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Chuva recorde atrasa colheita de cana; etanol sobe até 11,5% e açúcar tem 15ª alta seguida
Publicado 06/11/2026 • 14:13 | Atualizado há 16 minutos
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Publicado 06/11/2026 • 14:13 | Atualizado há 16 minutos
KEY POINTS
Elza Fiuza/Agência Brasil
A chuva acima da média no interior paulista está atrasando a colheita de cana-de-açúcar e já reduz a produção de açúcar no país. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que as usinas brasileiras processaram 32,04 milhões de toneladas de cana na primeira metade de outubro, 17,79% a menos que no mesmo período de 2025. A fabricação de açúcar caiu 23,25%, para 2,15 milhões de toneladas, e a de etanol encolheu 21,80%, para 1,77 bilhão de litros.
Com o solo encharcado, as colhedoras e os caminhões não conseguem entrar nos canaviais, e as usinas ficam sem cana para moer. Em setembro, choveu 100 milímetros em Ribeirão Preto, 44% a mais que o normal para o mês. Algumas usinas da região ainda têm cerca de um quinto da cana por colher e, em outubro, fabricaram aproximadamente 30% menos açúcar e etanol do que haviam planejado.
Em nota enviada ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que representa as usinas, explicou o efeito da chuva:
“A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) esclarece que o aumento no volume de chuvas eleva a produtividade e disponibilidade cana-de-açúcar para moagem. Porém, restringe a capacidade operacional de colheita mecânica em razão da alta umidade do solo. Diante dessa dinâmica, é natural e esperada a tentativa de alongamento pontual do período de moagem para compensar as paradas provocadas pelas chuvas.”
Piracicaba, um dos principais polos canavieiros de São Paulo, teve o outubro mais chuvoso desde 1917, quando começou a série de medições da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). O posto meteorológico da escola registrou 260,7 milímetros até as 7h do dia 30. A média do mês é de 110,4 milímetros, e o recorde anterior, de 1982, era de 254,5 milímetros.
O inverno já tinha sido o mais chuvoso da série. De junho a agosto, a Esalq/USP registrou 382 milímetros, contra 350,5 milímetros do recorde anterior, de 1927.
Em setembro, ao analisar o recorde do inverno, a Esalq/USP considerou que não havia como atribuir aquela chuva diretamente ao El Niño, o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico que altera o clima em várias partes do mundo. A análise, publicada em setembro no Jornal da USP, lembrava que outros episódios do fenômeno trouxeram pouca chuva à região e que a variação natural do clima também poderia explicar o volume.
Desde então, o El Niño ganhou força. No boletim de 29 de outubro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que o fenômeno se torne muito forte a partir de novembro. Até janeiro, o Sul e áreas do Sudeste e do Centro-Oeste têm maior probabilidade de chuva acima do normal, segundo o instituto.
Além de atrasar a colheita, a umidade piora a matéria-prima. A cana retirada de terreno molhado chega à indústria misturada a barro, palha e outros resíduos. A usina gasta mais tempo e dinheiro para limpá-la, e a qualidade do açúcar e a produção de etanol podem cair.
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Siga o Times | CNBCA cana madura também perde açúcar quando recebe água em excesso. O setor acompanha isso pelo ATR (açúcar total recuperável), índice que mostra quanto açúcar e etanol cada tonelada colhida pode render.
Há ainda o risco para as próximas safras. O peso das máquinas sobre o solo molhado compacta a terra e pode danificar a soqueira, a base da planta que permanece no chão após o corte e rebrota no ano seguinte. Em compensação, a chuva ajuda a cana que ainda está em desenvolvimento e será colhida em 2027.
Com menos cana chegando às usinas, o preço do açúcar subiu. Na última semana de outubro, de 26 a 30, a saca de 50 kg de açúcar cristal foi negociada em média a R$ 128,57 no mercado à vista paulista, 2,34% acima da semana anterior. O dado é do Indicador Cepea/Esalq. Foi a 15ª semana seguida de alta, a maior sequência desde 2020. Em 29 de outubro, a saca atingiu R$ 129,97, valor que não se via desde junho de 2025.
Segundo o Cepea, o dólar mais caro deu impulso extra aos preços no fim do mês, mas a oferta menor de açúcar já vinha sustentando a alta. Na terça-feira (3), o indicador do açúcar cristal recuou para R$ 127,33 por saca.
O etanol também encareceu em outubro. Considerando apenas as semanas completas do mês, o litro do hidratado, o etanol usado diretamente nos carros, foi negociado em média a R$ 2,72 pelas usinas paulistas, 7,9% mais que em setembro. O anidro, que é misturado à gasolina, teve média de R$ 3,23 o litro no mercado à vista, alta de 11,52%.
O Cepea atribui a alta à procura maior e à oferta menor. As paradas causadas pela chuva reduziram os dias de produção e os estoques das usinas. As vendas de hidratado pelas usinas de São Paulo cresceram 30,8% de setembro para outubro e passaram de 380 milhões de litros, o maior volume mensal desde janeiro de 2024. Já as vendas de anidro no mercado à vista caíram 10,5% no mesmo período. Segundo o Cepea, o setor continua preocupado com as interrupções frequentes da moagem.
A safra 2026/27 começou em abril de 2026 e termina em março de 2027. Até a metade de outubro, as usinas brasileiras tinham processado 528,11 milhões de toneladas de cana, 2,77% abaixo do ciclo anterior, de acordo com o Mapa. Nesse período, a produção de açúcar ficou em 31,57 milhões de toneladas, 14,12% a menos. Já a de etanol cresceu 5,97%, para 28,11 bilhões de litros, porque as usinas destinaram mais cana ao combustível.
Em agosto, antes de as chuvas se intensificarem, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetava 705,2 milhões de toneladas de cana no país e 42,89 milhões de toneladas de açúcar, 2,9% abaixo da safra passada. O próximo levantamento da Conab vai mostrar o efeito das chuvas nessas estimativas.
As usinas da região de Ribeirão Preto pretendem estender a colheita por cerca de um mês e encerrá-la entre 20 e 22 de dezembro, se o tempo permitir. Fontes do mercado já esperam que uma quantidade grande de cana seja moída só em 2027. As estimativas do setor ficam entre 30 milhões e 37 milhões de toneladas no Centro-Sul. Para absorver esse volume, as usinas avaliam antecipar o início da próxima safra para março. Normalmente, a moagem começa na primeira metade de abril.
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