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El Niño aumenta a pressão inflacionária em alimentos nos países emergentes, mostra Citi
Publicado 16/09/2026 • 13:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 16/09/2026 • 13:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Imagem gerada por IA
O fenômeno climático El Niño entrou em sua fase mais intensa e já pressiona os preços de alimentos em boa parte dos mercados emergentes, segundo relatório do Citi Research divulgado nesta quarta-feira (16).
O banco americano afirma que o mundo está em um episódio de “Super El Niño”, com probabilidade de 93% de o fenômeno se estender até o trimestre de novembro a janeiro de 2027, conforme avaliação da agência americana NOAA citada no documento.
De acordo com o Citi, o Índice Oceânico Niño, principal termômetro do fenômeno, chegou a 2,3°C em setembro, acima do patamar de 2°C que caracteriza um Super El Niño e próximo dos picos registrados em episódios anteriores. As temperaturas na superfície do oceano Pacífico também atingiram entre 3°C e 3,5°C acima da média histórica, nível considerado extremo pelos analistas do banco.
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O Citi Research destaca que o principal canal de transmissão do El Niño para a economia dos emergentes é a inflação de alimentos. O índice de preços da FAO, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, subiu 2,5% em agosto ante o mesmo mês do ano anterior, puxado por alta de 11,3% no açúcar e por aumentos consistentes nos preços internacionais de cereais, informa o relatório.
Ainda segundo o banco, o fluxo de exportação de grãos pelo Mar Negro segue afetado por incertezas, o que amplia a pressão sobre o trigo. Já os preços de fertilizantes, ao contrário dos grãos, recuaram e permanecem bem abaixo dos picos observados em 2022, muito por causa da queda no custo dos fertilizantes à base de ureia, beneficiados pelo aumento das exportações chinesas.
O relatório do Citi mapeia a inflação de alimentos por bloco regional dentro dos mercados emergentes. Segundo o banco, a Índia se destaca com alta de alimentos e bebidas na máxima em 20 meses, quadro que, somado a outros fatores inflacionários, já levou o Citi a antecipar para outubro sua projeção de novo corte de juros pelo banco central indiano.
Na região do Oriente Médio e Norte da África, o Citi observa aceleração puxada por Egito e Nigéria, enquanto o CEEMEA (Europa Central, Oriente Médio e África) ainda mostra inflação de alimentos historicamente baixa. Na América Latina, o banco cita o Brasil como caso de vieses desinflacionários, com corte de juros de 75 pontos-base em setembro, para 13,75%, e classifica o México como o país da região com menor exposição ao El Niño. Já no Sudeste Asiático, Indonésia e Tailândia lideram a alta de preços, segundo o levantamento.
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Siga o Times | CNBCO documento dedica atenção especial à Índia, onde o déficit de chuvas em relação à média histórica chegou a 15% em meados de setembro, após 21% em julho, com os maiores desvios nas regiões Sul e Nordeste do país. Os níveis de reservatórios também seguem abaixo da média sazonal, quadro que o Citi considera mais grave na atual safra em comparação com os cinco anos anteriores.
Em contraste, o Citi nota que a Colômbia, monitorada pelo mesmo tipo de indicador, ainda mantém níveis de reservatório levemente acima da média sazonal, embora o risco de déficit hídrico deva se intensificar no início do próximo ano.
Fora do capítulo agrícola, o relatório do Citi acompanha o impacto do El Niño sobre a logística global. A Autoridade do Canal do Panamá já reduziu o número de travessias diárias de 36 para 32 a partir de setembro, e o Citi cita declarações do novo administrador do canal sobre a possibilidade de novos cortes, para cerca de 29 travessias por dia, entre fevereiro e março de 2027.
O nível do Lago Gatun, que abastece o canal, segue em trajetória de queda e abaixo da média sazonal, segundo o banco, embora ainda distante do fundo do poço registrado durante a seca de 2023 e 2024.
O relatório também chama atenção para o Peru, onde o governo decretou emergência de 120 dias nos setores de pesca e aquicultura em 24 de agosto, medida que, segundo o Citi, sinaliza que o El Niño deixou de ser tratado como um choque climático passageiro para se tornar uma ameaça estrutural. O banco associa a decisão ao aquecimento das águas costeiras, que afeta a distribuição da anchoveta, principal insumo da indústria peruana de farinha e óleo de peixe.
Ainda de acordo com o Citi, a proibição da pesca da anchoveta, em vigor desde 11 de junho, deve se estender por uma segunda temporada, entre novembro e janeiro, período que coincide com o pico esperado de intensidade do El Niño.
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