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Fernanda Rocha: JPMorgan vê mais risco no Brasil, mas mantém ações locais entre suas apostas
Publicado 17/08/2026 • 20:26 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/08/2026 • 20:26 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O rebaixamento da recomendação do JPMorgan para o Brasil sinaliza maior cautela com o mercado local, diante da deterioração do crédito, dos juros elevados e das incertezas eleitorais, mas não significa ausência de oportunidades na bolsa, segundo Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Em sua participação nesta segunda-feira (17) na programação do canal, ela destacou que 13 das 20 ações selecionadas pelo banco estão listadas na B3, apesar da visão mais conservadora para o país.
O movimento ocorre em um momento de retirada de recursos estrangeiros do mercado brasileiro. “Esse mês de agosto já é a maior saída de capital desde janeiro de 2022”, afirmou Rocha, considerando os números disponíveis até 13 de agosto.
Segundo ela, o movimento contrasta com o observado anteriormente em 2026, quando houve uma entrada relevante de recursos internacionais no Brasil. “Esse ano a gente teve uma entrada bem relevante de capital estrangeiro”, lembrou, associando parte desse fluxo à procura por energia e commodities.
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A nova avaliação do JPMorgan, segundo Rocha, indica que o banco não identifica neste momento um potencial relevante de valorização para o mercado brasileiro como um todo. “Seria um cenário neutro para o Brasil. Ele não vê ali um upside”, explicou.
Para investidores que já possuem posições no país, isso pode significar manutenção dos investimentos ou realização de parte dos ganhos acumulados. “Para quem está alocado, seria uma manutenção dessa posição ou, como a gente está vendo, uma troca dessa posição. Então, uma realização de alguns lucros que eles já tiveram”, disse.
A cautela, porém, não representa uma avaliação negativa de todas as companhias brasileiras. “Não significa que o JPMorgan não goste das ações aqui no Brasil”, ressaltou Rocha.
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Segundo ela, 13 das 20 ações escolhidas pelo banco em sua seleção de papéis são brasileiras, entre elas Vale, WEG, Suzano e Embraer. “Eles enxergam, sim, muita oportunidade, mas uma cautela maior em relação a toda essa degradação que a gente tem visto no cenário de crédito”, explicou.
A deterioração das condições de crédito é um dos principais pontos de atenção, segundo Rocha, e já aparece tanto entre pequenas empresas quanto em companhias e instituições financeiras de maior porte.
“A gente tem visto recorde de recuperação judicial nas empresas, nas pequenas”, afirmou. Ao mesmo tempo, segundo ela, também aumentaram os episódios envolvendo instituições financeiras: “A gente nunca viu o Banco Central fazendo liquidação de tantos bancos, de tantas instituições financeiras”.
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Os balanços dos bancos também oferecem sinais dessa mudança de ambiente. “Quando a gente olha o balanço dos bancos, a gente vê o provisionamento de perdas financeiras com defaults, com não pagamentos. Então, só aumenta esse provisionamento”, destacou.
Na avaliação de Rocha, o problema começa a ganhar maior importância nas decisões do mercado. “Essa questão do crédito está começando a fazer mais preço agora, está entrando mais no radar”, afirmou.
O cenário se soma ao comportamento dos juros de prazos mais longos, não apenas no Brasil. “A gente vê também, não só no Brasil, mas pelo mundo, essa curva de juros, de vencimentos mais longos, que não para de abrir”, pontuou.
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Com os juros elevados, a renda fixa continua sendo uma alternativa importante para o investidor, mas Rocha também recomenda atenção dentro dessa classe de ativos, especialmente nos títulos prefixados de prazo mais longo.
Segundo ela, o Banco Central dispõe de espaço limitado para uma trajetória mais intensa de cortes de juros. “Se ele fizer uma trajetória de mais queda, a gente vai ver uma degradação da nossa moeda, o real desvalorizando muito, porque ele perde essa adesão do carry trade”, explicou.
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Siga o Times | CNBCMesmo na renda fixa, portanto, há riscos que precisam ser observados. “A gente também traz um olhar de cautela, principalmente para os prefixados”, afirmou.
Rocha destacou particularmente o risco de assumir posições longas nesses papéis diante da possibilidade de uma nova elevação das taxas no futuro. “Se posicionar prefixado em um vencimento mais longo, a gente está diminuindo essa exposição pelo risco de ter mais altas de juros mais para frente”, apontou.
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Nesse cenário, uma eventual elevação das taxas poderia provocar perdas pela oscilação dos preços dos títulos. “Esse prefixado teria uma marcação a mercado que iria machucar bastante”, alertou.
Na bolsa, Rocha considera que a capacidade financeira das empresas ganha ainda mais importância diante da restrição do crédito. Entre os exemplos citados está a WEG, que combina crescimento com menor nível de endividamento.
“É uma empresa que tem um crescimento muito sólido e baixo endividamento”, afirmou. Para Rocha, esse perfil é especialmente relevante no ambiente atual porque permite avaliar quanto as companhias conseguem gerar de lucro diante dos compromissos financeiros assumidos.
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“Esse é um ponto muito importante para a gente entender se elas honram, ao longo dos anos, o compromisso financeiro que possuem e a rolagem desses créditos”, explicou.
O problema é que o acesso ao financiamento está se tornando mais difícil. “A gente está vendo que esse universo dos créditos está secando”, afirmou Rocha. Segundo ela, o aumento das provisões para inadimplência faz com que as instituições financeiras sejam “muito mais criteriosas para liberar o crédito”.
Isso pode representar um desafio adicional para empresas que precisam refinanciar suas obrigações. “As empresas precisam renovar nos vencimentos, elas precisam conseguir renovar, rolar essas dívidas”, destacou.
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Por isso, Rocha considera importante observar companhias com menor alavancagem e menos compromissos financeiros, avaliando se conseguem sustentar seu crescimento diante dos custos de suas dívidas.
O período eleitoral é outro fator considerado pelo JPMorgan na avaliação mais cautelosa sobre o Brasil. Segundo Rocha, o banco entende que o prêmio de risco das eleições ainda não foi totalmente incorporado aos preços dos ativos.
“Esse foi um dos itens citados pelo JPMorgan: eles acreditam que o prêmio de risco das eleições ainda não está imputado”, afirmou.
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Na prática, isso significa que o mercado pode enfrentar novas oscilações à medida que o cenário eleitoral evoluir. “Ainda vai ter muita volatilidade e, para carregar essa posição, tem um custo maior quando tem uma volatilidade maior”, explicou.
Rocha avaliou que a indefinição torna mais difícil assumir posições direcionais neste momento. “A gente está entendendo que esse cenário está completamente binário. Não tem como se posicionar de um lado ou de outro quando o cenário está tão empatado assim”, afirmou.
Nesse ambiente, a remuneração oferecida pelos investimentos mais conservadores aumenta o custo de assumir riscos adicionais. “É aquilo de a gente pagar para ver ou não, porque a gente está recebendo muito bem para não precisar pagar para ver. A renda fixa está pagando muito, a pós-fixada”, concluiu.
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