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Economia Brasileira

Fluxo global e pressão fiscal elevam juros e inflação no Brasil

Publicado 23/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Expectativa do Boletim Focus supera 5%, elevando a projeção da taxa Selic terminal para perto de 14% e deixando a inflação pressionada. 
  • Mercado aguarda uma ata com tom mais duro para corrigir a comunicação anterior.
  • Descompasso entre as políticas fiscal e monetária, somada ao cenário externo, infla as taxas de juros.

A recente volatilidade no mercado financeiro brasileiro reflete uma reversão no fluxo de capitais global. Após um início de ano positivo, com o Ibovespa subindo acima de 20%, investidores migraram recursos para mercados desenvolvidos, atraídos pelos fortes balanços de empresas de tecnologia nos Estados Unidos.

O Boletim Focus trouxe a 15ª alta seguida na projeção da inflação para este ano, superando os 5%, enquanto a meta do Banco Central é de 3%. Esse desancoramento das expectativas dificulta a redução da taxa Selic, com o mercado já precificando uma taxa terminal por volta de 14%.

A expectativa agora se volta para a ata do Copom. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o diretor de Soluções de Investimento da Sulamérica Investimentos, Marcelo Andrade, aponta que o mercado espera que o Banco Central desfaça a confusão do último comunicado e adote um tom mais rígido sobre a inflação e o movimento de queda de juros, o que já impactou a taxa de juros futuros.

“Nós estamos fazendo Boletim Focus com uma expectativa de inflação acima de 5%. Então, isso dificulta muito o trabalho do Banco Central em reduzir a taxa de juros, como se esperava que fosse acontecer um movimento lá no final do ano passado, início desse ano”, diz.

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Diante do cenário de juros elevados, Marcelo Andrade avalia que “as taxas de fato elas exageraram nas últimas semanas”, apontando que a política fiscal não está alinhada à monetária, o que dificulta o controle da inflação em meio a estímulos na economia.

Além da dinâmica interna desafiadora, o cenário externo exerce forte pressão. O movimento de abertura de taxas de juros é global, com recordes registrados no Japão, Reino Unido e Estados Unidos, o que corrobora para manter as taxas brasileiras em patamares mais altos.

No mercado de câmbio, o dólar operou próximo de R$ 5,15. O fortalecimento global da moeda americana contra as demais divisas torna improvável, no curtíssimo prazo, o retorno do cenário visto no início do ano, quando o dólar se posicionava em patamares menores.

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