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Deputados do PT pedem investigação de Nunes Marques por possíveis vínculos com Master

Publicado 12/10/2026 • 18:47 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Parlamentares acionaram o STF para apurar possíveis relações do ministro Nunes Marques e de pessoas próximas com o grupo econômico do Banco Master.
  • Representação reúne mensagens apreendidas pela Polícia Federal, movimentações financeiras e episódios envolvendo viagens e contratos de serviços jurídicos.
  • Ministro nega ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou autorizado terceiros a agir em seu nome; deputados também pedem envio do caso à PGR.

Foto: Divulgação STF

Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação sobre possíveis vínculos do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o grupo econômico do Banco Master, controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A representação aponta suspeitas relacionadas a pagamentos, contratos e benefícios que teriam alcançado pessoas próximas ao magistrado.

O pedido reúne mensagens extraídas pela Polícia Federal de celulares de Vorcaro, documentos judiciais e informações divulgadas pela imprensa. Os parlamentares organizaram os questionamentos em sete conjuntos de fatos e querem esclarecer se houve vantagens associadas à atuação do ministro em processos de interesse econômico do banco. As informações são da coluna Mônica Bérgamo, da Folha de S. Paulo.

Entre os episódios mencionados estão referências a supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ligados a Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro, além de uma hospedagem no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025 e uma viagem em avião particular de Brasília a Maceió. Os registros citados não comprovam que todos os pagamentos ou benefícios tenham ocorrido conforme as suspeitas apresentadas.

Leia também: Mensagens de Vorcaro citam filho de Nunes Marques e R$ 500 mil

Contratos e julgamento entram na representação

Um dos pontos envolve um julgamento de outubro de 2024, relacionado à destilaria Alcídia. Nunes Marques votou a favor de uma empresa credora em decisão favorável a interesses econômicos do Master. Após o resultado, o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, enviou a Vorcaro a mensagem: “Ganhamos Alcídia”. A defesa do ministro sustenta que não havia impedimento para sua participação.

Os deputados também citam mensagens que associariam o filho do magistrado a pagamentos mensais de R$ 500 mil, sem comprovação de que esses valores tenham sido efetivamente transferidos. O escritório de Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult, que, por sua vez, recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Kevin afirma que prestou serviços tributários à Consult e nega ter trabalhado para o banco.

Outro questionamento envolve um contrato de honorários de até R$ 427 milhões entre o Master e o escritório de Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador federal Newton Ramos. O acordo estava relacionado a ações que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios. Mensagens de assessores de Vorcaro se referiam ao casal como “Turma do KN”. O escritório afirma que não recebeu os honorários previstos.

Leia também: “Turma do KN”: contrato de R$ 427 milhões liga escritório a precatórios de Vorcaro

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Viagens e decisões eleitorais também são citadas

A representação menciona o aluguel de uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, durante o Carnaval de 2025. Mensagens indicariam que o imóvel ficaria à disposição de um ministro identificado como “KN”, mas não demonstram quem custeou a locação. O documento ainda cita uma viagem de Brasília a Maceió, confirmada pelo gabinete de Nunes Marques, cujas despesas teriam sido pagas por Camilla Ramos.

O pedido chega ao STF em meio a críticas de integrantes do PT à atuação de Nunes Marques na Justiça Eleitoral. Parlamentares avaliam questionar sua imparcialidade em processos ligados à eleição presidencial após a decisão de suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Avante-MG). A medida foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.

Os autores da representação também questionam a ausência de decisão sobre uma liminar em ação que pede a instalação de uma CPI do Banco Master no Senado, distribuída ao ministro em março. Os deputados solicitam que o caso seja submetido ao plenário do STF ou distribuído por sorteio a um magistrado sem impedimento ou suspeição, além do encaminhamento à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Leia também: CPI do Master: senadores pedem saída de Nunes Marques de ação

Ministro nega irregularidades

Nunes Marques nega ter recebido recursos de Daniel Vorcaro, trocado mensagens com o ex-banqueiro ou autorizado terceiros a falar em seu nome. Também afirma que o filho não prestou serviços ao Banco Master. O magistrado não se manifestou sobre a nova representação quando procurado, mas disse a interlocutores que não favorece candidaturas e considera as críticas uma tentativa de intimidação.

A defesa de Kevin Marques sustenta que os pagamentos da Consult correspondem a serviços efetivamente prestados à empresa. Já o escritório de Camilla Ramos reconhece a existência de contrato com o Master, mas afirma que não recebeu honorários fixos nem valores condicionados ao resultado das ações.

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