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Economia Brasileira

Indústria produz menos em agosto, com queda de 0,6%, diz IBGE

Publicado 02/10/2026 • 23:30 | Atualizado há 37 minutos

KEY POINTS

  • A produção industrial caiu 0,6% em agosto, depois de registrar alta de 0,1% em julho, segundo dados divulgados pelo IBGE.
  • Dos 25 ramos pesquisados, 16 tiveram queda na produção. O maior recuo ocorreu entre os produtos do fumo, com baixa de 23,4%.
  • Nos últimos quatro meses, a indústria acumula queda de 3,1%. Para o IBGE, juros ainda elevados e adiamento de investimentos ajudam a explicar a perda de ritmo.
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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A produção industrial brasileira caiu 0,6% em agosto, na comparação com julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (2). O resultado ocorre após uma alta de 0,1% em julho e mantém a indústria em um período de perda de ritmo. Nos últimos quatro meses, o setor acumula queda de 3,1%, o que reduz parte do avanço de 4,3% registrado no primeiro quadrimestre do ano.

O desempenho também foi negativo em outras comparações. Em relação a agosto de 2025, a produção recuou 1,2%. Já a média móvel trimestral apresentou queda de 0,7%. Apesar dos resultados recentes, o acumulado do ano ainda registra alta de 0,8%, enquanto o crescimento em 12 meses chega a 0,6%, de acordo com a Agência Brasil.

Leia também: Indústria e comércio veem corte da Selic como insuficiente e cobram continuidade da queda dos juros

Queda atinge 16 atividades na indústria

A retração de agosto alcançou a maior parte dos segmentos pesquisados pelo IBGE. Dos 25 ramos analisados, 16 produziram menos na comparação com julho.

O maior recuo ocorreu na fabricação de produtos do fumo, com queda de 23,4%. Na sequência, aparecem os produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que recuaram 5,5%, e as indústrias extrativas, com redução de 0,7%.

Por outro lado, nove atividades registraram aumento. A produção de produtos diversos cresceu 8,4%, enquanto os produtos alimentícios avançaram 1%. Os produtos químicos tiveram alta de 0,9%, e a metalurgia subiu 0,8%.

Bens de consumo registram principais perdas

As quatro grandes categorias econômicas da indústria apresentaram queda entre julho e agosto. Os bens de consumo semi e não duráveis tiveram a maior retração, de 1,7%. Já os bens de consumo duráveis recuaram 1%.

A produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos utilizados no setor produtivo, caiu 0,6%. Os bens intermediários, formados por insumos industrializados usados na produção, tiveram redução de 0,2%.

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Juros ajudam a explicar perda de ritmo

Para o pesquisador do IBGE André Macedo, os resultados indicam perda de dinamismo da indústria no segundo quadrimestre do ano. Entre os fatores apontados por ele está o nível ainda elevado das taxas de juros.

Embora a taxa tenha passado por cortes, Macedo afirma que a política monetária continua restritiva. Segundo o pesquisador, esse cenário afeta o endividamento e a inadimplência de empresas e famílias, além de comprometer parte da renda disponível das famílias.

Além disso, os juros elevados fazem com que empresas adiem decisões de investimento. Macedo também destacou que o mercado de trabalho continua resiliente, com número recorde de pessoas ocupadas e crescimento da massa de rendimentos. Mesmo assim, o comprometimento da renda das famílias e o adiamento dos investimentos ajudam a explicar o desempenho mais fraco da indústria.

Leia também: Intenção de investimentos da indústria cai ao menor nível desde 2020, diz CNI

Indústria segue acima do nível pré-pandemia

Apesar da queda recente, a produção industrial ainda está 1,3% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia. O resultado, porém, permanece 15,6% abaixo do ponto mais alto da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, alcançado em maio de 2011.

Assim, os dados de agosto mostram uma indústria que perdeu força depois do avanço registrado no primeiro quadrimestre. A queda acumulada nos últimos quatro meses contrasta com o crescimento observado no início do ano, enquanto o resultado acumulado de 2026 e o indicador de 12 meses ainda permanecem positivos.

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