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Juros altos travam reação das small caps e dividem especialistas sobre momento de entrada
Publicado 03/05/2026 • 11:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 03/05/2026 • 11:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A trajetória recente do mercado acionário brasileiro expõe um contraste: enquanto o Ibovespa avança, as ações de médias e pequenas empresas seguem pressionadas, refletindo o impacto direto do patamar elevado da Selic. Especialistas avaliam que o ambiente ainda impõe restrições ao segmento, mesmo com o início do ciclo de queda dos juros em março.
Para o CIO e sócio-fundador da Trígono Capital, Werner Roger, o momento ainda não favorece a entrada. “É o momento de esperar”, afirma, destacando que o nível dos juros domésticos continua sendo o principal fator de pressão. Segundo ele, o comportamento do investidor estrangeiro também limita o fluxo para esse tipo de ativo.
A leitura é semelhante à do gestor da Nero Capital, Daniel Utsch, que considera prematuro ampliar exposição. Ele pondera, no entanto, que investidores com perfil mais agressivo podem iniciar posições menores. Utsch lembra que o último período de maior otimismo com o segmento ocorreu entre junho e julho de 2021, e que, desde então, as ações acumulam perdas relevantes.
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Na avaliação do gestor, uma retomada consistente depende de um conjunto de fatores: “queda de juros, melhora fiscal e cenário eleitoral pró-mercado”. Ele ressalta que essas empresas têm forte ligação com o cenário doméstico e aponta que uma Selic entre 10% e 12% já poderia tornar o segmento mais atrativo.
O analista da Nord Investimentos, Victor Bueno, também destaca o peso dos juros no desempenho das small caps e recomenda cautela com empresas mais alavancadas. “É bom fugir de empresas que dependem de indicadores econômicos”, afirma. Ainda assim, ele avalia que investidores mais arrojados podem considerar aumentar gradualmente a exposição.
Um dos indicadores que ilustram esse cenário é a comparação entre o Ibovespa e o Índice de Small Caps da bolsa de valores nos últimos 60 meses. Em março de 2021, quando a Selic estava em 2,75% ao ano, o ambiente era mais favorável ao segmento. Já em março deste ano, com a taxa em 14,75%, o contraste se acentuou: o Ibovespa subiu 62,2%, enquanto o índice de pequenas e médias empresas caiu 14,7%.
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Apesar das divergências sobre o momento de entrada, há consenso quanto ao perfil necessário para investir no segmento. As small caps apresentam maior volatilidade ao longo do tempo, exigindo maior tolerância a oscilações por parte dos investidores.
Entre os setores, a construção civil concentra opiniões divergentes. Para Bueno, o foco deve estar em empresas voltadas à baixa e alta renda, evitando companhias de média renda. Já Utsch vê justamente nessas empresas uma oportunidade, citando nomes como Even e Mitre, que tiveram menor valorização recente.
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Siga o Times | CNBCWerner Roger, por sua vez, destaca que o ciclo de queda dos juros pode beneficiar construtoras e incorporadoras.
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Em outros segmentos, Bueno indica o agronegócio e parte do varejo como áreas de interesse, ressaltando a necessidade de seletividade. Entre os destaques, menciona empresas como Vulcabrás e Vivara.
Mesmo o Ibovespa, menos dependente do cenário doméstico, pode enfrentar pressão no curto prazo. Segundo o analista da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo, o conflito no Oriente Médio tem impactado o ambiente de juros e provocado migração para a renda fixa.
“A guerra mexeu muito com o cenário de juros, com forte migração para a renda fixa”, afirma. Ele destaca que a Bolsa brasileira resistiu melhor devido ao peso do setor de petróleo no índice.
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O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, elevou os preços da commodity para níveis acima de US$ 100 (R$ 498,0), influenciando o desempenho do mercado.
Nesse contexto, Mollo reforça a importância de buscar empresas com fundamentos sólidos, como a Taesa, e aponta o setor de seguros como possível oportunidade caso o conflito se prolongue.
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