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Decisão sobre reciprocidade contra EUA pode ficar para depois das eleições

Publicado 14/08/2026 • 22:17 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Natália Fingermann afirma que abertura do processo não significa retaliação imediata e prevê análise setor a setor antes de qualquer medida.
  • Professora avalia que o governo pode concluir que não vale a pena adotar contramedidas em determinadas áreas
  • Na avaliação da especialista, decisões mais relevantes tendem a ficar para depois das eleições no Brasil e das midterms nos Estados Unidos

A eventual aplicação de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos tende a ficar para depois das eleições no Brasil e nos Estados Unidos, avaliou Natália Fingermann, professora de Relações Internacionais da ESPM.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (14), Natália afirmou que a abertura do processo pelo governo brasileiro ainda está distante de significar uma retaliação imediata às tarifas impostas por Washington. “Tem um longo caminho para isso”, disse.

Segundo a professora, a comissão responsável pelo processo deverá avaliar os impactos das possíveis medidas setor a setor e ouvir os agentes econômicos envolvidos antes de qualquer decisão.

“O objetivo é realizar essa análise, ouvir todos os stakeholders envolvidos aqui no Brasil para que seja tomada alguma medida ou não”, afirmou.

Ela destacou que o processo pode, inclusive, terminar sem retaliação em determinadas áreas.

“Pode acontecer de o Brasil fazer uma análise, conversar com os envolvidos e chegar à conclusão que naquele setor específico não vale a pena adotar nenhuma medida de retaliação”, disse.

Processo ainda não significa resposta imediata

Natália afirmou que a abertura do procedimento faz parte do mecanismo de reciprocidade aprovado pelo país e cria uma estrutura formal para analisar possíveis respostas comerciais.

Na avaliação dela, isso não significa que o governo brasileiro já tenha decidido aplicar tarifas ou outras contramedidas aos Estados Unidos.

A professora também afirmou que o desenho de uma eventual resposta deve levar em consideração os efeitos sobre a própria economia brasileira.

Perguntada sobre o risco de aumento de custos para empresas e consumidores no Brasil, Natália avaliou que o objetivo de qualquer medida será atingir interesses econômicos americanos sem ampliar os prejuízos domésticos.

“É mais provável que gere impactos na economia norte-americana, porque seria um processo de impacto, mas buscando atingir o mercado norte-americano e não prejudicar a população brasileira”, afirmou.

A avaliação é da especialista e dependerá das medidas que eventualmente forem adotadas.

Tarifas americanas podem afetar emprego no Brasil

Natália ressaltou que os efeitos das tarifas já impostas pelos Estados Unidos podem aparecer de forma mais clara no Brasil ao longo do tempo.

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Segundo ela, algumas empresas conseguiram diversificar seus mercados, enquanto setores mais dependentes das vendas para os Estados Unidos podem enfrentar redução de produção.

“Tem setores que foram muito afetados e que podem fechar as suas produções ou diminuir as suas produções, levando a uma queda no emprego em setores específicos”, disse.

Para a professora, esse cenário torna ainda mais importante uma avaliação detalhada antes da adoção de medidas de reciprocidade.

Reação dos EUA é difícil de prever

A professora afirmou que o endurecimento do discurso brasileiro ocorre em um ambiente internacional de elevada incerteza.

Segundo ela, o comportamento do governo dos Estados Unidos nos últimos meses torna difícil antecipar como Washington reagiria a uma eventual retaliação brasileira.

“É muito inusitado todo o cenário que nós estamos vivendo. Então fica muito difícil a gente prever qual vai ser a reação do outro lado”, afirmou.

Natália também destacou que o calendário eleitoral dos dois países adiciona uma variável política à disputa comercial.

“Tem as midterms nos Estados Unidos, isso também pode influenciar a reação norte-americana”, disse.

Eleições podem adiar decisão

Na avaliação da professora, justamente por ser a primeira vez que esse processo de reciprocidade é colocado em prática, não há um histórico que permita estimar com precisão quanto tempo a análise poderá levar.

Ela acrescentou que integrantes do governo e da própria estrutura política estão envolvidos no período eleitoral, o que tende a reduzir o espaço para decisões mais sensíveis no curto prazo.

“Me parece que qualquer decisão, se for tomada, vai ser pós-eleições, tanto aqui quanto nos Estados Unidos”, afirmou.

Segundo Natália, o calendário político deve funcionar como um dos principais parâmetros para os próximos passos.

“Ninguém quer decidir nada agora enquanto a gente está no meio de uma corrida eleitoral acirrada”, disse.

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