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Brasil precisa evitar papel de mero exportador de terras raras em negociação com os EUA, diz especialista
Publicado 07/05/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 07/05/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora
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O Brasil precisa aproveitar o avanço do marco dos minerais críticos para garantir transferência de tecnologia, industrialização e agregação de valor às chamadas terras raras, evitando repetir o modelo histórico de exportação de commodities sem beneficiamento. A avaliação é de Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e sócio da Saygo Comex, ao comentar o projeto aprovado na Câmara e o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à disputa global por recursos estratégicos.
“O Brasil está super disposto a criar essas parcerias, principalmente com os Estados Unidos, mas garantindo transferência de conhecimento e tecnologia para que o país não passe a fornecer apenas mais uma commodity sem beneficiamento”, afirmou ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quinta-feira (7).
Segundo ele, a reunião entre Lula e Trump coloca o tema das terras raras no centro da agenda geopolítica internacional e exige equilíbrio diplomático do governo brasileiro. “O Brasil precisa promover o melhor relacionamento com os Estados Unidos, mas sem perder o relacionamento que já tem com a China, que hoje é o nosso maior parceiro comercial”, ressaltou.
Na avaliação de Ronaldo Félix, o texto aprovado pela Câmara conseguiu avançar em pontos considerados essenciais para atrair investimentos e estruturar o setor no país. “Na essência, o projeto está bem equilibrado”, disse.
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Segundo ele, a proposta foi construída sobre três pilares principais: geopolítica, industrialização com desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade associada à capacitação técnica. “O projeto deixou claro que o Brasil não pode ser simplesmente mais um exportador de commodities apenas com extração e separação”, explicou.
O especialista destacou que o país possui posição estratégica no mercado global de terras raras. Segundo ele, o Brasil concentra aproximadamente 20% das reservas mundiais desses minerais, enquanto a China lidera com cerca de 40%. “Num médio prazo, o Brasil precisa virar também um país que vai industrializar e se beneficiar de materiais acabados vindos dessas terras raras”, pontuou.
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Ronaldo Félix afirmou que o projeto preserva o poder do Estado no gerenciamento dos minerais críticos, mas defendeu maior flexibilização para estados e municípios atuarem em projetos locais. “Os ajustes necessários são manter essa governança para o governo federal, mas flexibilizar também para os governos municipais”, observou.
Como exemplo, ele citou operações em andamento em Goiás, onde já existe atividade de extração e separação de minerais críticos associada a acordos de investimento com os Estados Unidos. “Garantir que os estados tenham autonomia para fazer uma gestão, mas seguindo as premissas definidas pelo governo federal, é importante”, destacou.
O especialista avaliou que o fundo garantidor previsto no texto, de R$ 5 bilhões, representa apenas um ponto de partida para o desenvolvimento da cadeia produtiva. “Esse é um valor mínimo para se iniciar e ampliar o projeto, mas longe de ser o necessário”, afirmou.
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Segundo ele, o Brasil ainda depende fortemente de investimento externo para acelerar etapas mais avançadas da cadeia produtiva, como refinamento e industrialização. “O governo em si não vai ser capaz de promover toda essa mudança”, frisou.
Ronaldo Félix explicou que o país já possui algum conhecimento técnico nas etapas de extração e separação, mas ainda precisa avançar em eficiência tecnológica e processamento industrial. “Os primeiros anos vão focar muito na extração e separação porque é onde o Brasil já possui know-how”, concluiu.
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