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Déficit bilionário das estatais ameaça contas públicas e preocupa mercado, afirma economista da UnB

Publicado 22/06/2026 • 13:37 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Alerta do TCU reforça preocupações sobre a situação financeira de estatais federais.
  • Prejuízos recorrentes podem exigir uso de recursos públicos e ampliar pressão sobre o arcabouço fiscal.
  • Especialista defende revisão estratégica, reestruturação e até fechamento de empresas sem função econômica definida.

Os prejuízos acumulados por estatais federais já pressionam as contas públicas e exigem maior fiscalização e controle por parte do governo, afirmou o economista e professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo. Segundo ele, o avanço dos déficits em empresas dependentes da União pode comprometer metas fiscais e reduzir recursos disponíveis para outras áreas do orçamento.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta segunda-feira (22), Bergo destacou que os resultados das estatais vêm gerando preocupação, especialmente diante do déficit acumulado nos primeiros meses do ano.

“Aguardava-se um déficit menor e as estatais já apresentam um déficit de R$ 7,5 bilhões, sobretudo capitaneadas pelos Correios, uma empresa que está demonstrando muita deficiência na gestão”, afirmou.

Leia também: Estatais federais terão rombo de R$ 7,5 bi em 2027 e déficit até 2030, projeta governo

Segundo o economista, o governo tende a recorrer a recursos provenientes de empresas lucrativas para cobrir parte dos prejuízos das companhias deficitárias. “Temos estatais lucrativas que geram dividendos. Provavelmente o governo vai utilizar parte desses recursos que poderiam ser destinados a outras áreas. De qualquer forma, o volume de déficits compromete as contas públicas”, ressaltou.

Joio e trigo

Para Bergo, é necessário diferenciar empresas que desempenham funções estratégicas para o país daquelas que perderam relevância econômica ou operam de forma ineficiente.

O professor citou casos como Embrapa e Conab, que considera importantes para o agronegócio e para a regulação da oferta de alimentos, além dos próprios Correios, que mantêm operações em regiões onde a iniciativa privada não tem interesse em atuar.

Por outro lado, ele avalia que algumas estatais precisam passar por uma revisão profunda de estrutura e finalidade.

“Tem empresas dependentes exclusivamente do Estado porque prestam serviços ao próprio governo, mas que carregam estruturas pesadas e caras. Tudo isso precisa ser revisto”, afirmou.

Leia também: Lucro em estatais: Esther Dweck detalha balanço das empresas e os desafios dos Correios

Na avaliação do economista, os alertas emitidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) evidenciam a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso das empresas federais.

“O papel do TCU é justamente alertar sobre o cumprimento orçamentário. O mercado vê essa situação com preocupação e também não percebe uma gestão eficaz por parte do governo no acompanhamento dessas empresas”, observou.

Uso político

Bergo também chamou atenção para o risco de utilização política das estatais e para o impacto de despesas com pessoal sobre os resultados das companhias.

“As questões salariais nas empresas estatais estão um pouco soltas. Cada empresa pratica seus próprios salários, isso compromete os orçamentos e o resultado é o que estamos vendo”, afirmou.

Segundo ele, a deterioração financeira dessas companhias acaba disputando espaço com investimentos públicos em áreas prioritárias. “Muitas vezes faltam recursos para segurança, educação e saúde, enquanto algumas empresas estatais permanecem ineficientes. Isso é o que deve ser combatido”, destacou.

Leia também: Estatais têm déficit primário de R$ 5,1 bilhões em 2025

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O economista também mencionou o caso da Casa da Moeda, argumentando que mudanças tecnológicas vêm reduzindo a relevância estratégica de algumas operações. “Com o avanço do Pix e dos meios digitais de pagamento, é preciso avaliar qual é o papel estratégico dessas empresas daqui para frente”, disse.

Reestruturação e privatização

Ao comentar possíveis soluções, Bergo defendeu uma combinação de reestruturação, revisão de modelos de negócio e privatizações seletivas.

Segundo ele, alguns processos realizados no passado deixaram empresas estatais com os ativos menos rentáveis, agravando seus resultados financeiros.

“É preciso fazer uma privatização inteligente. Em alguns casos, os ativos lucrativos foram transferidos para a iniciativa privada e as estatais ficaram com as operações deficitárias, o que tende a piorar os resultados”, avaliou.

O professor também afirmou que algumas companhias exigem uma análise sobre sua viabilidade econômica e estratégica. “Existem empresas que, mesmo recebendo ajuda financeira, não conseguem se recuperar. É preciso avaliar caso a caso, verificar se devem continuar, ser reestruturadas ou até encerradas”, afirmou.

Para Bergo, a ausência de uma revisão mais ampla tende a ampliar os custos para os cofres públicos. “Muitas empresas deixaram de seguir o plano de negócio original e continuam acumulando prejuízos. Sem uma gestão eficiente, os déficits tendem a crescer e quem paga essa conta é o contribuinte”, concluiu.

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