e inovação.
Kassab afirmou ainda que parlamentares e governadores eleitos pelo partido deverão manter uma relação republicana com o governo federal.
Dentro do próprio PL, Rogério Marinho (PL-RN) adotou uma posição de defesa da liderança política de Flávio, mas fez ressalvas ao conteúdo da carta.
Questionado se o partido considera que houve fraude na eleição, respondeu:
“Não, o PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido.”
Marinho também disse acreditar que pode ter ocorrido “algum problema na confecção da carta” em relação à primeira versão, na qual Flávio se apresentava como presidente eleito.
“O fato é que o que está lá no seu Twitter, que é a sua manifestação oficial, ele se autodenomina como líder. E é um fato, ele é um líder no Brasil”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Marinho defendeu que Flávio continue exercendo influência sobre a oposição a partir dos Estados Unidos.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, o senador é hoje “a maior expressão da direita no Brasil”.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente durante o governo Jair Bolsonaro, também comentou o documento.
Mourão classificou a carta como “pura ação política” e afirmou não enxergar apoio para uma ruptura institucional.
O senador defendeu que eventuais suspeitas concretas sejam apuradas, mas demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de Flávio exercer a liderança da direita permanecendo fora do Brasil.
Entre os adversários que criticaram Flávio, uma das declarações mais duras veio de Renan Santos (Missão).
O ex-candidato à Presidência chamou a estratégia de comandar a oposição a partir dos Estados Unidos de “oposição EAD”.
“O Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui”, afirmou.
Renan comparou a atuação pretendida por Flávio à de Juan Guaidó na Venezuela, mas rejeitou a equivalência entre os dois casos.
“Ele está tentando imitar o que o Juan Guaidó fez em protesto contra o regime do Maduro, sendo ele próprio parte de um regime que está de pé. O PL no Brasil está aqui de pé, estão operando, recebendo salário, está tudo normal por aqui”, declarou.
Do lado governista, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), classificou a carta como um ataque à soberania brasileira.
“É ataque à soberania nacional. É conspiração contra o Brasil”, afirmou.
Randolfe também chamou o documento de “peça de ficção” e disse que ele serviria para tentar criar um ambiente de instabilidade no país.
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) também reagiu à carta e fez duras críticas a Flávio.
“Delírio e desmoralização. Esse é o significado da carta de Flávio Bolsonaro”, escreveu no X.
Sâmia afirmou que os adversários de Lula reconheceram o resultado da eleição e classificou a iniciativa de Flávio como uma demonstração de enfraquecimento político.
“Flávio é o mais fraco e patético da extrema direita brasileira”, declarou.
Na mesma postagem, a deputada afirmou que manifestações realizadas nas últimas semanas demonstrariam forte rejeição ao senador.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) também atacou o conteúdo do documento.
“Flávio Bolsonaro não aceita a derrota e insiste no golpismo!”, escreveu nas redes sociais.
Segundo Jones, a iniciativa não representa apenas inconformismo com o resultado.
“É mais uma tentativa de deslegitimar as eleições, espalhar acusações de fraude sem provas e criar condições para um novo golpe de Estado”, afirmou.
O deputado eleito também acusou Flávio de buscar respaldo político nos Estados Unidos e defendeu que eventuais articulações contra a ordem democrática sejam investigadas.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), contestou especificamente o argumento usado por Flávio sobre a extensão do horário de votação.
“Na prorrogação, foram contados apenas 34 mil votos. Manda ele se ocupar do que deve. Fugiu, assuma que fugiu”, afirmou.
Teresa classificou a postura como um “desrespeito à democracia” e lembrou que integrantes da própria família Bolsonaro foram eleitos no mesmo processo eleitoral.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a direção nacional do partido não pretendem comentar novamente a carta neste momento, segundo informou a assessoria de imprensa.
Na segunda-feira, após o segundo turno, a legenda havia reconhecido formalmente a vitória de Lula.
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