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Desconfiança na Corte bate recorde: Caso Master amplia crise no STF, aponta Datafolha

Publicado 19/09/2026 • 08:44 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Desconfiança no Supremo subiu de 43% para 48% e atingiu o maior nível da série histórica
  • Caso Master colocou ministros no centro de novos questionamentos e segue sem respostas conclusivas
  • Crise institucional aumenta a incerteza política e entra no radar do mercado durante a corrida eleitoral

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O caso Master, tratado como o maior escândalo financeiro da história do país, segue sem respostas conclusivas e agora cobra um preço também do Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio às suspeitas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes da Corte, a desconfiança dos brasileiros no tribunal chegou a 48%, o maior patamar registrado desde o início da série histórica, em 2012.

O dado é de uma pesquisa Datafolha encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo. Em março, 43% dos entrevistados diziam não confiar no Supremo. Em seis meses, portanto, o índice avançou cinco pontos percentuais.

O levantamento foi realizado justamente durante uma das semanas mais tensas da história recente da Corte. O plenário do STF analisou os desdobramentos das conversas apontadas como suspeitas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, além dos pedidos relacionados ao relatório da Polícia Federal sobre o caso.

A sessão foi marcada por embates entre ministros e expôs publicamente as divisões internas do tribunal. As discussões envolveram a possibilidade de investigar Moraes, o destino do relatório da Polícia Federal e a condução dos diferentes processos ligados ao ex-controlador do Banco Master.

STF supera Congresso e partidos em desconfiança

Pela primeira vez, a desconfiança no Supremo ficou numericamente acima da registrada em instituições tradicionalmente mais desacreditadas pelos brasileiros.

Segundo o Datafolha, 45% dos entrevistados afirmam não confiar no Congresso Nacional. O mesmo percentual foi registrado para os partidos políticos. A desconfiança na Presidência da República aparece em 42%.

Enquanto o descrédito nessas instituições ficou estável ou caiu desde março, a avaliação negativa do Supremo seguiu na direção contrária. A desconfiança nos partidos, por exemplo, recuou de 52% para 45%. Na imprensa, passou de 36% para 33%. Entre as grandes empresas brasileiras, caiu de 26% para 23%.

Além dos 48% que não confiam no STF, 35% dizem confiar um pouco na Corte e 14% afirmam confiar muito. No levantamento anterior, esses dois índices eram de 38% e 16%, respectivamente.

Caso Master deixa perguntas em aberto

A pesquisa transforma em dado concreto o desgaste institucional provocado por uma crise que já ultrapassou os limites do sistema financeiro.

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As investigações sobre o Banco Master levantaram suspeitas sobre a circulação de Vorcaro entre autoridades e integrantes dos Poderes da República. As revelações colocaram sob pressão a atuação de ministros, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, enquanto permanecem sem uma conclusão pública as principais perguntas sobre a extensão das relações mantidas pelo ex-banqueiro.

No Supremo, o caso também abriu uma disputa sobre os limites da atuação da própria Corte diante de suspeitas que atingem seus integrantes. O resultado é uma crise de confiança que cresce enquanto o país ainda tenta compreender o tamanho do prejuízo financeiro e a rede de influência construída por Vorcaro.

Crise institucional entra no radar do mercado

Para o mercado, a crise no STF acrescenta uma camada de incerteza a um ambiente já pressionado pelas disputas eleitorais e pelas dúvidas sobre a condução da economia.

Investidores acompanham crises institucionais porque conflitos prolongados entre os Poderes podem afetar a previsibilidade das decisões, a segurança jurídica e a confiança necessária para investimentos de longo prazo. No caso Master, o impacto é ainda mais sensível porque a origem da crise está justamente no sistema financeiro e envolve questionamentos sobre fiscalização, responsabilização e relações entre agentes privados e autoridades públicas.

O avanço da desconfiança não representa, por si só, um efeito imediato sobre os preços dos ativos. Mas funciona como um indicador do risco institucional percebido no país. Quanto mais tempo o caso permanecer sem respostas claras, maior tende a ser a atenção do mercado sobre a capacidade das instituições de apurar responsabilidades e encerrar a crise.

Desconfiança também ganha peso eleitoral

A avaliação do Supremo varia de forma significativa conforme o perfil político dos entrevistados. Entre os eleitores que declaram voto em Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, 69% dizem não confiar na Corte. Entre os que pretendem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esse índice cai para 22%.

A desconfiança também chega a 75% entre os entrevistados que consideram o governo Lula ruim ou péssimo. O índice é maior entre os homens, com 54%, ante 43% entre as mulheres, e alcança 60% entre quem tem renda familiar superior a cinco salários mínimos.

Flávio Bolsonaro vem explorando a crise no tribunal durante a campanha, defendendo o impeachment de ministros e vinculando Lula a Alexandre de Moraes. O Partido Liberal também busca ampliar sua bancada no Senado, Casa responsável por analisar eventuais processos de impeachment contra integrantes do Supremo.

O Datafolha ouviu 2.001 pessoas em 125 municípios entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026. Os dados foram publicados originalmente pela Folha de S.Paulo.

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