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Guerra dos medicamentos para perda de peso se torna global enquanto a Novo Nordisk aposta alto na pílula Wegovy

Publicado 19/05/2026 • 11:14 | Atualizado há 17 minutos

KEY POINTS

  • A Novo Nordisk vê uma “grande oportunidade” fora dos Estados Unidos e afirma que parcerias com plataformas de telemedicina podem ajudar a expandir o mercado global de medicamentos para perda de peso.
  • A disputa pela liderança desse lucrativo mercado tem se concentrado principalmente nos EUA, que atualmente representam mais da metade das vendas tanto da Novo quanto da Eli Lilly.
  • Analistas destacam Reino Unido, Alemanha e Dinamarca como países com maior probabilidade de receber os próximos lançamentos da pílula Wegovy.

REUTERS/Tom Little

O logotipo da empresa farmacêutica Novo Nordisk é exibido em frente aos seus escritórios em Bagsvaerd , nos arredores de Copenhague, Dinamarca, em 24 de novembro de 2025.

A Novo Nordisk disse à CNBC que está se preparando para apostar “todas as fichas” no lançamento de sua pílula Wegovy fora dos Estados Unidos, enquanto a disputa pela liderança do mercado de medicamentos para perda de peso ganha escala global.

“Quando lançarmos, vamos com tudo”, afirmou Emil Kongshøj Larsen, vice-presidente executivo de Operações Internacionais da Novo, em entrevista à CNBC na terça-feira (19). “É uma grande oportunidade.”

Na semana passada, a Novo anunciou que espera iniciar os primeiros lançamentos internacionais ainda este ano, dependendo de aprovações regulatórias, após a pílula apresentar uma adesão considerada excepcional no mercado americano.

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Os Estados Unidos representam mais da metade das vendas da Novo e de sua principal concorrente, a Eli Lilly. Mas as empresas estão cada vez mais buscando expandir o mercado de medicamentos para perda de peso, que revolucionou a indústria farmacêutica nos últimos anos.

Larsen não revelou quais países receberão primeiro a pílula Wegovy, afirmando que a farmacêutica seguirá o “potencial” de cada mercado, considerando fatores como interesse dos pacientes em tratamentos contra obesidade, capacitação médica e a presença de possíveis parceiros de telemedicina.

Segundo ele, a telemedicina tem ampliado o acesso dos pacientes aos tratamentos. Na Alemanha, por exemplo, o processo vinha avançando lentamente até que as plataformas digitais passaram a facilitar o acesso de forma mais prática e valorizada pelos usuários.

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Uma nova fase da rivalidade entre Novo e Lilly?

Enquanto a Eli Lilly projeta crescimento de 28% nas vendas em 2026, a Novo prevê uma queda significativa.

Embora tenha elevado levemente suas projeções na semana passada, a Novo ainda estima retração entre 4% e 12% em lucros e receitas em 2026, pressionada por preços menores nos EUA e pela concorrência de medicamentos genéricos em mercados como Índia, Canadá, Brasil e China.

Isso ocorre apesar da vantagem inicial conquistada pela empresa no segmento de medicamentos orais para perda de peso com o lançamento da pílula Wegovy nos EUA em janeiro. A Novo informou recentemente que o número de prescrições já ultrapassou 2 milhões, com vendas muito acima das expectativas no primeiro trimestre, apesar do preço reduzido.

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“Não poderíamos ter um pré-lançamento melhor em um mundo cada vez menor por causa das redes sociais, do ambiente digital e do sentimento dos consumidores”, disse Larsen sobre a estreia nos EUA. Segundo ele, o sucesso também fortalece toda a marca Wegovy, inclusive sua linha de medicamentos injetáveis.

Analistas do Nordea afirmaram que o Wegovy está se tornando a principal marca de medicamentos para perda de peso entre consumidores americanos, com base em dados do Google Trends.

Enquanto isso, a Eli Lilly informou em 30 de abril que mais de 20 mil pessoas começaram a utilizar a pílula concorrente Foundayo desde seu lançamento naquele mesmo mês.

Dados da IQVIA acompanhados por analistas mostram que o Foundayo registrou um volume significativamente menor de prescrições em comparação com a pílula Wegovy no mesmo período.

O CEO da Eli Lilly, David Ricks, disse à CNBC que consolidar o Foundayo como marca levará tempo.

“Nossa trajetória será um pouco diferente porque se trata de uma nova marca, uma nova molécula”, afirmou. “Isso será desenvolvido ao longo de trimestres, não de dias.”

A analista Emily Field, do Barclays, observou que Wegovy oral e Foundayo parecem atender públicos diferentes: o primeiro apresenta eficácia semelhante à versão injetável, enquanto o segundo pode ser visto como uma opção de entrada para tratamentos com GLP-1.

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Lançamentos globais

Segundo Larsen, o formato em comprimido atrai muitos pacientes e a empresa acredita que esse interesse será replicado em mercados fora dos EUA.

Ele afirmou que a eficácia considerada superior do Wegovy reduz preocupações sobre entrar depois dos concorrentes em alguns países.

Estudos indicam que a pílula promove uma perda de peso mais significativa do que o Foundayo e pode oferecer benefícios cardiovasculares, embora ainda não exista um estudo clínico comparando diretamente os dois medicamentos.

A Novo espera uma forte adesão internacional ao Wegovy, mas não necessariamente no mesmo ritmo observado nos EUA. Segundo Larsen, o mercado americano não é um parâmetro ideal porque a velocidade de adoção em outros países dependerá da diferença de preços entre comprimidos e versões injetáveis.

Analistas do Sydbank apontam Reino Unido, Alemanha e Dinamarca como os mercados europeus mais prováveis para os primeiros lançamentos.

Larsen afirmou ainda que a maior parte do crescimento dos medicamentos GLP-1 para obesidade vem de consumidores que pagam diretamente pelo tratamento, e não de pacientes cobertos por sistemas públicos ou seguradoras.

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“Mesmo em sistemas de saúde públicos como o da Dinamarca, 99% dos pacientes pagam do próprio bolso. Alguns anos atrás, quando começamos a atuar no tratamento da obesidade, isso seria inimaginável”, afirmou.

O CEO da Eli Lilly, David Ricks, também destacou o potencial internacional do mercado:

“Há um bilhão de pessoas no planeta que poderiam se beneficiar desses medicamentos. Neste momento estamos alcançando cerca de 20 milhões.”

No primeiro trimestre, a receita internacional da Eli Lilly cresceu 81%, alcançando US$ 7,7 bilhões, impulsionada por um aumento de 95% no volume de vendas. Nos Estados Unidos, a receita avançou 43%, chegando a US$ 12,1 bilhões.

“Acontece que pessoas gostam de perder peso no mundo inteiro”, afirmou Ricks.

Larsen acrescentou que a valorização da inovação em medicamentos pelos governos europeus será essencial para manter investimentos e estudos clínicos na região.

“Caso contrário, investimentos e pesquisas continuarão migrando para os Estados Unidos ou para a China, como vemos atualmente”, concluiu.

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