CNBC

CNBCBinance retoma saques após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Notícias do Brasil

Dólar sobe 9% após reeleição de Lula e amplia riscos para inflação dos alimentos com chegada do El Niño

Publicado 01/11/2026 • 10:57 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • Dólar acumulou alta de 9,04% na última semana de outubro, elevando os custos de insumos agrícolas importados.
  • El Niño pode provocar excesso de chuva no Sul e estiagem em partes do Norte e Nordeste, com riscos para lavouras de soja, trigo, milho, feijão e café.
  • Alimentos subiram 0,88% em outubro, enquanto a combinação de pressão cambial e riscos climáticos pode dificultar a desaceleração da inflação nos próximos meses.

A alta de 9,04% do dólar na última semana de outubro e a previsão de um El Niño muito forte nos próximos meses ampliam os riscos para a produção de alimentos e a inflação brasileira. O cenário combina a possibilidade de perdas agrícolas provocadas pelo excesso ou pela falta de chuva com o encarecimento de insumos e produtos negociados em moeda americana.

O alerta ocorre em um momento em que os alimentos já pressionam o custo de vida. Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) tenha desacelerado de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro, os preços de alimentação e bebidas subiram 0,88%, enquanto a alimentação no domicílio avançou 1,01%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia também: Plano de medidas preventivas contra o El Niño soma R$ 1,375 bilhão em recursos no Brasil

O novo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), divulgado na quinta-feira (29), aponta elevada probabilidade de intensificação do El Niño entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O documento identifica possíveis impactos sobre culturas agrícolas importantes para o abastecimento brasileiro.

Quais alimentos podem ser afetados pelo El Niño?

O boletim prevê chuvas acima da média na Região Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Já grande parte do Norte e áreas do Nordeste e do Centro-Oeste deverão enfrentar precipitações abaixo do normal. As temperaturas também devem ficar acima da média em quase todo o país.

No Sul, o excesso de chuva poderá dificultar a colheita do trigo, reduzir a qualidade dos grãos e atrasar o plantio da soja. No Rio Grande do Sul, a umidade elevada também pode prejudicar a semeadura, enquanto no Paraná e em Santa Catarina há risco de doenças nas lavouras.

No Nordeste, a combinação de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média poderá comprometer o plantio de milho e feijão, especialmente em áreas do Matopiba, região agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A menor disponibilidade de água também pode prejudicar as pastagens e aumentar a necessidade de irrigação no semiárido.

No Sudeste, os efeitos podem ser diferentes. As chuvas previstas para São Paulo e partes de Minas Gerais poderão favorecer lavouras de soja, milho, café arábica e cana-de-açúcar. O excesso de umidade, porém, também aumenta o risco de doenças nas plantas e de perdas de qualidade.

Já no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, a previsão de menor disponibilidade de água poderá afetar a produção de café conilon, com risco de queda de frutos e redução do tamanho dos grãos.

Esses impactos ainda são projeções. Eventuais efeitos sobre os preços dependerão da intensidade das condições climáticas, das perdas efetivas de produção, dos estoques e da oferta disponível no mercado.

Dólar mais caro pressiona custos agrícolas

Além dos riscos climáticos, os produtores brasileiros enfrentam a possibilidade de aumento dos custos relacionados à moeda americana.

O dólar encerrou a sexta-feira (30) cotado a R$ 5,4443, acumulando valorização de 9,04% na semana. A alta ocorreu após o segundo turno das eleições presidenciais, em meio à volatilidade dos mercados e às incertezas sobre a condução da política econômica no próximo governo.

Parte dos custos da produção agrícola brasileira está ligada ao mercado internacional. Fertilizantes, defensivos e outros insumos importados podem ficar mais caros em reais quando o dólar sobe.

O câmbio também influencia os preços de produtos como trigo e petróleo, negociados internacionalmente. No caso do petróleo, as variações podem afetar os custos dos combustíveis utilizados no transporte e na produção agrícola.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

A combinação entre insumos mais caros e possíveis dificuldades na produção pode aumentar a pressão sobre os preços dos alimentos.

O repasse ao consumidor, porém, não é automático nem integral. Sua intensidade depende da duração da valorização cambial, dos estoques disponíveis, das condições de concorrência e da capacidade das empresas de absorver parte dos custos.

Inflação dos alimentos já acelerou em outubro

Os dados do IPCA de 15 de outubro mostram que a desaceleração da inflação geral não foi acompanhada pela desaceleração dos preços dos alimentos.

O grupo de alimentação e bebidas subiu 0,88%, enquanto os alimentos consumidos em casa avançaram 1,01%. Entre os alimentos in natura, a alta chegou a 3,73%.

O resultado contrasta com o IPCA-15 geral, que ficou em 0,32%, beneficiado pela queda dos preços de itens como passagens aéreas e energia elétrica.

Em 12 meses, a inflação medida pelo indicador alcançou 4,62%, acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida para o Banco Central.

Os números de outubro, porém, ainda não refletem a forte valorização do dólar registrada após as eleições. A coleta de preços ocorreu entre 16 de setembro e 14 de outubro, antes da alta cambial da última semana do mês.

Também não é possível atribuir diretamente ao El Niño a inflação dos alimentos observada em outubro. O boletim do INMET aponta riscos para a produção agrícola nos próximos meses, mas não apresenta estimativas de aumento dos preços.

O que pode acontecer com a inflação e os juros?

O último Boletim Focus do Banco Central, divulgado em 26 de outubro, mostrava que o mercado financeiro esperava inflação de 5,19% em 2026 e 4,34% em 2027.

As estimativas foram coletadas até 23 de outubro, antes do segundo turno das eleições e da valorização de aproximadamente 9% do dólar.

Naquele levantamento, os economistas projetavam o dólar a R$ 5,05 no fim de 2026, abaixo da cotação registrada no encerramento de outubro.

A diferença mostra a mudança no cenário cambial depois da coleta das expectativas, mas não significa necessariamente que a moeda americana permanecerá no patamar atual até dezembro.

Se a valorização do dólar persistir e as condições climáticas prejudicarem a oferta de alimentos, essas pressões poderão dificultar a desaceleração da inflação e influenciar as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.

O impacto ainda é incerto e dependerá da evolução do câmbio, do clima e dos preços efetivamente registrados nos próximos meses.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil