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Economia Brasileira

Produção industrial perde fôlego em junho após aceleração no início do ano

Publicado 04/08/2026 • 16:12 | Atualizado há 8 horas

KEY POINTS

  • Queda da produção em junho pode refletir ajuste após a aceleração registrada no início de 2026.
  • Juros elevados e demanda mais fraca reduziram o ritmo da atividade industrial no período.
  • Derivados de petróleo, químicos e alimentos lideraram as perdas entre os setores.

CNI / José Paulo Lacerda

A queda da produção industrial em junho pode representar um movimento de ajuste após o ritmo mais forte registrado no início de 2026. A avaliação é de André Luiz Oliveira Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o pesquisador, além da acomodação após a aceleração observada ao longo do ano, os juros elevados continuam afetando o consumo das famílias e os investimentos das empresas, reduzindo o dinamismo da atividade industrial.

O resultado de junho também mostrou uma desaceleração mais disseminada. Das 25 atividades industriais pesquisadas pelo IBGE, 16 registraram queda, repetindo o movimento observado no mês anterior.

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Juros altos e cenário externo pressionam a atividade

Em entrevista coletiva para comentar os resultados da pesquisa, Macedo afirmou que a política monetária mais restritiva tem reduzido a demanda doméstica ao elevar a inadimplência e diminuir o poder de compra das famílias. Segundo ele, esse cenário leva as empresas a ajustarem a produção ao ritmo mais fraco do consumo.

O gerente da pesquisa destacou ainda que as incertezas no cenário internacional também ajudam a explicar por que a indústria permanece distante dos níveis mais elevados de sua série histórica, apesar da resiliência do mercado de trabalho.

Dados do IBGE mostram que a produção industrial cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2026, mas desacelerou para 0,3% no segundo trimestre.

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Derivados de petróleo lideram as perdas

A principal influência negativa sobre o resultado de junho veio do segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, cuja produção caiu 5,9%, acumulando retração de 11,8% nos dois últimos meses.

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Segundo Macedo, o setor vinha de cinco meses consecutivos de crescimento, quando havia acumulado alta de 16,5%. As quedas registradas em maio e junho eliminaram parte desse avanço, embora o saldo ainda permaneça positivo.

Também contribuíram para o recuo da indústria os segmentos de produtos químicos (-4,3%), alimentos (-1,9%), farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), vestuário (-11,0%), equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), borracha e material plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).

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Celulose e metalurgia avançam

Entre as nove atividades que registraram crescimento em junho, o maior destaque foi celulose, papel e produtos de papel, com alta de 5,4%, acumulando expansão de 7,3% nos últimos três meses.

Também tiveram desempenho positivo os setores de impressão e reprodução de gravações, que avançou 20,2%, e de metalurgia, com crescimento de 1,4%.

Fertilizantes sentem impacto das guerras

De acordo com o IBGE, a queda de 4,3% na indústria química foi influenciada pela retração da produção de adubos e fertilizantes, afetada pelos conflitos internacionais em curso.

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Mesmo assim, Macedo ressaltou que a retração de 1,8% da produção industrial em junho não pode ser atribuída a um único fator. Segundo ele, o recuo foi disseminado entre as grandes categorias econômicas e em diferentes segmentos da indústria, indicando uma perda generalizada de ritmo.

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