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Caso Master: PF vê indícios de que Vorcaro custeou viagens de servidores do Banco Central

Publicado 11/09/2026 • 07:44 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • PF afirma que Daniel Vorcaro custeou ou organizou despesas de viagens internacionais de dois servidores do Banco Central.
  • Defesa dos servidores do Banco Central citados no caso nega irregularidades.
  • Investigação também apura pagamentos e possível atuação dos servidores em favor de interesses do Banco Master.

A Polícia Federal identificou indícios de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, pagou despesas relacionadas a viagens internacionais de dois servidores do Banco Central investigados por uma suposta atuação favorável aos interesses da instituição financeira.

Os investigadores citam o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana e o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza. Segundo os relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), despesas relacionadas a uma viagem de Belline e da mulher a Paris e a uma viagem de Paulo Sérgio e familiares aos Estados Unidos teriam contado com recursos ou serviços providenciados por Vorcaro.

Parte dos documentos do caso teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10) por decisão do ministro André Mendonça. A medida ocorreu após determinação do presidente do STF, Edson Fachin, no contexto da preparação de uma sessão do plenário prevista para terça-feira (15).

Fachin informou que a liberação dos documentos integra a organização do julgamento em que os ministros deverão analisar um relatório da PF relacionado às investigações sobre o Banco Master e um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o documento.

Leia também: Documento revela ordem de Toffoli ao BC para seguir apenas decisões do STF no caso Master

Viagem a Paris

Segundo a Folha de S. Paulo, no caso de Belline Santana, a PF relata que Vorcaro teria participado da organização de uma viagem do então servidor e de sua mulher a Paris. As mensagens analisadas pelos investigadores indicariam contatos do ex-banqueiro com prestadores de serviços para tratar de reservas, recepção e logística durante a estadia.

O relatório menciona ainda orientações para a organização de refeições em restaurantes da capital francesa. Para a polícia, o teor das conversas sugere que Vorcaro pretendia assumir essas despesas. A investigação, porém, não apresenta no trecho divulgado uma relação completa dos gastos nem os respectivos valores.

A PF também afirma ter encontrado registros de pagamentos que somam R$ 3,8 milhões vinculados a Belline. Segundo a investigação, os recursos fariam parte de pagamentos destinados a favorecer os interesses do Banco Master. Os envolvidos contestam essa interpretação e afirmam que os valores estavam relacionados a um programa de educação financeira voltado a jovens.

O advogado Leonardo Palazzi, que representa Belline, afirmou que a atuação do cliente ocorreu dentro de suas atribuições institucionais. A defesa também declarou que o servidor tomou as providências necessárias diante de possíveis irregularidades envolvendo o Master e negou qualquer influência de Vorcaro sobre suas decisões.

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Viagem aos Estados Unidos

Em relação a Paulo Sérgio Neves de Souza, a Polícia Federal afirma ter identificado elementos que apontariam para o custeio de parte de uma viagem dele e da família à Disney. Entre as evidências mencionadas estão conversas nas quais o então servidor teria enviado a Vorcaro um roteiro com passeios previstos durante a viagem.

A defesa de Paulo Sérgio nega que o ex-banqueiro tenha bancado a viagem. Segundo os advogados, o ex-diretor pagou passagens, hospedagem, ingressos, moeda estrangeira e gastos realizados com cartão de crédito, e teria documentação para comprovar a origem dos recursos.

Os defensores afirmam que a viagem já estava programada para o período de férias escolares de janeiro e fevereiro de 2024. De acordo com essa versão, Vorcaro soube do deslocamento durante tratativas para uma reunião entre representantes do Banco Central e da instituição supervisionada.

Ainda segundo a defesa, apenas no dia do embarque Vorcaro teria oferecido uma vaga disponível em um pacote de acesso prioritário a atrações da Disney e da Universal. Paulo Sérgio teria aceitado o serviço e pago US$ 8.000 em dinheiro, nos Estados Unidos, a uma pessoa indicada pelo ex-banqueiro.

Os advogados também afirmam que Paulo Sérgio desconhecia um eventual pagamento de US$ 38 mil atribuído a Vorcaro e destinado ao agente de viagens Leonardo Giunchetti. A defesa sustenta que o ex-diretor não participou nem autorizou essa transação.

Leia também: Caso Master: Vorcaro teve acesso antecipado a detalhes sobre operação antes de ser preso, diz PF

PF aponta atuação em favor de interesses privados

No conjunto da investigação, a Polícia Federal sustenta que Belline e Paulo Sérgio teriam atuado repetidamente em benefício de interesses privados relacionados a Vorcaro e ao Banco Master, ultrapassando, na avaliação dos investigadores, os limites de suas funções no Banco Central.

Entre as condutas citadas estão orientações técnicas, revisão de documentos que posteriormente seriam encaminhados ao próprio BC, possível compartilhamento de informações internas e participação em reuniões informais voltadas à definição de estratégias do conglomerado financeiro.

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