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Brasil atinge 81,7 milhões de inadimplentes em fevereiro de 2026, maior nível da série, diz Serasa
Publicado 24/03/2026 • 15:27 | Atualizado há 4 semanas
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Publicado 24/03/2026 • 15:27 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
O número de brasileiros inadimplentes atingiu 81,7 milhões em fevereiro de 2026, o maior patamar já registrado, segundo dados da Serasa Experian, que aponta uma sequência de recordes desde janeiro de 2025.
Em coletiva sobre os dez anos do Mapa da Inadimplência, a economista-chefe da instituição, Camila Abdelmalack, atribuiu o avanço ao ambiente de juros elevados, destacando que a taxa Selic permanece em nível muito alto, o que tem pressionado a capacidade de pagamento das famílias.
A economista afirmou que não há perspectiva de reversão no curto prazo, mesmo com eventual queda dos juros, já que o cenário continuará restritivo. Ela ressaltou ainda que o Banco Central passou a adotar um tom mais cauteloso nas comunicações recentes sobre o ciclo de flexibilização monetária.
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“Se antes tínhamos expectativa de juro perto de 12%, o mercado começou a revisar para cima essas projeções. Vemos o Boletim Focus indicando taxa de 12,50% ao fim de 2026, enquanto a curva de juros aponta níveis entre 13% e 14% no longo prazo, ainda em dois dígitos”, afirmou Abdelmalack.
Segundo a economista, as instituições financeiras têm reduzido o ritmo de concessão de crédito, especialmente nas linhas mais baratas, o que leva a população a recorrer a modalidades mais caras de financiamento, ampliando o risco de inadimplência.
Os dados mostram que, em dez anos, o número de inadimplentes cresceu 38,1%, passando de 59 milhões em 2016 para 81,7 milhões em 2026, evidenciando a deterioração do quadro financeiro das famílias.
Abdelmalack também destacou que a inadimplência não depende apenas do custo do crédito, mas também da inflação, que corrói o poder de compra, sobretudo entre as faixas de renda mais baixa.
Levantamento da Serasa Experian indica ainda que o brasileiro está altamente comprometido financeiramente, com 70,5% da renda média destinada ao pagamento de dívidas, sinalizando um elevado nível de alavancagem.
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