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Disputa por capital entre Tesouro dos EUA e empresas de IA pressiona juros longos, avalia gestor
Publicado 07/09/2026 • 15:34 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 07/09/2026 • 15:34 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A alta dos juros de longo prazo nos Estados Unidos é explicada mais pela disputa por recursos entre o Tesouro americano e empresas de inteligência artificial do que pelo temor de insolvência fiscal do país, na avaliação de Marcelo Cabral, gestor e fundador da Straton Capital.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Cabral afirmou que o mercado acompanha os dois fatores. De um lado, a dívida americana já supera US$ 40 trilhões e o déficit anual está entre US$ 1,8 trilhão e US$ 2 trilhões, segundo ele. De outro, o governo e empresas de tecnologia vêm recorrendo ao mercado de dívida ao mesmo tempo.
“Existe um desbalanço entre oferta e demanda no mercado de renda fixa americano nesse momento”, afirmou.
Leia também: Juros dos Treasuries enfrentam o teste dos 4,8% enquanto riscos fiscais ameaçam atingir outros ativos
Cabral explicou que empresas ligadas à inteligência artificial estão emitindo títulos para financiar investimentos, enquanto o Tesouro dos Estados Unidos também amplia a oferta de Treasuries, os títulos públicos americanos.
Na avaliação dele, essa combinação aumenta a competição pelo dinheiro dos investidores e pressiona as taxas exigidas para financiar dívidas de longo prazo.
“Essa competição por recursos de longo prazo acaba sendo mais relevante do que uma preocupação com a solvência fiscal dos Estados Unidos”, afirmou.
O gestor não descarta, porém, o peso da situação fiscal americana. Para ele, o tamanho da dívida e do déficit também preocupa o mercado.
Um dos argumentos usados por Cabral para dar maior peso à questão de oferta e demanda é o comportamento das expectativas de inflação. Segundo ele, a inflação implícita na curva de juros está entre 2,4% e 2,5% ao ano para os próximos cinco a dez anos.
A alta dos juros de longo prazo também pode pressionar as bolsas, segundo Cabral.
Ele explicou que taxas maiores alteram os cálculos usados para estimar o valor das empresas e tornam os ativos de risco relativamente menos atraentes.
“Quando sobem as taxas, o valor das ações tende a cair”, afirmou.
Cabral disse que uma correção mais forte ainda não ocorreu, mas considera o movimento um fator de risco que precisa ser acompanhado pelo mercado.
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Siga o Times | CNBCO aumento das taxas americanas também afeta os mercados emergentes, na avaliação do gestor.
Com os títulos dos Estados Unidos oferecendo retornos maiores, outros países precisam disputar capital em condições menos favoráveis.
“Os países emergentes precisam agora competir por capital dentro de um cenário de taxas mais altas. Então, eles vão ter que pagar mais caro pelo capital de longo prazo”, afirmou.
Segundo Cabral, o efeito tende a aparecer primeiro nos chamados mercados de fronteira, economias menores e com mercados financeiros menos desenvolvidos.
Cabral avalia que o Brasil está em uma posição relativamente mais protegida porque grande parte do financiamento do governo ocorre no mercado doméstico e em moeda local.
Segundo ele, ainda não houve movimento significativo nas taxas dos títulos brasileiros negociados em dólar.
A situação pode mudar, porém, se a alta dos juros americanos persistir.
“Se esse movimento de aumento de taxas persistir, isso não é boa notícia para o Brasil”, disse.
Na avaliação do gestor, economias mais dependentes de financiamento externo tendem a sentir primeiro o aumento do custo do capital.
Cabral também vê uma mudança mais duradoura no ambiente financeiro global.
Depois de mais de uma década de juros muito baixos após a crise financeira de 2008, ele avalia que o custo do capital tende a permanecer mais elevado.
“Eu acredito que essa era de taxas ultrabaixas, custo de capital muito barato, está acabando”, afirmou.
Entre os fatores citados está o volume de recursos necessário para financiar investimentos em inteligência artificial.
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