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Compras internacionais crescem 74% em agosto após fim da “taxa das blusinhas”

Publicado 22/09/2026 • 20:00 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Importações de pequenas encomendas cresceram após o fim do imposto de 20% sobre compras de até US$ 50.
  • Remessas declaradas chegaram a 26,5 milhões em agosto, alta de 74% ante o mesmo mês de 2025.
  • Abit aponta pressão sobre a indústria têxtil e de confecção, que registrou queda na produção em julho.
Transportadora

Foto: Magnific

O número de pequenas encomendas internacionais declaradas no Brasil aumentou após o imposto de importação sobre compras de até US$ 50, que era de 20%, ter sido zerado em maio. A mudança foi feita inicialmente por medida provisória e, posteriormente, aprovada pelo Congresso e convertida em lei em 10 de setembro.

Segundo levantamento da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), com dados do programa Remessa Conforme, a média mensal de remessas passou de 15,4 milhões nos quatro primeiros meses do ano para 20 milhões em maio. Em junho, chegou a 28 milhões e, em julho e agosto, ficou acima de 26 milhões em cada mês.

O valor médio declarado também cresceu. Entre janeiro e abril, as compras internacionais somaram US$ 308 milhões por mês, enquanto, nos quatro meses seguintes, a média alcançou US$ 520 milhões. Os números consideram remessas internacionais declaradas e foram extraídos de levantamentos do Remessa Conforme, programa criado para combater a sonegação fiscal em compras internacionais.

Em agosto de 2026, foram declaradas 26,5 milhões de remessas, 74% acima das 15,2 milhões registradas no mesmo mês de 2025. O valor das compras declaradas passou de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões no período, aumento de 79%.

A evolução das importações é apontada pela Abit como uma fonte de pressão sobre a indústria do vestuário, setor que, segundo a entidade, está entre os mais afetados pela concorrência estrangeira, especialmente chinesa. Entre as plataformas internacionais citadas estão Shopee, AliExpress e Shein.

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A associação relaciona o avanço das importações após o fim da chamada “taxa das blusinhas” à defesa de uma equivalência tributária e regulatória entre produtos nacionais e estrangeiros. Segundo a Abit, as mercadorias enviadas em remessas de até US$ 50 recebem tratamento tributário mais favorável e não estão submetidas aos mesmos controles e normas aplicáveis à produção brasileira nas áreas trabalhista, ambiental, sanitária e de segurança.

Na avaliação da entidade, essa diferença ocorre ao mesmo tempo em que as importações convencionais se expandem e o mercado interno recua. A Abit afirma que o conjunto dessas pressões estaria relacionado à redução da produção, à eliminação de empregos e ao adiamento ou à revisão de investimentos.

A associação defende que produtos estrangeiros não recebam vantagens que, segundo sua avaliação, não são concedidas às empresas que produzem e empregam no Brasil. Também afirma que economias importantes estão ampliando a fiscalização sobre plataformas internacionais e adotando medidas de proteção às suas bases produtivas diante de grandes excedentes globais, enquanto o Brasil estaria seguindo uma direção diferente.

Segundo a Abit, esse cenário pode fazer com que, em determinadas situações, seja economicamente mais vantajoso importar do que produzir no país. Para a entidade, isso significaria a transferência para o exterior de investimentos, renda, arrecadação e empregos.

Como parte da argumentação sobre as dificuldades do setor, a associação citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a julho. De acordo com os números mencionados pela Abit, a produção têxtil caiu 6,8% em relação a julho do ano anterior, enquanto a produção de confecção recuou 8,2%.

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