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CVC tem mais um dia de derretimento na bolsa após vendas forçadas de ações no caso Master Capixaba e balanço mais fraco do que o esperado

Publicado 14/08/2026 • 08:05 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Ação da CVC caiu 5,19% no pregão de quinta-feira (13), no dia seguinte ao balanço do segundo trimestre
  • CVC teve prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões, mais que o triplo do registrado um ano antes
  • Apex Partners, com mais de 15% da CVC, enfrenta dívida líquida de R$ 975 milhões e crise de confiança
CVC

Ações CVCB3 caem 6,58% em um pregão e chegam à véspera do balanço do 2º trimestre sob efeito da crise na Apex Partners

As ações da CVC caíram 5,19% no pregão de quinta-feira (13), pressionadas pela combinação entre o balanço fraco do segundo trimestre, divulgado na noite de quarta-feira (12), e a venda forçada de papéis por fundos geridos pela Apex Partners, uma das maiores acionistas da companhia de turismo. A crise da gestora capixaba segue no radar do mercado para o pregão desta sexta-feira (14).

🔍 Apex Partners é uma gestora capixaba, privada, que comprou 15,5% da CVC e está no “Master Capixaba”, nada a ver com a Apex Brasil, agência federal de promoção de exportações e investimentos, vinculada ao MDIC.

Leia também: Apex Partners teme risco a seus projetos imobiliários em meio à crise de imagem e rombo multimilionário do caso Master Capixaba; veja a lista dos empreendimentos

Venda forçada explica a queda de ontem

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, os fundos da Apex Partners foram obrigados a vender cerca de 17 milhões de ações da CVC no pregão de quinta-feira, em operações compradas a termo, modelo em que a aquisição é fechada a um preço determinado para liquidação futura e que exige apresentação de garantias. Com a crise afetando a imagem da gestora, a Apex Partners não conseguiu rolar essas operações e precisou se desfazer dos papéis.

Um bloco de 9 milhões de ações foi negociado por volta das 16h, e metade dele foi comprada pelo fundo Absolute, que já era acionista da CVC e vinha reduzindo sua participação. Com a venda, a fatia dos fundos da Apex Partners na companhia recuou de cerca de 15% para 11%, ainda de acordo com a reportagem.

A movimentação também levanta dúvidas sobre eventual violação de cláusula do acordo de acionistas firmado em abril entre os fundos da Apex Partners e a família Paulus, fundadora da CVC. Uma fonte ouvida pelo Valor apontou que a família pode conceder um waiver e manter o pacto vigente, que reúne cerca de 35% do capital da companhia entre os fundos signatários.

Leia também: Garantia usada pela Apex Partners para comprar fatia da CVC violava regras do mercado, dizem reguladores

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Balanço fraco abre a semana de pressão

A CVC registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões no segundo trimestre, mais que o triplo do resultado negativo do mesmo período do ano passado. A receita líquida recuou 6,5%, para R$ 319,5 milhões, e o Ebitda ajustado caiu 8,1%, para R$ 84,9 milhões.

Com o resultado no ar desde a noite de quarta-feira, o mercado teve o pregão inteiro de quinta-feira para precificar o balanço, e o papel já abriu o dia sob pressão. A despesa financeira líquida da companhia aumentou 9%, para R$ 81,6 milhões, puxada pelos juros da antecipação de recebíveis, que cresceram 30,8%.

Crise da Apex Partners segue no radar

Documentos apresentados pela Apex Partners à Justiça do Espírito Santo mostram que a dívida líquida do grupo mais que dobrou em um ano e meio, para R$ 975 milhões. Parte da operação que levou a companhia a ampliar a fatia na CVC previa garantia de retorno equivalente a 100% do CDI ou a valorização das próprias ações, modelo que agentes de mercado consideram inviável para um ativo de renda variável.

Em nota publicada no LinkedIn, a Apex Partners afirmou que a gestão financeira e operacional dos empreendimentos do seu portfólio permanece sob responsabilidade das construtoras e incorporadoras parceiras, e que identificou por conta própria as inconsistências que motivaram o afastamento do então presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli.

A Justiça do Espírito Santo concedeu à Apex Partners uma tutela cautelar antecedente que suspende temporariamente a cobrança das dívidas do grupo, enquanto uma auditoria externa segue em fase final de contratação para dimensionar o tamanho real do problema. Para o pregão desta sexta-feira, o preço-alvo médio dos analistas, entre R$ 2,70 e R$ 2,73, segue distante da cotação atual do papel.

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