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Especial: Crise nos Correios exige reinvenção, não apenas corte de custo
Publicado 16/12/2025 • 09:14 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 16/12/2025 • 09:14 | Atualizado há 9 meses
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O déficit acumulado das estatais brasileiras, que somou pouco mais de R$ 6 bilhões até outubro, expõe um problema estrutural de adaptação das empresas públicas a um ambiente econômico em rápida transformação, segundo avaliação do economista Roberto Troster. No caso dos Correios, segundo ele, a solução passa longe apenas de privatização ou redução de despesas e exige uma reinvenção profunda do modelo de negócios.
“Quem está destruindo os Correios não é só a má gestão. É a Lalamove, é o e-mail, é o WhatsApp”, explicou Troster em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao destacar que inovações tecnológicas e novos serviços privados capturaram a parte mais rentável das operações postais. “A parte mais tentável do Correio foi, entre aspas, roubada por essas inovações tecnológicas.”
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Segundo o economista, o avanço de empresas privadas de logística fez com que os Correios perdessem volume e receita justamente nos serviços mais lucrativos, enquanto permaneceram responsáveis pelas operações de alto custo e baixo retorno, como a distribuição em cidades pequenas e regiões remotas. “O Correio fica com a parte menos tentável, onde tem custo para distribuir, mas não tem receita”, disse.
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Siga o Times | CNBCTroster ressaltou que, apesar do déficit, os Correios cumprem uma função pública que não pode ser abandonada. “Você não pode deixar uma cidadezinha pequena no Acre, em Rondônia ou no interior sem serviços postais. Isso é um bem público”, afirmou.
Para ele, essa função precisa ser reconhecida de forma explícita, inclusive no orçamento. “Talvez uma maneira contábil de fazer isso seja assumir: estamos subsidiando essas cidades pequenas.”
O economista também ponderou que déficits não são exclusividade do Brasil. “Em países grandes, como Inglaterra e Estados Unidos, os correios também já operaram no vermelho”, disse, defendendo cautela em propostas de privatização total. “Todo mundo vai querer pegar o filé mignon do Correio.”
Na avaliação de Troster, a simples redução de custos não resolve o problema. “Pode mandar embora todo mundo que não vai funcionar. Não é um problema de custo, é um problema de adaptação”, afirmou. Ele destacou que o modelo atual dos Correios permanece praticamente inalterado há décadas. “Os Correios hoje são a mesma agência que você entrava 20 anos atrás.”
Para o economista, a empresa precisa ocupar espaços hoje dominados por concorrentes privados e buscar novas fontes de receita. Entre as alternativas citadas estão parcerias com outras estatais e instituições financeiras. “Se tem uma rede nacional, por que não fazer parceria com a Caixa, com o Banco do Brasil, para atuar também como correspondente bancário?”, questionou.
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