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CNBCInvestidores otimistas da Nvidia enfrentam batalha difícil antes do balanço

Economia Brasileira

Prévia do PIB indica efeito da Selic na economia, mas inflação persistente mantém expectativas frouxas

Publicado 18/05/2026 • 21:37 | Atualizado há 12 minutos

KEY POINTS

  • Mercado passou a projetar juros mais altos por mais tempo após novas revisões de inflação no Focus e desancoragem das expectativas
  • Tensões no Oriente Médio, petróleo acima de US$ 110 e inflação global pressionam cenário para cortes adicionais da Selic
  • Investidores seguem migrando para renda fixa, enquanto incertezas políticas e eleitorais ampliam a volatilidade da bolsa brasileira
IBC-Br sobe 0,70% em novembro

Monitor do PIB aponta alta de 1,3% em março ante fevereiro, revela FGV.

IBC-Br sobe 0,70% em novembro Unsplash.

A divulgação do IBC-Br de março nesta segunda-feira (18) reforçou a percepção de desaceleração gradual da economia brasileira, em um cenário de desaceleração, não de ruptura. O índice caiu 0,72% em março ante fevereiro, conforme o Banco Central divulgou nesta quinta-feira (16).

Para os especialistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado exclusivo CNBC, o número é tido como um sinal mais claro de que os juros elevados começam a produzir efeitos sobre consumo, crédito e desempenho das empresas.

O ponto mais relevante, diz Gabriel Cecco, sócio e assessor de investimentos na Valor Investimentos, foi a disseminação da fraqueza entre diferentes segmentos da economia, incluindo o setor de serviços, considerado o principal motor da atividade doméstica. “O lado ‘ruim’ é que, se esse desaquecimento ganhar tração, aumenta o risco de revisão para baixo do PIB e de piora em lucros de setores mais cíclicos. Mas, por outro lado, para o mercado, atividade mais fraca também ajuda a reduzir a pressão inflacionária à frente”, ele diz.

Na avaliação do analista, o resultado mostra que a política monetária restritiva começa a pesar de forma mais evidente sobre a economia real, ao passo que uma economia menos aquecida tende a aliviar parte das pressões inflacionárias nos próximos meses.

Segundo ele, a leitura inicial do IBC-Br deve ser positiva para a curva de juros, mas ressalva: “Não é um dado que sozinho autoriza o Banco Central a acelerar corte de Selic, porque a inflação ainda está desconfortável e as expectativas seguem piorando”.

Já Vinicius Torres Freire, analista do canal, em comentário ao Jornal Times Brasil, aponta que as estimativas do Ministério da Fazenda seguem mais otimistas do que as projeções dos economistas do mercado privado. “E os economistas do mercado, por sua vez, ainda são mais otimistas do que quem efetivamente está aplicando dinheiro nos mercados financeiros”, afirma.

“O Ministério da Fazenda acredita em um crescimento de 2,3% neste ano. Mas o IBC-Br, que funciona como uma estimativa do PIB calculada pelo Banco Central, mostra uma economia crescendo perto de 1,8% em 12 meses — e provavelmente deve continuar nesse ritmo mais fraco”, explica.

Todo cuidado é pouco

O dado em si até abriria espaço para acelerar cortes, diz Ricardo Hiraki é CEO e cofundador da Plano Fintech, mas o Banco Central não toma decisões olhando para um indicador isolado. “A atenção se voltará para a composição da inflação, em especial a de serviços, porque ela mostra a força da demanda doméstica e o quanto o juro alto está conseguindo moderar consumo e crédito”, afirma.

Em outras palavras, o IBC-Br fraco é um ponto a favor de mais cortes, mas a Selic só deve confirmar sua trajetória de queda mais rápida se a inflação der sinais claros de convergência para a meta — e até agora esses sinais são insuficientes, explica.

Para ele, o mercado financeiro passou a projetar juros mais altos no Brasil diante da deterioração persistente das expectativas de inflação. O boletim Focus desta segunda mostrou que uma mediana das projeções para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 13% para 13,25% ao ano, refletindo uma percepção crescente de que o Banco Central terá menos espaço para promover cortes agressivos nos próximos meses. Em apenas um mês, a projeção para a Selic ao fim de 2026 avançou de 12,5% para 13,25%, incorporando quase um ponto porcentual adicional de juros futuros em poucas semanas.

O movimento sinaliza uma perda gradual de confiança do mercado na capacidade de convergência rápida da inflação para a meta, diz Hiraki. Com isso, investidores passaram a precificar um ciclo de flexibilização monetária mais lento e cauteloso por parte do Comitê de Política Monetária (Copom).

Apesar da piora nas projeções, o cenário-base ainda contempla um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom. A diferença, segundo o especialista, é que o mercado agora vê um processo de redução de juros mais gradual, o que eleva a expectativa para a Selic terminal no fim do ano.

“Não se trata de ruído pontual: dez altas seguidas na projeção de inflação indicam que o mercado perdeu a confiança de que os preços vão convergir para a meta no ritmo esperado, e está precificando um Banco Central que precisará manter o pé no freio por mais tempo”, afirma.

A preocupação ganhou força após a ata mais recente do Copom mencionar uma “desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos”. Na prática, o mercado passou a enxergar riscos não apenas para 2026, mas também para os anos seguintes, o que levanta dúvidas sobre a capacidade do regime de metas de inflação de garantir convergência no médio prazo.

Segundo Celson Plácido, diretor de investimentos da Pense Investimentos, os dados recentes de inflação nos Estados Unidos vieram acima das expectativas e reforçam a perspectiva de juros elevados por mais tempo não apenas na economia americana, mas também no restante do mundo.

Na semana passada, o Departamento de Trabalho dos EUA divulgou que a inflação nos Estados Unidos acelerou para 3,8% em abril, atingindo o maior patamar em três anos.

“Isso é muito ruim. Você tem inflação mais alta por um período maior e, consequentemente, juros também mais elevados. Isso acaba reduzindo consumo e desacelerando a economia global”, afirmou.

Plácido também destacou que o mercado passou a demonstrar desconfiança em relação às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã. Ele lembrou que Trump chegou a mencionar um possível ataque iminente, mas depois recuou da ofensiva.

“Quanto mais tempo isso durar, pior para a economia global”, disse.

Reflexo no mercado

A combinação de incertezas continua pressionando o apetite por risco no mercado nacional. Os investidores devem manter uma postura mais cautelosa nos próximos meses, diante da deterioração do ambiente internacional e da aproximação das eleições presidenciais no Brasil.

Felipe Corleta, sócio da Brasil Wealth, afirmou em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, que o mercado tende a acompanhar com mais intensidade os desdobramentos políticos ao longo da corrida eleitoral. Segundo ele, pesquisas eleitorais devem ganhar peso crescente na formação de preços dos ativos brasileiros, principalmente após o desgaste reputacional envolvendo o senador Flávio Bolsonaro na última semana.

Para Corleta, uma eventual piora do desempenho do parlamentar nas sondagens pode provocar uma reorganização da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O analista destaca que investidores continuam atentos aos impactos políticos sobre a percepção fiscal do país, especialmente em meio às preocupações recorrentes com a trajetória da dívida pública e a relação do governo com o setor privado.

“A campanha tende a ficar muito mais agressiva nos próximos meses”, afirmou. Segundo ele, o mercado deve reagir diretamente às leituras de risco político e às mudanças nas expectativas eleitorais ao longo do ano.

Enquanto o ambiente político aumenta a volatilidade da bolsa, o cenário macroeconômico segue favorecendo aplicações conservadoras. Dados da indústria de fundos mostram que os fundos de renda fixa registraram cerca de R$ 127 bilhões em captação líquida positiva desde o fechamento do primeiro trimestre até abril.

Segundo Guilherme Carter, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a forte demanda pela renda fixa reflete o nível ainda elevado dos juros reais no Brasil.

“O investidor olha para o Tesouro e vê uma remuneração muito alta, especialmente diante de um ambiente de incerteza. Isso reduz o incentivo para buscar ativos mais arriscados”, explicou.

Além dos títulos públicos, Carter destaca que o crédito privado também segue atraindo investidores ao oferecer retornos superiores à taxa básica de juros.

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