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CEO da Byide Brasil vê pressão sobre ativos brasileiros e projeta novos cortes de juros
Publicado 13/08/2026 • 19:55 | Atualizado há 59 minutos
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Publicado 13/08/2026 • 19:55 | Atualizado há 59 minutos
KEY POINTS
O mercado brasileiro atravessa um período de pressão sobre ações, câmbio e juros, em um movimento influenciado tanto pelas incertezas fiscais e eleitorais quanto pela mudança na percepção de investidores estrangeiros. Para Andreia Damico, economista-chefe e CEO da Byide Brasil, uma melhora no cenário externo pode ser determinante para uma recuperação dos ativos brasileiros.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a economista afirmou que o desempenho negativo do Ibovespa ocorre mesmo diante de um ambiente internacional mais favorável. Segundo ela, o movimento está relacionado principalmente às dúvidas sobre a condução da política fiscal brasileira em 2027 e à mudança de percepção de investidores estrangeiros sobre o país.
“Isso tudo impulsionou um sell-off de ações brasileiras, mas não só ações. A gente viu também um movimento negativo no câmbio e um movimento negativo nos juros”.
Damico destacou que relatórios recentes de instituições internacionais contribuíram para intensificar a saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira. O movimento, segundo ela, já vinha sendo observado, mas ganhou força nos últimos dias.
Ao analisar as possibilidades de uma melhora para os ativos brasileiros até o fim do ano, a economista considera que os principais gatilhos podem vir do exterior. Entre eles estão uma eventual redução da pressão sobre o petróleo e uma mudança na trajetória dos juros dos Estados Unidos.
“A notícia boa para ativos brasileiros é se a gente tiver boas notícias no front externo”.
Segundo Damico, uma eventual acomodação dos preços do petróleo poderia aumentar o apetite global por risco e beneficiar mercados emergentes. O comportamento dos juros americanos também será relevante para determinar o fluxo de capital para países como o Brasil.
A economista avalia que os dados recentes de inflação e emprego nos Estados Unidos reforçam a possibilidade de que o Federal Reserve não eleve os juros neste ano. Para ela, a autoridade monetária ainda precisa encontrar uma medida de inflação subjacente que considere suficientemente confiável antes de definir seus próximos passos.
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Siga o Times | CNBCNesse contexto, Damico também questiona a utilização de apenas um núcleo de inflação para avaliar a trajetória dos preços. Segundo ela, diferentes medidas podem apresentar níveis e tendências distintas, tornando uma média de indicadores uma alternativa potencialmente mais adequada.
“Olhar para um núcleo só, de fato, nesse mundo tão incerto e com tantos choques, eu acho que não é o ideal nesse momento”, afirmou.
No Brasil, a economista vê sinais de moderação da atividade econômica e da inflação. A desaceleração da atividade, segundo ela, pode ser negativa para empresas e para a bolsa, mas cria condições para uma política monetária menos restritiva.
A queda da inflação, por outro lado, teria efeitos mais amplos sobre os ativos financeiros. Damico considera que o cenário atual permite projetar pelo menos mais um corte da taxa básica de juros.
“Eu realmente acredito que é muito provável que a gente não tenha alta de juros neste ano”, disse.
A possibilidade de cortes adicionais dependeria, entre outros fatores, do comportamento do petróleo. A economista avalia que uma queda mais expressiva da commodity poderia abrir espaço para uma trajetória ainda mais favorável para a inflação e, consequentemente, para a política monetária brasileira.
Apesar dos fatores externos que podem ajudar, o cenário doméstico continua sendo um dos principais pontos de atenção. As dúvidas sobre a política fiscal de 2027 e o ambiente eleitoral devem continuar influenciando as decisões dos investidores ao longo dos próximos meses.
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