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Economia Brasileira

Alta do petróleo amplia risco para inflação e desafia queda dos juros no Brasil

Publicado 09/07/2026 • 20:30 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • A escalada do petróleo provocada pelas novas tensões no Estreito de Ormuz aumenta os desafios para o controle da inflação e dificulta o ambiente para cortes na Selic, segundo avaliação do economista.
  • A dependência brasileira de combustíveis fósseis mantém o País mais vulnerável às oscilações internacionais de preços.
  • Empresas já incorporam a volatilidade do petróleo aos custos, pressionando fretes, logística, alimentos e as expectativas para a inflação.

A nova alta do petróleo, impulsionada pela retomada das tensões no Estreito de Ormuz, tende a ampliar as pressões inflacionárias e dificultar o cenário para redução da Selic, afirma o economista e professor da FAC-SP, Rodrigo Simões. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quinta-feira (09), ele disse que, embora a reação dos preços ainda esteja abaixo dos picos registrados durante a guerra no Oriente Médio, o movimento exige atenção por seus efeitos sobre a economia brasileira.

“Num momento em que o objetivo é reduzir a taxa de juros, receber um choque de oferta no petróleo acaba desestabilizando o cenário e complicando a situação do Copom. Esse movimento ainda é momentâneo e será preciso acompanhar como os próximos dias vão evoluir para entender se essa pressão permanecerá”, afirmou.

Segundo o economista, o barril voltou a subir após os ataques registrados na região, mas permanece distante dos níveis superiores a US$ 120 (R$ 616,80) observados durante o auge do conflito. Ainda assim, o Brasil continua sensível às oscilações por depender fortemente de combustíveis fósseis.

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Transição energética

Na avaliação de Rodrigo Simões, países desenvolvidos aceleram investimentos em eletrificação para reduzir a exposição às oscilações do petróleo, enquanto o Brasil e boa parte da América Latina seguem dependentes de diesel, gasolina e fertilizantes.

“Os países desenvolvidos estão contratando um seguro estrutural ao eletrificar suas economias. Já o Brasil ainda depende fortemente do petróleo e acaba sendo muito sensível a qualquer oscilação de preços”, destacou.

Para o professor, medidas de subsídio ajudam apenas a amenizar os impactos imediatos da inflação, mas não resolvem a origem do problema e podem gerar custos fiscais no futuro.

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“O subsídio trata parte do sintoma, mas não resolve a raiz do problema. Essa conta acaba aparecendo depois na forma de pressão fiscal. O Brasil precisa atuar de maneira mais firme na transição energética”, acrescentou.

Mudança global

Rodrigo Simões observa que a eletrificação das economias ganhou velocidade após a pandemia, a guerra na Ucrânia e os sucessivos episódios de instabilidade envolvendo o Estreito de Ormuz.

Segundo ele, projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que o consumo mundial de petróleo deverá atingir seu pico por volta de 2030, iniciando posteriormente uma trajetória de desaceleração.

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Na Europa, cerca de 19% dos veículos de passeio já são elétricos. No Brasil, esse percentual ficou entre 7% e 8% das vendas em 2023, enquanto, nos Estados Unidos, o crescimento desse mercado permanece mais lento.

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“Os países da Europa e da Ásia já estão se preparando para depender cada vez menos do petróleo. A América Latina ainda depende de mais de dois terços do transporte movido a diesel e gasolina”, explicou.

O economista pondera, porém, que uma menor demanda mundial não significa necessariamente petróleo mais barato.

“Quanto mais o mundo eletrificar sua economia, isso não quer dizer que o preço do petróleo cairá automaticamente. Existe um custo elevado para essa transição e quem continuar dependente do petróleo poderá pagar preços iguais ou até maiores no futuro”, afirmou.

Custos já sobem

Na economia brasileira, os efeitos da volatilidade já começam a ser absorvidos pelas empresas, segundo Rodrigo Simões. Ele afirma que contratos de importação, exportação, transporte marítimo, fretes e logística já incorporam a expectativa de preços mais elevados.

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“As empresas já estão reprecificando essas oscilações para não depender do humor entre Estados Unidos e Irã. Esse aumento de custos já aparece na economia real e ajuda a explicar por que a inflação continua tão resistente”, disse.

O professor acrescenta que esse movimento também aparece nos indicadores de inflação e nas expectativas do mercado.

“O custo dos alimentos cresce praticamente no dobro da velocidade do IPCA em alguns levantamentos que acompanhamos. Isso ajuda a explicar por que as expectativas para os juros seguem elevadas e por que o mercado continua bastante atento aos desdobramentos do conflito”, concluiu.

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