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Fuga de estrangeiros da Bolsa ganha força em agosto; saída chega a R$ 11,9 bilhões

Publicado 17/08/2026 • 10:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Nas últimas semanas, a fuga de capital estrangeiro voltou a ganhar espaço no noticiário sobre a Bolsa brasileira.
  • Só nos primeiros sete pregões de agosto, os investidores estrangeiros retiraram quase R$ 11,9 bilhões do Ibovespa.
  • O volume já coloca o mês como o segundo maior em saída de recursos estrangeiros neste ano, atrás apenas de maio.

Nas últimas semanas, a fuga de capital estrangeiro voltou a ganhar na Bolsa brasileira. Nos primeiros sete pregões de agosto, os investidores estrangeiros retiraram quase R$ 11,9 bilhões do Ibovespa. O volume já coloca o mês como o segundo maior em saída de recursos estrangeiros neste ano, atrás apenas de maio.

Na avaliação de Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, o movimento reflete principalmente uma mudança na alocação global de recursos, somada às preocupações com o cenário macroeconômico e fiscal do Brasil.

Segundo Teles, a saída de recursos ocorre após um período de forte entrada de capital na Bolsa brasileira, impulsionada por uma dinâmica global de investimentos que favoreceu mercados emergentes e empresas ligadas a commodities.

Para o especialista, parte da correção atual pode ser entendida como uma reversão desse movimento. Ele afirma que os fundamentos das empresas brasileiras não se deterioraram na mesma proporção da queda do Ibovespa. “As nossas empresas não estão piores do que estavam com a bolsa em 199 mil pontos. Então, a gente entende realmente que tinha o peso de um trade global.”

Leia também: Saída de capital estrangeiro pressiona Bolsa brasileira em meio a incertezas eleitorais e comerciais

Capital volta para os Estados Unidos

Teles afirma que a mudança no cenário internacional contribuiu para a saída de recursos dos mercados emergentes. Segundo ele, investidores que haviam reduzido posições nos Estados Unidos e direcionado parte dos recursos para outros mercados passaram a retornar aos ativos americanos.

Nesse movimento, o desempenho das empresas de inteligência artificial também teria ajudado a atrair novamente o capital para os Estados Unidos. O especialista cita a recuperação dos papéis do setor e a renovação de recordes do S&P 500.

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Ao mesmo tempo, o conflito entre Estados Unidos e Irã e o risco de novos choques no preço do petróleo aumentaram a preocupação com a inflação nos países emergentes. No Brasil, Teles afirma que a pressão inflacionária também contribuiu para uma demora maior no fechamento da curva de juros.

“A conjuntura desses fatores é uma retirada em massa de dólar da Bolsa brasileira e, naturalmente, uma correção de Bolsa, dólar, juros e por aí vai.”

Leia também: Capital externo recua em junho, mas saldo na Bolsa brasileira ainda é 26% maior que em 2025

Fiscal brasileiro segue no radar

Além da dinâmica internacional, a situação fiscal do Brasil é outro fator de pressão sobre os ativos locais, segundo Teles. Para ele, a falta de propostas econômicas mais detalhadas entre os candidatos à Presidência aumenta a incerteza sobre a trajetória das contas públicas.

Questionado sobre a possibilidade de uma retomada mais concentrada em fatores domésticos em 2027, o especialista afirmou que essa é uma das principais questões em análise atualmente. “Nenhum deles ataca com muita clareza a questão fiscal. Fala-se, em linhas gerais, sobre tesouraço, cortar gastos, mas nada muito detalhado sobre um plano econômico.”

Para Daniel, a ausência de maior clareza sobre o ajuste fiscal dificulta uma avaliação mais precisa sobre o comportamento dos ativos brasileiros nos próximos meses. Ainda assim, ele reforça que a saída de estrangeiros não deve ser interpretada isoladamente como sinal de deterioração dos fundamentos das empresas brasileiras.

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