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Guerra no Oriente: Entenda as consequências negativas e positivas à economia do Brasil
Publicado 04/03/2026 • 11:54 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 04/03/2026 • 11:54 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã já produz efeitos que tendem a ficar mais perceptíveis à economia brasileira por diferentes canais: câmbio, inflação, custo do agronegócio, transporte marítimo e oferta global de energia. Economistas ouvidos pela Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC deram seus diagnósticos sob duas perspectivas: as consequências negativas mais imediatas que o conflito no Oriente Médio pode trazer ao Brasil; e se há espaço para que o País, de alguma forma, a médio prazo, se beneficie frente às limitações econômicas globais causadas pela guerra.
No diagnóstico sobre os impactos imediatos, André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, afirma que o primeiro reflexo pode ser sentido na política monetária. “A primeira, talvez mais importante, é a eventual mudança na postura do Copom”, diz, ao destacar que, com o barril de petróleo perto de US$ 90 (R$ 469,80) e fretes marítimos em alta, o corte de juros esperado pode ser menor, “de 0,25%, com comunicado mais duro”.
Segundo ele, a escalada do petróleo também pode “interromper o processo de desinflação” e afastar o IPCA da convergência para perto de 3%, além de comprometer exportações ao Oriente Médio, grande comprador de milho, carne de frango e açúcar do Brasil.
Leia também: David Solomon, do Goldman Sachs, diz estar surpreso com reação “contida” dos mercados à guerra com o Irã
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o efeito mais imediato ocorre no sistema financeiro global. “O mercado financeiro é o primeiro a reagir”, afirma, citando bolsa em queda acima de 3%, dólar acima de R$ 5,30 e disparada dos juros futuros. Ele observa que, em momentos de incerteza, ocorre o movimento de fly to quality, no qual investidores retiram recursos de emergentes e direcionam aos Estados Unidos, mesmo sendo o país “o centro do conflito”.
Já Alex André, economista e Head de Corporate Access da MZ Group, destaca o risco de um “choque inflacionário de curto prazo” impulsionado pelo avanço do Brent em sessões consecutivas. “A gente vai importar uma inflação de petróleo maior no curto prazo”, diz, ressaltando o impacto sobre diesel, fretes marítimos e rodoviários e produtos derivados.
Ele lembra que, mesmo com a Selic em 15%, o Banco Central enfrentará desafio adicional para conter o IPCA, ainda que a Petrobras possa tentar suavizar parte do impacto nos combustíveis.
Ao avaliar possíveis ganhos, Galhardo pondera que a balança comercial de petróleo e gás é superavitária e pode se fortalecer com preços mais altos e câmbio depreciado. “Isso pode atenuar o processo de desvalorização da moeda brasileira”, afirma, ao citar maior entrada de dólares.
Leia também: Economistas reconhecem PIB forte, mas alertam para desaceleração e riscos com o conflito no Irã
Ainda assim, ele vê um “balanço de riscos assimétrico”, com potencial encarecimento de insumos e agravamento das dificuldades do agronegócio, que já enfrentou aumento de recuperações judiciais após a guerra na Ucrânia e alta dos fertilizantes.
Para Agostini, é difícil projetar ganhos enquanto persistirem incertezas. “Hoje, na balança, temos muito mais fatores negativos do que positivos”, diz, ao lembrar que o Brasil é autossuficiente em petróleo, mas não em refino, além de depender de fertilizantes de países afetados por conflitos.
Ele alerta que, se o petróleo permanecer acima de US$ 80 (R$ 417,60) e o câmbio desvalorizado por mais de algumas semanas, pode haver pressão adicional sobre combustíveis e fretes, colocando em risco a continuidade da queda de juros. Um eventual cessar-fogo, contudo, poderia reduzir a volatilidade e restabelecer o cenário de normalização.
Na avaliação de Alex André, o Brasil “claramente vai se beneficiar com o preço do petróleo mais alto” por ser produtor relevante da commodity. Ele ressalta que empresas do setor tendem a ganhar com a valorização internacional.
Ainda assim, pondera que “barreiras econômicas criadas por guerras não são boas para nenhuma economia”, pois geram instabilidade, drenam investimentos e restringem relações comerciais, limitando benefícios mais duradouros no médio prazo.
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