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Dark Horse: PF faz buscas contra Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro em investigação sobre emendas

Publicado 10/09/2026 • 07:29 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • A PF e a CGU cumprem 49 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da federação para investigar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares; Mario Frias e Karina Gama estão entre os alvos.
  • O financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, é investigado em dois procedimentos no STF: um sob relatoria de Flávio Dino, sobre possível uso irregular de dinheiro público, e outro com André Mendonça, sobre repasses ligados a Daniel Vorcaro.
  • A investigação também apura transferências milionárias para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, e busca esclarecer se todo o dinheiro foi usado na produção do filme ou teve outras destinações.

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Batizada de “Make Up”, a operação é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Não há mandados de prisão.

O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino. A investigação tramitava inicialmente em São Paulo, mas passou para o Supremo.

Leia também: Mendonça homologa delação de Mineiro, operador de Vorcaro que movimentou US$ 12,3 milhões para fundo ligado a “Dark Horse”

PF apura destino de recursos públicos

Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou indícios de atuação de um grupo formado por agentes públicos e privados para direcionar valores repassados a uma organização da sociedade civil.

Parte desses recursos, de acordo com o portal G1, teria sido encaminhada a empresas contratadas de forma irregular, sem comprovação suficiente da execução dos serviços. A PF afirma ter identificado movimentações financeiras de centenas de milhões de reais entre companhias relacionadas ao esquema investigado.

As autoridades também apuram possíveis medidas adotadas para ocultar a destinação do dinheiro. De acordo com a PF, essas movimentações teriam continuado até julho deste ano.

Os investigados podem responder, conforme o avanço das apurações, por crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.

Filme é investigado em dois procedimentos no STF

O financiamento de “Dark Horse” aparece em duas investigações distintas conduzidas sob supervisão do Supremo.

No processo relatado por Flávio Dino, o foco está na eventual utilização irregular de emendas parlamentares e na transferência de recursos públicos para entidades ou empresas relacionadas à produtora do filme.

Outro inquérito, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, analisa repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o caminho percorrido pelo dinheiro. Nesse procedimento, os investigadores apuram transferências que teriam sido realizadas após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Repasses ao exterior entram na apuração

O Intercept Brasil revelou, em maio, mensagens e um áudio relacionados à obtenção de recursos para financiar a produção. Segundo o veículo, Vorcaro teria destinado ao menos R$ 61 milhões ao projeto em 2025.

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O dinheiro teria sido transferido para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

A Polícia Federal busca determinar se todo o valor enviado ao fundo foi efetivamente aplicado na produção do filme ou se parte dos recursos teve outra destinação.

Delação detalha transferências para fundo nos EUA

Na quarta-feira (09), André Mendonça homologou o acordo de colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos.

Em depoimento firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário declarou ter realizado sete aportes no fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025. As transferências somaram US$ 12,3 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.

Segundo o relato, os pagamentos eram feitos por determinação de Daniel Vorcaro. A previsão inicial seria realizar mais de dez transferências, que poderiam alcançar aproximadamente US$ 24 milhões, mas apenas sete teriam sido concluídas.

Mineiro entregou às autoridades comprovantes das operações e comunicações mantidas com o responsável pelo fundo nos Estados Unidos. Ele afirmou, porém, não saber qual seria a destinação final dos valores depois das transferências.

Investigação também analisa operações nas Bahamas

O empresário relatou ainda ter realizado outros pagamentos internacionais por meio de uma companhia sediada em Nassau, nas Bahamas. De acordo com sua colaboração, Vorcaro enviava faturas que deveriam ser quitadas no exterior.

Uma das linhas de investigação busca verificar se recursos mantidos em jurisdições como as Bahamas também chegaram ao fundo Havengate ou a pessoas relacionadas a ele.

Produtora afirma que contas foram auditadas

Flávio Bolsonaro declarou publicamente que os esclarecimentos sobre os gastos da produção vêm sendo apresentados pela Go Up, empresa responsável pelo filme.

A produtora contratou uma auditoria privada que afirmou, em junho, não ter identificado irregularidades nas contas de “Dark Horse”. Segundo esse levantamento, o filme teve custo de R$ 75 milhões e foi financiado pelo fundo Havengate.

Os documentos que sustentam a análise, como notas fiscais e comprovantes detalhados das despesas, não foram divulgados publicamente.

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