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Poupança perde espaço com juros altos e avanço de alternativas mais rentáveis, diz coordenadora da FGV

Publicado 13/05/2026 • 13:10 | Atualizado há 4 semanas

KEY POINTS

  • Cláudia Yoshinaga afirma que rentabilidade defasada da poupança reduz atratividade diante de títulos públicos e contas digitais.
  • Especialista aponta que praticidade e sensação de segurança ainda mantêm milhões de brasileiros na caderneta tradicional.
  • Coordenadora da FGV avalia que juros elevados e maior acesso a investimentos simples aceleram migração para outras aplicações.

Mesmo com o avanço de plataformas digitais e de investimentos acessíveis ao pequeno poupador, a caderneta de poupança segue como o investimento mais utilizado pelos brasileiros, sustentada principalmente pela praticidade e pela percepção histórica de segurança. Para Cláudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV, no entanto, a rentabilidade limitada tem reduzido cada vez mais a competitividade da aplicação diante de alternativas simples oferecidas pelo mercado.

Em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (13), a especialista afirmou que produtos como o Tesouro Reserva tendem a ganhar espaço justamente por aliarem facilidade operacional e rendimento superior. “Em termos de rentabilidade e facilidade, espera-se que o Tesouro Reserva tenha mais adesão”, afirmou. Segundo ela, apesar da força cultural da poupança, a remuneração da aplicação vem ficando para trás em relação a outros investimentos disponíveis ao público.

Cláudia destacou que o apego à poupança ainda está ligado à tradição familiar e à simplicidade oferecida pelos aplicativos bancários. “As pessoas lembram dos pais e avós falando da poupança. Ela é vista como segura e fácil”, explicou. Para a coordenadora da FGV, a facilidade de acesso acaba influenciando diretamente o comportamento do investidor.

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Segundo ela, quanto maior o número de etapas exigidas para investir, maior a chance de desistência. “Abrir o aplicativo e ver a poupança logo na primeira página torna tudo mais prático”, ressaltou. A especialista afirmou ainda que muitos investidores iniciantes enfrentam insegurança diante de produtos como CDBs e fundos de investimento.

Juros elevados

Na avaliação de Cláudia Yoshinaga, o atual patamar elevado da taxa Selic ampliou a diferença de rendimento entre a poupança e outras aplicações conservadoras. “Com a Selic alta, a poupança rende muito menos do que investimentos atrelados à taxa básica de juros”, explicou.

Ela lembrou que a regra atual da poupança limita os ganhos mesmo em períodos de juros elevados. “Se a Selic está alta, a poupança paga TR mais 0,5% ao mês, o que rende bem menos do que a Selic cheia”, observou. Segundo a especialista, esse cenário reduz a atratividade da aplicação para quem busca preservar patrimônio e melhorar a rentabilidade.

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A coordenadora da FGV afirmou ainda que o crescimento das contas digitais e dos investimentos automatizados vem diminuindo uma das principais vantagens históricas da poupança: a praticidade. “Hoje já existem contas digitais com ‘cofrinhos’ que rendem muito mais do que a poupança”, destacou.

Endividamento pesa

Cláudia Yoshinaga também avaliou que o aumento dos saques líquidos da poupança neste ano reflete tanto a migração para investimentos mais rentáveis quanto a dificuldade financeira das famílias brasileiras. “As famílias estão mais endividadas e usam o saque para pagar contas e dívidas”, afirmou.

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Segundo ela, a combinação entre inflação, juros altos e perda de renda disponível acaba reduzindo a capacidade de poupança da população. Ao mesmo tempo, produtos mais acessíveis, com aplicação mínima baixa e operação via PIX, começam a disputar diretamente o espaço antes ocupado quase exclusivamente pela caderneta tradicional.

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