Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Naskar fala pela primeira vez após ‘pane’, muda versão e diz que auditoria investiga saques indevidos que somaram R$ 67 milhões; veja
Publicado 18/05/2026 • 09:18 | Atualizado há 9 minutos
Como Elon Musk e Sam Altman passaram de melhores amigos a rivais declarados
Coreia do Sul afirma que irá explorar todas as opções para evitar greve na Samsung
Demissões por IA derrubam ações de 56% das empresas e expõem ilusão do corte de custos
Presidente do Eurogrupo cobra reabertura de Ormuz e paz duradoura antes de cúpula do G7 em Paris
Mercado de títulos acende alerta sobre Irã; veterano da geopolítica energética vê risco crescente para a economia
Publicado 18/05/2026 • 09:18 | Atualizado há 9 minutos
KEY POINTS
Foto: Montagem
Quem é Douglas Azara, empresário de 25 anos ligado à compra da Naskar
Por quase duas semanas, os três controladores da Naskar permaneceram em silêncio absoluto. Nenhum comunicado, nenhuma entrevista, nenhuma resposta à imprensa. Na noite de domingo (17), a fintech respondeu pela primeira vez a perguntas de um veículo jornalístico. O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC enviou 16 perguntas e recebeu respostas assinadas pela empresa. Nelas, a Naskar abandona a versão de “perda na base de dados” e apresenta uma narrativa inteiramente nova: o problema, segundo a empresa, foram os próprios investidores.
De acordo com a nova versão da Naskar, uma auditoria interna identificou que clientes sacaram aproximadamente R$ 67 milhões além do que tinham direito, incluindo investidores que já haviam quitado suas posições. A empresa afirmou que esses saques indevidos são a razão pela qual os pagamentos pararam e o aplicativo saiu do ar no início de maio. Os valores, ressalva a empresa, “estão sujeitos a mudança até o final do processo de auditoria”.
Leia também: EXCLUSIVO: Sócios da Naskar desmontaram estrutura financeira semanas antes de sumirem com quase R$ 1 bilhão
Perguntada posteriormente sobre detalhes adicionais, como o período em que os saques ocorreram, o mecanismo utilizado, quem conduz a auditoria e se a empresa prepara representação criminal, a Naskar afirmou que não responderia.
🔍 Naskar é uma fintech que captava recursos de pessoas físicas mediante contrato de mútuo, prometendo rendimento mensal fixo entre 1,5% e 2%, equivalente a até 175% do CDI. A empresa não tinha registro no Banco Central nem na Comissão de Valores Mobiliários. Em 4 de maio de 2026, deixou de pagar os rendimentos contratados a cerca de 3.000 clientes. O aplicativo saiu do ar no dia seguinte.
Em 7 de maio, a Naskar havia enviado aos clientes uma nota corporativa informando “perda na base de dados” e prometendo um posicionamento institucional na semana seguinte. Esse posicionamento nunca veio.
Agora, nas respostas ao Times Brasil | CNBC, a empresa descarta essa explicação. Segundo a Naskar, o que a auditoria interna revelou não foi perda de dados, mas uma inconsistência nos saques realizados por investidores.
A empresa não apresentou documentação, laudo de auditoria independente ou nome de responsável que sustente a nova versão.
Sobre o atraso no posicionamento prometido, a empresa afirmou que “a auditoria ainda não foi finalizada” e que a falta de comunicação também se deveu à negociação da venda do grupo para uma “gestora americana”, “disposta a aportar ativos em garantia e reestabelecer o relacionamento com o mercado”.
Leia também: Naskar: venda à gestora americana levanta suspeita de farsa e sócios estudam pedir recuperação judicial
A nova versão da Naskar conecta diretamente dois episódios que haviam gerado dúvidas entre os investidores. No sábado (9) de maio, a empresa enviou uma Carta de Circularização solicitando seis documentos pessoais a cada cliente em prazo de dez dias, com cláusula expressa de não reconhecimento automático de saldo, novação ou quitação.
Nas respostas ao Times Brasil | CNBC, a Naskar confirmou que essa cláusula foi inserida justamente por causa dos supostos saques indevidos. Para o advogado Vinícius Barboza, doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e sócio fundador do BMS Advocacia, o documento configura um mecanismo de gestão processual. Investidores que enviarem os documentos sem as devidas cautelas correm o risco de experimentar prejuízos adicionais à sua posição jurídica.
🔍 Carta de Circularização é um instrumento formal usado por empresas para coletar informações e documentos de contrapartes. A inclusão de cláusula de não reconhecimento de saldo significa que o simples envio dos documentos não implica confirmação de débito pela empresa emissora.
Leia também: Fintech Naskar, que oferecia remuneração maior que do Banco Master, desaparece com R$ 1 bi dos clientes
A Naskar também respondeu sobre o paradeiro dos recursos dos investidores. Segundo a empresa, os valores “estão em uma corretora de valores, custodiados em ações“. Essa resposta contraria a estrutura operacional documentada publicamente: toda a captação de clientes era processada pela 7Trust Finance e custodiada na CelCoin Instituição de Pagamento S.A. A empresa não identificou qual corretora detém os recursos nem apresentou qualquer extrato ou comprovante.
Sobre a 7Trust Finance, parceira que processava as operações da Naskar sem nunca ter obtido autorização final do Banco Central, a empresa limitou-se a afirmar que a instituição “estava tramitando as licenças necessárias junto ao Banco Central“.
Em relação ao volume total captado, a Naskar contestou as estimativas que circulam na imprensa e nos processos judiciais em curso. Segundo a empresa, o processo de auditoria interna aponta valor inferior a R$ 400 milhões, “todavia os números ainda não se encontram totalmente fechados”.
Ações judiciais em curso e estimativas de veículos de imprensa apontam entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão de aproximadamente 3.000 clientes.
Para todas as perguntas sobre as alterações societárias realizadas nos 60 dias anteriores ao colapso – mudança de razão social, retirada de CNAEs financeiros e constituição das empresas Voga e Spy, a Naskar adotou uma resposta uniforme: os atos decorreram de “reorganizações societárias e administrativas”, sem detalhar quais foram essas reorganizações ou qual cronograma as motivou.
Sobre a abertura de Voga e Spy especificamente, a empresa acrescentou que Marcelo Liranço Arantes e José Maurício Volpato constituíram as sociedades “em função da possível venda do grupo“, com o objetivo de atuarem como consultores ou prestadores de serviço após a transação.
A Naskar confirmou o vínculo com a Hagar Gestão Financeira, que opera fisicamente na antiga sede da empresa na Vila Olímpia, em São Paulo. Segundo a resposta enviada à reportagem, a Hagar “representa comercialmente a Naskar” e se instalou no endereço “em função de políticas de planejamento comercial”, junto a outros parceiros que também ocupavam o espaço.
A confirmação vai além do que os registros públicos indicavam: até a publicação da matéria anterior, o vínculo entre as duas empresas não havia sido admitido formalmente.
Sobre a Family Office Daytona – empresa registrada com o e-mail pessoal de Rogério Vieira mas tendo como sócia formal Ana Elisa Laporta de Abreu, a Naskar afirmou que a sociedade “não possui nenhum vínculo com o Grupo Naskar”.
Sobre o encontro com advogados para possível reestruturação ou pedido de recuperação judicial, a Naskar afirmou que não iria responder.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Mais lidas
1
Naskar: venda à gestora americana levanta suspeita de farsa e sócios estudam pedir recuperação judicial
2
Antes de negociar com BRB, Daniel Vorcaro pediu conselho a Lula sobre venda do Banco Master
3
EXCLUSIVO: Sócios da Naskar desmontaram estrutura financeira semanas antes de sumirem com quase R$ 1 bilhão
4
Palmeiras encerra naming rights com receita milionária; veja quanto a arena já rendeu
5
Bloqueio no Estreito de Ormuz derruba exportações ao Golfo em US$ 537 mi e testa logística refrigerada do Brasil