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Como novas sanções ao petróleo do Irã podem afetar o preço da gasolina no Brasil?
Publicado 08/07/2026 • 19:40 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 08/07/2026 • 19:40 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: Magnific
Os preços do petróleo ampliaram as quedas nesta quarta-feira (26), em meio à redução das preocupações com um conflito militar no Golfo.
O petróleo é uma das commodities mais sensíveis a conflitos internacionais, e a continuidade da guerra no Oriente Médio volta a colocar esse mercado em alerta. Qualquer mudança na relação entre Estados Unidos e Irã tende a mexer com a cotação do barril, já que é na região onde está o Estreito de Ormuz, principal rota de envio do material.
Esse tipo de instabilidade não fica restrito ao cenário internacional. O Brasil, apesar da distância geográfica, sente o efeito dessas tensões diretamente no preço dos combustíveis, já que o valor do petróleo influencia a formação de preços da gasolina no país.
Leia também: Trump declara fim do cessar-fogo com o Irã, ataca líderes de Teerã e preço do petróleo dispara
Segundo Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, a relação instável entre Estados Unidos e Irã já vinha pressionando o mercado antes mesmo das novas restrições.
De acordo com ele, “A instabilidade da relação entre EUA e Irã, e o cessar-fogo cada dia mais frágil, pressionam a cotação do petróleo no mercado internacional. A liberação de venda de petróleo iraniano, anunciada na esteira das conversas bilaterais, ajudou a derrubar a pressão no Brent e no WTI, mas tudo mudou agora.”
Ainda segundo ele, “os novos ataques de ambos os lados e a nova restrição à venda de petróleo do Irã já puxam uma alta diária de mais de 5% nas commodities, o que certamente deve voltar a pressionar os preços e a inflação no Brasil.”
Apesar de não se tratar de um assunto isolado, para o especialista, o principal fator que vai definir o tamanho do impacto no Brasil é o tempo.
“A questão principal agora é o tempo, pois a Petrobras consegue segurar os preços no curto prazo para que não haja repasse e nem o governo precise voltar a intervir com mecanismos tributários ou financeiros”, disse Felipe.
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Siga o Times | CNBCEntretanto, ele ainda alerta sobre um possível aumento no preço do barril. “Se o Brent voltar para cima dos 80 dólares e, neste patamar, montar um suporte duradouro, haverá pressão por novos reajustes e pode ficar complicado segurar o preço dos combustíveis no Brasil, para desespero do governo Lula, que já tem um IPCA nas nuvens.”
Ainda assim, Felipe aponta saídas que o governo brasileiro pode adotar para evitar que o impacto seja maior. “Para amenizar, o governo pode retomar os subsídios de prazo fixo, cortar impostos pontuais ou mesmo aumentar ainda mais a mistura de etanol na gasolina, que é o modo brasileiro de mitigar altas de preço, vender uma coisa e entregar outra.”
Leia também: Por que os EUA voltaram a impor restrições ao petróleo do Irã? Entenda a decisão
Felipe explica que a restrição por si só não é o fator que mais pesa no preço do petróleo. O que realmente importa, segundo ele, é a capacidade de produção dos países envolvidos.
“A restrição em si não é o componente direto que impacta o preço do petróleo, mas ajuda a piorar o cenário das commodities. O mais importante agora é a capacidade de produção e escoamento dos países produtores, o Estreito de Ormuz e a pressão dos outros produtos energéticos, como gás natural, na cadeia de suprimentos.”
Por fim, ele destaca que o receio com a inflação está presente em todo o mundo, e uma nova alta na energia pode afetar economias além da brasileira.
“Todos os países estão com receio da inflação e uma nova alta no preço da energia pode tirar novamente as leituras dos trilhos, o que, na ponta, vai bater nas projeções de taxas de juros no mundo todo”, finalizou Felipe Sant’Anna sobre o possível encarecimento do petróleo.
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