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Economia Brasileira

Cenário eleitoral abre espaço para mudanças na economia, afirma especialista

Publicado 06/10/2026 • 11:15 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Após a confirmação do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato Flávio Bolsonaro, analistas preveem um pregão de forte volatilidade.
  • A vantagem de Flávio no resultado do primeiro turno tende a impulsionar a Bolsa, provocar um movimento de queda no dólar e também nos juros futuros.
  • A reação positiva dos mercados, no entanto, não elimina os desafios fiscais do Brasil, e o elevado gasto com juros continua sendo um dos principais obstáculos ao crescimento da economia, na avaliação do economista Roberto Luis Troster.

Após a confirmação do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), analistas preveem forte volatilidade no mercado nos próximos dias. A vantagem de Flávio no resultado do primeiro turno tende a impulsionar a Bolsa, provocar um movimento de queda no dólar e também nos juros futuros.

A reação positiva dos mercados, no entanto, não elimina os desafios fiscais do Brasil, e o elevado gasto com juros continua sendo um dos principais obstáculos ao crescimento da economia, na avaliação do economista Roberto Luis Troster.

Segundo Troster, a vantagem do candidato de oposição no primeiro turno e a composição mais à direita do Congresso podem abrir espaço para mudanças na política econômica. Para ele, a questão fiscal deve ser o principal foco do próximo governo.

O economista avalia que o Brasil tem condições de avançar no ajuste das contas públicas, especialmente diante de um cenário externo mais favorável, com superávit comercial robusto. Ele pondera, porém, que ainda faltam cerca de 18 dias para a eleição e que o cenário pode mudar até o segundo turno.

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A reação dos ativos financeiros também pode continuar. Troster afirma que a Bolsa, que atingiu 206 mil pontos, ainda teria espaço para subir, enquanto a queda dos juros de longo prazo observada recentemente indica uma redução do prêmio de risco fiscal.

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Para ele, porém, a melhora dos mercados não é suficiente. O país precisaria avançar na composição da dívida pública e enfrentar o alto custo do endividamento das famílias e das empresas. “Você está gastando mais de R$ 1 trilhão em juros. Você soma educação, saúde e Justiça e multiplica por dois, é menos do que a gente gasta em juros”, afirmou.

Custo dos juros limita crescimento

Troster diferencia o déficit primário do resultado fiscal total. Na avaliação do economista, embora o déficit primário esteja na casa de 2% do PIB, o déficit total chega a cerca de 10% do PIB quando considerados os juros da dívida.

Ele defende mudanças na composição da dívida pública, que possui uma parcela relevante de títulos pós-fixados. Com a alta dos juros, esses papéis aumentam a renda dos seus detentores, ampliando o custo financeiro para o governo.

Na dívida privada, o economista também vê um problema de sustentabilidade. Ele cita os juros elevados e o aumento da inadimplência de pessoas físicas e jurídicas como entraves à atividade econômica. Na avaliação de Troster, o risco de uma crise de curto prazo é atualmente baixo. O problema mais concreto, segundo ele, é o crescimento insuficiente.

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