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Bolsa desaba 2,41% e responsabiliadade está dividida entre Copom e cenário eleitoral
Publicado 16/12/2025 • 21:16 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 16/12/2025 • 21:16 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
O mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia de forte aversão ao risco, com o Ibovespa B3 recuando 2,41%, encerrando o pregão na mínima do dia, a 158.568 pontos.
A desvalorização generalizada foi impulsionada por uma combinação de fatores domésticos e globais, incluindo a divulgação de uma pesquisa eleitoral no Brasil, a leitura cautelosa da ata do Copom e a repercussão de dados do mercado de trabalho americano (payroll). O dólar também refletiu o mau humor, encerrando em alta a R$ 5,46.
Para analisar esse cenário de “Superquarta” e aprofundamento das quedas, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC reuniu as perspectivas de Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, Nelson Marconi, economista e professor da FGV, e Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth e comentarista do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
O fator doméstico mais relevante para a queda da Bolsa foi a divulgação de uma pesquisa eleitoral, que gerou pessimismo e instabilidade. Segundo Felipe Corleta, sócio da Brasil Wealth, a pesquisa “mostra um favoritismo crescente do presidente Lula para vencer as eleições de 2026”.
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Essa baixa foi potencializada, de acordo com Gabriel Cecco, devido o desempenho da oposição na corrida à presidência. “Essa pesquisa mostrou primeiramente que o nome Bolsonaro é muito forte, e essa união com Tarcísio não existe hoje”. Para Corleta, a pesquisa foi o principal fator do dia, pois “acabou trazendo um mau humor para o mercado”.
Nelson Marconi reforça que a instabilidade eleitoral será um tema recorrente, e o Comitê de Política Monetária (Copom) pode reagir a isso: “Se tivermos uma situação de instabilidade, isso tende a pressionar a taxa de câmbio. Pressionando a taxa de câmbio, o Banco Central vai querer manter uma taxa de juros num patamar que se contrapõe a algum movimento especulativo. Então, é bem capaz de o Copom reagir nesse sentido”. Os especialistas ouvidos acreditam que a volatilidade de 2026 estará diretamente atrelada ao sobe e desce das pesquisas.
A ata do Copom foi outro catalisador de cautela. Embora a análise de conjuntura tenha sido percebida como um pouco “mais dovish” (amigável à queda de juros), sinalizando moderação no mercado de trabalho e desinflação, o discurso principal permaneceu hawkish.
O Banco Central manteve a frase de que será necessária uma taxa de juros “suficientemente alta e prolongada para fazer convergir a infração para a meta”.
Para Cecco, o mercado já descarta uma queda em janeiro e está precificando o corte “principalmente, em março”, com alguns setores já falando em abril. Marconi concorda que a ata deixou claro que será difícil ter uma queda rápida: “A inflação está caindo, mas ela está caindo na parte dos produtos que a gente chama comercializáveis, industrializados. Mas na parcela do que seriam os não comercializáveis ou os serviços, está ainda se mostrando muito resiliente a inflação”.
O professor de economia da FGV-SP conclui que o BC está fazendo o que se espera dele, perseguindo uma meta que ele considera “muito baixa”.
Felipe Corleta complementa que o mercado está achando esse nível de juros “bastante prolongado”, e o baixo apetite pela dívida brasileira no leilão do Tesouro Nacional (que teve baixa demanda) contribuiu para o mau humor, refletindo que os investidores ainda não estão dispostos a alocar capital no país.
A aversão ao risco não foi apenas local. A queda do preço do petróleo (que sofreu uma correção próxima a 2,5%) teve impacto direto nas ações da Petrobras (Petr4). Gabriel Cecco explica que essa queda se deve a dois fatores: a perspectiva de recessão global (diminuindo a demanda) e o aumento da oferta pela OPEP, que tem países produzindo acima da cota.
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) “abaixo do esperado” gerou uma reação mista e volatilidade, culminando no fechamento negativo dos principais índices (exceto o Nasdaq). Gabriel Cecco e Felipe Corleta explicam que o dado mais fraco, junto à expectativa pela divulgação do CPI (principal indicador de inflação americana), levou o investidor estrangeiro à aversão a risco.
Corleta nota que o payroll fraco inicialmente gerou otimismo (“se o payroll está fraco, o Fed vai cortar os juros”), mas o otimismo se esvaiu rapidamente. A incerteza é agravada pelo fato de que o CPI não foi divulgado no mês anterior devido ao shutdown, tornando o dado desta semana ainda mais relevante.
O dólar subiu 1% no dia, refletindo o cenário de aversão a risco e a migração de capital estrangeiro para ativos mais seguros nos EUA. Gabriel Cecco aponta que, em momentos de incerteza e com a perspectiva do CPI, “os mercados emergentes vão sofrer mesmo. Então, o investidor estrangeiro prefere sentar ali de forma tranquila e esperar esses principais indicadores econômicos saírem para aí sim ele entender se ele vai ter apetite ao risco ou não”.
Ele ainda adiciona que o fluxo de final de ano e a queda do petróleo (menos dólar entrando pela Petrobras) geram um desequilíbrio: “É uma oferta e uma demanda tão desbalanceada assim, o dólar vai acabar subindo e foi o que aconteceu hoje”.
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