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Como Galípolo e Banco Central entram na disputa eleitoral de 2026?
Publicado 19/04/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/04/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
É difícil cravar quando o jogo eleitoral de 2026 começou de fato. Mas, no caso de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, essa entrada parece recente. E, ao que tudo indica, a contragosto.
Em uma de suas aparições mais recentes, em evento da FGV, o banqueiro central recorreu ao seu estilo habitual — técnico e ponderado — para deixar claro que não se vê como responsável pela manutenção da política monetária restritiva nem pela queda de popularidade do governo.
Mais do que isso, Galípolo trouxe exemplos históricos de eleições em que o incumbente derrotado atribuiu a culpa ao Banco Central. A fala ocorre em um contexto de aumento da reprovação do governo Lula, responsável por sua indicação, e de avanço do principal opositor, Flávio Bolsonaro, que em poucos meses saiu de um patamar elevado de rejeição para um empate técnico com o presidente.
Sem provocação direta, Galípolo afirmou ter revisitado recentemente a obra de Alan Blinder, ex-vice-presidente do Fed. Destacou, em especial, a leitura de que presidentes derrotados — como Jimmy Carter e George Bush (pai) — atribuíram seus insucessos eleitorais à política monetária restritiva conduzida pelo banco central americano.
A referência dialoga diretamente com o cenário brasileiro, em que o Banco Central tem sido apontado por parte relevante do núcleo duro do governo como um dos principais entraves a um crescimento econômico mais robusto.
Mas Galípolo amplia o argumento. Segundo ele, críticas ao BC não surgem apenas em momentos de aperto monetário, mas também em situações opostas. O presidente da autoridade monetária citou interpretações segundo as quais a derrota de Bolsonaro estaria associada a juros excessivamente baixos durante a pandemia, que teriam contribuído para a alta da inflação.
“A crítica que se faz ao Banco Central é que talvez a eleição tenha sido perdida (por Bolsonaro) por conta de uma taxa de juros baixa demais”, disse, ao se referir ao ciclo de afrouxamento monetário nos períodos de Ilan Goldfajn (Temer) e Roberto Campos Neto (Bolsonaro).
“Agora, os banqueiros centrais não apanham apenas por subir demais a taxa de juros, mas também por cortar demais, o que pode ter impacto na inflação”, completou.
A chamada “inflação controlada” no Brasil convive com um mercado de trabalho ainda aquecido — ou “apertado”, no jargão do mercado — além de crescimento da massa salarial e do PIB. Ainda assim, a percepção da população sobre sua situação econômica segue negativa. E isso pesa contra governos incumbentes, no Brasil e no exterior — Joe Biden é um exemplo.
O economista Larry Summers chegou a estudar esse fenômeno nos Estados Unidos. A conclusão foi a existência de uma ruptura entre os dados de emprego e inflação e sua conversão automática em popularidade do governo. “Essa quebra aconteceu em uma série de países”, destacou Galípolo.
Parte dessa dissociação entre dados e percepção está ligada aos choques de oferta dos últimos anos: pandemia, guerra na Ucrânia, tarifaço e conflito no Irã. Esses eventos elevaram o nível geral de preços de forma estrutural. Assim, mesmo com política monetária restritiva por um período prolongado, a inflação é contida a partir de uma base já elevada de preços.
“Nós, banqueiros centrais, olhamos para a meta de inflação, enquanto a população olha para o nível de preços. Você pode ter inflação baixa e ainda conviver com preços altos, especialmente porque a renda não cresceu no mesmo ritmo”, explicou.
Galípolo mencionou ainda uma avaliação de Blinder de que o Brasil teria normalizado uma inflação de 8%, mas discordou. “Dessa vez ele não está certo. Essa não é a sociedade dos anos 80”, afirmou — sinalizando que o brasileiro hoje é mais sensível ao nível de preços.
Nesse cenário, nas entrelinhas, Galípolo deixa transparecer que, na sua opinião, uma atuação diferente no manejo de juros poderia garantir a Lula um destino parecido com o de Biden nos EUA e de Bolsonaro no Brasil, com economia crescente, mas preços corroendo a percepção de bem-estar das famílias.
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