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Crise do Master está longe da gravidade de Bamerindus e Econômico, afirma Galípolo
Publicado 19/05/2026 • 16:16 | Atualizado há 6 minutos
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Publicado 19/05/2026 • 16:16 | Atualizado há 6 minutos
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Wilton Junior / Estadão Conteúdo
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo (e), ao lado do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Renan Calheiros (MDB-AL)(d), ao falar em reunião da comissão no Congresso Nacional, em Brasília (DF), na manhã desta terça-feira, 19 de maio de 2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que as crises envolvendo os bancos Bamerindus, Econômico e Nacional, nos anos 1990, apresentavam grau de complexidade muito maior do que o caso atual do Banco Master. Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ele ressaltou que os episódios anteriores envolviam ameaça sistêmica ao sistema financeiro, cenário que, segundo ele, não se repete agora. “O caso Bamerindus era mais complexo. O caso Econômico era mais complexo. O caso Nacional era mais complexo”, declarou.
Segundo Galípolo, a situação envolvendo o Master está mais relacionada à utilização dos recursos da instituição e às pessoas envolvidas nas operações do que propriamente a um risco sistêmico para o mercado financeiro. “O caso em tela tem uma complexidade que se refere ao que foi feito com o dinheiro e quem se envolveu com isto”, afirmou.
Ao comparar a atual crise bancária com as intervenções realizadas pelo Banco Central nos anos 1990, Galípolo relembrou críticas sofridas pelos dirigentes da autoridade monetária na época por promoverem separações entre ativos considerados saudáveis e problemáticos. Segundo ele, naquele período houve acusações de que o BC teria vendido apenas as partes consideradas “boas” das instituições financeiras.
Leia também: Galípolo: pagamentos de Vorcaro a ex-servidores do BC indicam “vantagem indevida”
No caso do Banco Master, porém, o presidente do BC afirmou que não encontrou ativos capazes de permitir esse tipo de segregação. “Eu não estou sendo acusado disso porque eu não consegui encontrar um banco bom”, declarou.
Galípolo acrescentou que, caso essa divisão fosse possível, a autoridade monetária teria obrigação de realizá-la independentemente de pressões políticas. “Se tivesse, estava na obrigação do meu mandato, ainda que eu sofra pressão política”, enfatizou.
Durante a audiência, o presidente do Banco Central também revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro propôs uma saída organizada do mercado após a autoridade monetária negar, em setembro do ano passado, a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Leia também: Galípolo enfrenta Senado sob pressão por crise do Master e operação do BRB
Segundo Galípolo, Vorcaro teria reconhecido que a instituição já não era mais viável operacionalmente e sugerido uma espécie de encerramento controlado das atividades. “Ele reconhece que o banco não é viável mais, mas que ele mesmo faria uma ‘autoliquidação’ do banco”, afirmou.
O chefe do BC declarou ainda que a proposta envolvia investidores árabes, mas disse nunca ter tido conhecimento direto desses possíveis interessados.
Ao longo da audiência no Senado, Galípolo defendeu a atuação do Banco Central diante das suspeitas envolvendo integrantes da autarquia no caso Master. Segundo ele, reuniões longas entre bancos em dificuldade e membros do BC são procedimentos considerados normais dentro da supervisão bancária.
O presidente da autoridade monetária afirmou que, ao identificar indícios de irregularidades, o Banco Central abriu imediatamente auditoria e sindicância internas. As investigações resultaram no afastamento do ex-diretor Paulo Souza e do ex-chefe de departamento Belline Santana.
“Essas duas pessoas identificadas pela auditoria e sindicância estão afastadas”, afirmou Galípolo. Segundo ele, os casos foram encaminhados à Controladoria-Geral da União (CGU) e comunicados à Polícia Federal para aprofundamento das investigações.
Leia também: Como Galípolo e Banco Central entram na disputa eleitoral de 2026?
Galípolo também minimizou o risco sistêmico do Banco Master ao classificar a instituição como pertencente ao segmento 3 do sistema bancário brasileiro. Em analogia ao futebol, ele comparou o banco a uma equipe da “terceira divisão”.
Segundo o presidente do Banco Central, justamente por esse porte reduzido, o Master não ofereceria ameaça estrutural ao sistema financeiro nacional. “A questão do Master é mais o que se fazia com o dinheiro, não o risco sistêmico”, concluiu.
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