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Indústria e comércio veem corte da Selic como insuficiente e cobram continuidade da queda dos juros

Publicado 16/09/2026 • 21:34 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Fiesp classificou a redução de 0,25 ponto percentual como um “passo tímido” diante do endividamento de famílias e empresas.
  • Firjan e FIEMG consideraram o corte necessário, mas defenderam novas reduções da Selic acompanhadas de maior equilíbrio das contas públicas.
  • ACSP avaliou que a desaceleração da atividade e o recuo recente da inflação deram espaço para uma política monetária menos contracionista.
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Foto: Arquivo Nacional

Entidades empresariais avaliaram que o corte da Selic de 14% para 13,75% ao ano, anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (16), segue na direção de aliviar as condições financeiras, mas ainda é insuficiente para destravar investimentos e reduzir de forma relevante o custo do crédito no país.

Fiesp, Firjan e Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) defenderam a continuidade do ciclo de redução dos juros. As entidades também relacionaram a possibilidade de quedas sustentáveis da Selic à melhora das contas públicas.

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP), por sua vez, avaliou que a decisão ficou em linha com a expectativa predominante do mercado e apontou que a perda de ritmo da atividade econômica ajudou a abrir espaço para a redução dos juros.

Leia também: Corte da Selic já está no preço; próximos passos do Copom ainda são dúvida, diz Leandro Benincá

Fiesp chama corte de “passo tímido”

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) fez a crítica mais direta à decisão. Para a entidade, a redução de apenas 0,25 ponto percentual é um “passo tímido” diante do quadro econômico e do nível de endividamento no país.

A Fiesp afirma que cerca de 80 milhões de brasileiros e 9 milhões de empresas estão negativados e relaciona esse quadro ao período prolongado de juros elevados.

“Juros elevados por tempo prolongado, somados ao descontrole dos gastos públicos, sufocam famílias e empresas, travando os investimentos e a retomada do crescimento do Brasil”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Skaf.

Firjan pede continuidade dos cortes

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) afirmou que a decisão do Copom “vai na direção correta”, mas considera que a queda ainda é insuficiente para estimular a retomada do investimento produtivo.

A entidade destacou que o PIB da indústria de transformação recuou 0,4% no segundo trimestre de 2026 e afirmou que a política monetária continua significativamente restritiva.

Segundo a Firjan, mesmo descontada a inflação projetada, o juro real permanece em torno de 8,5% ao ano, cerca de três pontos percentuais acima da taxa considerada neutra pela entidade.

A federação defendeu a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário nas próximas reuniões, mas afirmou que esse movimento precisa ser acompanhado por avanços no equilíbrio das contas públicas para reduzir os prêmios de risco e estimular investimentos privados.

FIEMG diz que juros ainda freiam indústria

A FIEMG também classificou o corte como necessário, mas insuficiente.

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Segundo a federação, a Selic em 13,75% continua encarecendo o crédito, adiando novos projetos e limitando investimentos em modernização e ampliação da capacidade produtiva.

“Mesmo com a redução, a Selic permanece em patamar elevado e continua encarecendo o crédito, restringindo investimentos e reduzindo a competitividade da indústria”, afirmou João Gabriel Pio, economista-chefe da FIEMG.

A entidade também cobrou maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária.

“Não é sustentável exigir que os juros carreguem praticamente sozinhos o peso do controle inflacionário, enquanto medidas expansionistas atuam na direção contrária”, disse Pio.

ACSP vê decisão em linha com mercado

A Associação Comercial de São Paulo avaliou que a redução de 0,25 ponto percentual veio em linha com a expectativa da maioria dos analistas.

Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, destacou que a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,2% e que os núcleos também apresentaram melhora, especialmente entre os bens industriais.

Ao mesmo tempo, citou expectativas de inflação ainda distantes do centro da meta, mercado de trabalho aquecido e incertezas externas como fatores que continuam exigindo cautela do Banco Central.

Para Gamboa, a moderação da atividade, especialmente a desaceleração do consumo das famílias no segundo trimestre, pesou a favor de uma política monetária menos restritiva.

Leia também: Copom corta Selic em 0,25 ponto e leva taxa a 13,75% ao ano

Copom mantém cautela após quinto corte seguido

O corte anunciado nesta quarta foi o quinto consecutivo e levou a Selic de 15% para 13,75% desde março.

No comunicado, o Banco Central reconheceu uma moderação gradual da atividade econômica e a desaceleração recente da inflação, mas afirmou que as expectativas permanecem acima da meta e que os riscos para os preços continuam elevados, com assimetria para cima.

O Copom não antecipou o tamanho total do ciclo de cortes. O Comitê afirmou que a magnitude das próximas reduções será definida de acordo com novas informações e com a evolução dos riscos para a inflação.

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