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Caso Master expõe falha de fiscalização, e liquidação extrajudicial pode ter vindo tarde, avalia sócio da GT Capital Marcus Labarthe

Publicado 07/09/2026 • 20:02 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Marcus Labarthe afirma que o impacto financeiro do Master ficou relativamente isolado, apesar de os desdobramentos políticos e judiciais manterem o caso em evidência.
  • Especialista diz que crescimento de fintechs e instituições de crédito não foi acompanhado, na mesma proporção, pelo reforço da estrutura de supervisão.
  • Juros elevados e dificuldades financeiras de grandes empresas aumentaram a percepção de risco e tendem a deixar a concessão de crédito mais criteriosa.

O caso Master revelou fragilidades na fiscalização do sistema financeiro brasileiro e a liquidação extrajudicial da instituição pode ter ocorrido mais tarde do que o ideal. É o que avaliou Marcus Labarthe, especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da GT Capital.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Labarthe afirmou que o aumento do número de fintechs, bancos e empresas de crédito nos últimos anos não foi acompanhado na mesma velocidade pelo reforço da estrutura de supervisão.

“O caso do Banco Master demonstra que a gente precisa ter um efetivo maior, uma fiscalização maior”, afirmou.

Segundo ele, profissionais do mercado já percebiam uma exposição a risco maior no Master em comparação com outras instituições de médio porte.

“Quem é do mercado financeiro sabia que o Banco Master tinha um grau de risco muito acima do que bancos médios no Brasil”, disse.

Na avaliação de Labarthe, isso levanta dúvidas sobre o momento em que ocorreu a intervenção.

“Talvez o timing dessa liquidação extrajudicial foi um pouco demorado”, afirmou.

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Fiscalização não acompanhou expansão do mercado

Labarthe destacou que o sistema financeiro brasileiro continua sendo sólido e tecnologicamente avançado, mas disse que o caso Master colocou em evidência limitações na supervisão.

“Ao longo desses últimos anos, a tecnologia fez surgir uma série de fintechs, uma série de empresas na parte de crédito no Brasil. E tudo isso não veio junto com a fiscalização ou até o aumento no efetivo de profissionais junto à CVM, ou junto ao Banco Central”, afirmou.

Para o especialista, o episódio deveria levar a uma fiscalização mais rigorosa das instituições.

Ao comentar suspeitas envolvendo agentes públicos, Labarthe ressaltou que eventuais responsabilidades ainda dependem das investigações. Ele afirmou que as apurações poderão esclarecer se houve participação ou facilitação por parte de profissionais ligados aos órgãos envolvidos.

Impacto no sistema financeiro ficou isolado

Apesar da dimensão do caso, Labarthe não avalia que o episódio tenha provocado uma perda generalizada de confiança nas demais instituições financeiras. Segundo ele, do ponto de vista estritamente financeiro, a liquidação e a atuação dos mecanismos de proteção aos investidores ajudaram a conter os efeitos.

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“O que se prolonga no assunto do Banco Master, ao contrário de outras instituições no passado que tiveram liquidação extrajudicial, é que tem novos capítulos”, disse.

Para Labarthe, são justamente os desdobramentos políticos e judiciais que mantêm o caso no noticiário e ampliam sua dimensão institucional.

Confiança é central para o sistema

O especialista afirmou que preservar a confiança é uma das principais questões para qualquer sistema financeiro.

“A confiança é primordial. A partir do momento que a pessoa não sente confiança no sistema financeiro nacional, ela faz o que acontece na Argentina: guarda o dinheiro embaixo do colchão”, afirmou.

Labarthe disse não acreditar, porém, que o caso Master vá desencadear um risco sistêmico mais amplo no Brasil.

“Espero que o caso do Banco Master não aumente esse risco sistêmico no mercado. Acredito que não, mas deixa uma série de lições, principalmente para os órgãos fiscalizadores”, disse.

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Juros altos aumentam cautela na concessão de crédito

Além do caso Master, Labarthe afirmou que o mercado financeiro atravessa em 2026 um ambiente de maior atenção ao risco de crédito. Ele citou dificuldades financeiras enfrentadas por grandes empresas e relacionou esse quadro ao nível elevado dos juros no país.

“Uma série de empresas no Brasil, grandes empresas, empresas com capital aberto na bolsa de valores, estão apresentando problemas dentro dos seus balanços”, disse.

Na avaliação do especialista, esse cenário torna as instituições mais cautelosas na liberação de recursos. “Tudo isso cria um temor para o mercado”, afirmou.

Segundo Labarthe, a consequência pode chegar também ao consumidor e às empresas que buscam financiamento.

“Nós que queremos financiar uma casa, financiar um carro, acabamos tendo que pagar um custo maior para a parte do financiamento, porque o risco, para quem presta, para os grandes bancos, aumentou”, disse.

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