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Cancelamento de leilões do Tesouro expõe tensão na curva de juros e debate sobre risco fiscal
Publicado 22/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 32 minutos
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Publicado 22/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 32 minutos
KEY POINTS
Foto: Reprodução
O cancelamento de leilões de títulos prefixados e indexados à inflação pelo Tesouro Nacional reacendeu o debate sobre a escalada dos juros futuros e a percepção de risco em relação à economia brasileira. A medida foi interpretada por analistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, como uma tentativa de evitar distorções na curva de juros em um momento de forte volatilidade, sem que isso represente, necessariamente, uma dificuldade imediata de financiamento do governo.
Para o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, o movimento busca sinalizar ao mercado que o Tesouro não pretende validar taxas consideradas excessivamente elevadas. Segundo ele, o governo ainda possui instrumentos para administrar sua necessidade de financiamento no curto prazo e tenta reposicionar a discussão sobre risco e retorno da dívida pública. “Qual é o efeito prático desse cancelamento? Na minha visão, nenhum”, ele diz.
Na mesma linha, o CEO e fundador da Board Academy, Farias Souza, avalia que a decisão deve ser entendida como uma atuação técnica para evitar uma disfuncionalidade no mercado de títulos. Segundo ele, quando a curva de juros se abre de forma muito rápida, especialmente nos papéis prefixados e atrelados à inflação, o Tesouro corre o risco de emitir dívida pagando prêmios excessivos em um ambiente de estresse.
“O Tesouro reduz a pressão vendedora, preserva preço e sinaliza que não vai validar qualquer taxa pedida pelo mercado”, afirmou Souza. Além do cancelamento dos leilões, o órgão manteve as emissões de títulos atrelados à Selic e anunciou operações de compra e venda de papéis para dar suporte à liquidez do mercado.
Os dois especialistas concordam que a deterioração da curva de juros reflete preocupações com a trajetória fiscal do país. Para Queiroz, o mercado passou a questionar a sustentabilidade do atual modelo econômico diante do crescimento da dívida pública e da falta de confiança na capacidade de estabilização das contas do governo.
Souza acrescenta que o movimento também foi influenciado por fatores externos, como as tensões geopolíticas e os receios de novos impactos inflacionários sobre combustíveis e energia. No cenário doméstico, dúvidas sobre a inflação, o ritmo de queda da Selic e a política fiscal ampliaram a exigência de prêmio para financiar a dívida pública.
Queiroz avalia que os níveis atuais dos juros refletem uma descrença dos investidores na capacidade de o crescimento econômico sustentar o aumento do endividamento. Segundo ele, o mercado passou a precificar um risco crescente de dominância fiscal, situação em que as contas públicas comprometem a eficácia da política monetária.
Apesar disso, ele considera exagerada parte da precificação ligada à inflação. Na sua avaliação, os agentes de mercado atribuem peso excessivo aos choques de alimentos e combustíveis, o que contribui para elevar ainda mais as taxas de longo prazo.
Para Souza, há momentos em que o mercado ajusta preços de forma excessivamente rápida, criando distorções técnicas. Nesses casos, a atuação do Tesouro se justifica para evitar que problemas de liquidez contaminem toda a estrutura de financiamento da dívida pública.
Em relação aos efeitos da medida, os analistas avaliam que o impacto direto tende a se concentrar na própria curva de juros. A redução da oferta de títulos nos vencimentos mais pressionados pode ajudar a conter a abertura das taxas e aliviar perdas de marcação a mercado. Já para o dólar e a Bolsa, os resultados dependerão da interpretação dos investidores sobre a credibilidade da política econômica e a capacidade do governo de sinalizar maior disciplina fiscal nos próximos meses.
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