CNBC

CNBCDell sobe 10% após elevar previsão para o ano fiscal de 2027 com força dos servidores de IA

Economia Brasileira

PIB cresce, mas estoques e consumo elevam temor de desaceleração no segundo semestre

Publicado 01/09/2026 • 20:35 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • PIB do segundo trimestre veio acima da projeção da EQI, mas aumento dos estoques elevou a cautela com a atividade nos próximos meses.
  • Stephan Kautz avalia que consumo mais fraco, inadimplência e endividamento das famílias reforçam os sinais de perda de força da economia.
  • Economista vê espaço para novo corte de juros, mas não espera reduções consecutivas até dezembro e projeta Selic em 13,75% no fim do ano.

Os dados do PIB do segundo trimestre aumentaram a probabilidade de a desaceleração da economia brasileira ganhar força no segundo semestre, afirmou Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos. Embora o resultado tenha superado a projeção da instituição, o aumento dos estoques, a queda do consumo das famílias e outros sinais de enfraquecimento da demanda deixaram o economista mais cauteloso com os próximos meses.

Em entrevista nesta terça-feira (1º) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Kautz destacou que o cenário ainda não permite concluir qual será a intensidade da perda de ritmo. “Houve, sim, um aumento da probabilidade de que a desaceleração da economia possa estar realmente acontecendo agora e se estenda ao longo desse segundo semestre”, afirmou.

O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, desacelerando em relação aos três primeiros meses do ano. A EQI trabalhava com uma expansão menor, de 0,3%. Para ele, porém, mais importante que a surpresa positiva do resultado agregado é entender o que os componentes do PIB sinalizam para os próximos trimestres.

Leia também: PIB desacelera e mostra efeito dos juros sobre consumo e indústria

Estoques acendem alerta para segundo semestre

A agropecuária voltou a contribuir para o desempenho da atividade, resultado que Kautz relacionou principalmente à produção doméstica de grãos e à produtividade do setor, e não necessariamente a um aumento da demanda externa.

“O agro veio melhor. Você tinha já uma produção de grãos mais ou menos encomendada, então veio mais forte. Não necessariamente é porque a demanda externa está mais forte, é porque a produção doméstica de grãos foi maior e o setor é mais produtivo”, explicou.

Outro componente que chamou a atenção foi o crescimento dos investimentos, apesar do ambiente de juros elevados e das dificuldades financeiras enfrentadas por parte das empresas.

“Se o juro está muito alto e as empresas estão quebrando ou pedindo recuperação judicial, por que elas estão investindo? É um ponto que chama atenção também, que não conversa com essa questão dos juros no Brasil estarem muito altos”, pontuou.

Leia também: Em evento, Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, defende corte de gastos e propõe teto para relação entre dívida e PIB

O principal sinal de alerta, contudo, veio dos estoques, que ficaram acima do esperado pela EQI e explicaram parte do erro da projeção da instituição. Na avaliação do economista, esse acúmulo pode exigir uma redução da produção nos próximos meses.

“Normalmente, quando você tem um aumento dos estoques em um trimestre, sugere que deve ter algum ajuste nos trimestres à frente. Isso tornou a gente um pouco mais cauteloso sobre o segundo semestre”, destacou.

Segundo ele, uma possível correção dos estoques pode passar por queda da produção industrial. “Não achei necessariamente o PIB atual tão fraco assim, mas o sinal para o segundo semestre me deixou um pouco mais preocupado”, acrescentou.

Leia também: PIB cresce 0,5% no segundo trimestre puxado pelo setor agropecuário; economia acumula alta de 2% em doze meses

Consumo e inadimplência reforçam perda de força

A queda do consumo das famílias também entrou no radar. Kautz ressaltou, entretanto, que ainda é preciso verificar se esse movimento será duradouro, principalmente diante de programas do governo cujos recursos deverão continuar chegando à economia durante o segundo semestre.

“Tem muita dúvida se realmente essa contração do consumo que aconteceu é duradoura”, afirmou. Para o economista, os próximos indicadores serão importantes para mostrar se a perda de ritmo observada no PIB está se espalhando pela economia.

Outros dados, porém, reforçam a preocupação. Kautz citou a nova alta da inadimplência das pessoas físicas, além do aumento do endividamento e do comprometimento da renda das famílias.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Leia também: Juros e dívida das famílias tiram força do PIB, enquanto emprego afasta cenário de crise

“Isso também sugere que as pessoas não estão conseguindo manter o pagamento das suas dívidas. O nível de endividamento e de comprometimento da renda também voltou a subir”, ressaltou.

Para o economista, algum enfraquecimento da atividade faz parte do processo necessário para controlar os preços. A questão central agora é a velocidade dessa desaceleração.

“A economia precisa desacelerar se a gente quiser reduzir a inflação. Então, a minha dúvida é muito mais sobre a velocidade dessa desaceleração daqui para frente”, explicou.

EQI prevê Selic em 13,75% no fim do ano

Os sinais do PIB podem abrir espaço para mais uma redução da taxa básica de juros, mas o economista considera prematuro projetar uma sequência contínua de cortes do Copom.

Leia também: Focus: projeção para o crescimento do PIB em 2026 cai para 1,95%

A avaliação dependerá também dos próximos indicadores, entre eles os dados de produção industrial, que ajudarão a mostrar se o aumento dos estoques começará efetivamente a reduzir a atividade.

“Acho que dá chance de o Banco Central fazer mais um corte de juros, que já é o nosso cenário-base, mas eu não acredito ainda que ele vai cortar de maneira consecutiva até o final do ano”, afirmou.

A EQI mantém a projeção de Selic em 13,75% ao fim de 2026.

Irã amplia risco para inflação global

No cenário externo, Kautz apontou a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã como outro risco para a inflação. A preocupação não se limita à cotação do barril de petróleo, mas também ao custo de transformar o óleo cru em derivados.

Leia também: OCDE: PIB avança em ritmo mais forte de 0,5% no 2º trimestre, mas economias do G7 desaceleram

O economista chamou atenção para o crack spread, indicador que acompanha a diferença entre o preço do petróleo e o valor dos produtos refinados. Segundo ele, esse custo está acima dos níveis observados durante a retomada da economia mundial após a pandemia.

“Hoje esse custo está mais alto do que naquele período, ou seja, falta petróleo no mundo. Então, sim, a gente tem um risco de que a inflação no mundo volte a acelerar nos próximos meses”, afirmou.

Para Kautz, a situação no Estreito de Ormuz, onde o trânsito de navios voltou a níveis reduzidos, adiciona incerteza às perspectivas para os preços. O cenário geopolítico se soma ainda aos riscos fiscais e às mudanças nas curvas globais de juros.

“É um tema com que o mercado tem se incomodado, traz um risco adicional, mas há outros movimentos acontecendo nas curvas de juros globais que vão além somente desse tema e da política monetária. Tem mais a ver com fiscal e riscos geopolíticos em geral”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Economia Brasileira