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Mercado vê espaço para corte da Selic, mas incertezas fiscais e inflacionárias continuam limitando otimismo dos investidores
Publicado 15/06/2026 • 21:46 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 15/06/2026 • 21:46 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Os contratos de juros futuros recuaram nesta segunda-feira (15) em meio à melhora do ambiente internacional após o anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. A perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio derrubou os preços do petróleo e amenizou parte das preocupações com a inflação global, favorecendo a percepção de que os bancos centrais terão menos pressão para manter políticas monetárias restritivas.
Ao longo da sessão, o movimento de queda se espalhou por toda a curva de juros. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 encerrou o dia com taxa de 14,240%, abaixo dos 14,351% registrados no ajuste anterior. Para janeiro de 2028, a taxa passou de 14,512% para 14,355%, enquanto o DI de janeiro de 2029 recuou de 14,449% para 14,330%. Nos vencimentos mais longos, o contrato para janeiro de 2031 caiu de 14,329% para 14,240%.
Embora o mercado já considerasse, na última sexta-feira (12) a possibilidade de um anúncio durante o fim de semana, a confirmação do entendimento entre Washington e Teerã abriu espaço para novas quedas nas taxas. O movimento ocorreu mesmo após a divulgação de um Boletim Focus mais pressionado, com novas altas nas projeções de inflação e juros.
O principal catalisador foi o recuo do petróleo. O barril do Brent, referência internacional e parâmetro para a Petrobras, caiu 4,76%, encerrando o dia a US$ 83,17. A avaliação predominante é de que o acordo tende a permitir a normalização gradual do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
A queda da commodity reduz os riscos de novas pressões sobre os combustíveis e melhora o ambiente para os bancos centrais. Nesse contexto, o mercado passou a enxergar com mais conforto a possibilidade de um novo corte da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira (17) ao mesmo tempo em que diminui a pressão para uma eventual retomada do aperto monetário pelo Federal Reserve nos Estados Unidos.
Apesar desse alívio externo, os desafios domésticos continuam relevantes. O analista de economia e política do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Vinicius Torres Freire afirmou que as projeções do Boletim Focus refletem um cenário de inflação persistente e que os operadores do mercado financeiro demonstram preocupação ainda maior do que a captada pela pesquisa. “O pessoal que negocia dinheiro está achando que a Selic fica em 14% no final do ano”, observou.
Segundo ele, o Banco Central está concentrado principalmente nas expectativas para 2027 e 2028, que seguem acima da meta de inflação. “A inflação está muito acima da meta de 3% até 2028”, destacou.
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Siga o Times | CNBCNa avaliação do analista, o cenário atual limita o espaço para cortes mais intensos dos juros. “Numa situação convencional, o Banco Central não poderia baixar a taxa de juros. Aliás, talvez pudesse até aumentar.”
Ele também apontou que a migração de recursos para ações de tecnologia nos Estados Unidos reduziu o fluxo de capitais para mercados emergentes, tornando mais evidentes os problemas estruturais da economia brasileira. “Ficou o problema de base, um deles é o problema fiscal”, afirmou.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, também vê pouco espaço para uma flexibilização monetária mais acelerada. Segundo ele, a inflação de serviços continua elevada e o mercado de trabalho segue aquecido, fatores que exigem cautela do Banco Central. Na sua avaliação, os efeitos inflacionários acumulados ainda devem permanecer presentes nos próximos meses, mesmo com a melhora do cenário externo.
Já o professor da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial Carlos Braga avalia que o alívio proporcionado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã não elimina completamente os riscos para a inflação global. Ele ressalta que grandes economias devem recompor estoques estratégicos de energia após o conflito, o que tende a sustentar os preços do petróleo em níveis superiores aos observados no início do ano e limitar cortes mais agressivos de juros ao redor do mundo.
As projeções do Focus reforçaram esse cenário. A estimativa para a inflação de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, enquanto a de 2027 avançou de 4,03% para 4,10%, ambas acima do teto da meta contínua de 4,5%. Já a expectativa para a Selic ao fim de 2026 passou de 13,50% para 13,75%.
Mesmo com a deterioração das previsões domésticas, o mercado deu mais peso à redução das tensões geopolíticas. A combinação de petróleo em queda e expectativas de flexibilização monetária contribuiu para o fechamento da curva de juros, ainda que as incertezas fiscais e inflacionárias continuem limitando o otimismo dos investidores.
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