Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Alta do diesel leva transportadoras a criar “salas de guerra” para evitar prejuízos, diz executivo
Publicado 18/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 13 minutos
O que uma universidade da Ivy League está fazendo para empregar estudantes no apocalipse de empregos da inteligência artificial
Novo Nordisk parte para ofensiva global com Wegovy após boom nos EUA
Como Elon Musk e Sam Altman passaram de melhores amigos a rivais declarados
Coreia do Sul afirma que irá explorar todas as opções para evitar greve na Samsung
Demissões por IA derrubam ações de 56% das empresas e expõem ilusão do corte de custos
Publicado 18/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 13 minutos
KEY POINTS
A disparada do preço do diesel no Brasil está forçando transportadoras a promover mudanças profundas em suas operações para tentar preservar margens em meio ao aumento dos custos e à desaceleração econômica. Para Rony Neri, diretor-executivo Latam da Platform Science, o setor entrou em um momento de extrema pressão financeira, no qual empresas passaram a criar verdadeiras “salas de guerra” diárias para evitar prejuízos nas operações de frete.
Em entrevista nesta segunda-feira (18) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo explicou que a alta média de quase 20% no diesel, apontada pelo IBGE mesmo após medidas adotadas pelo governo federal para conter os preços, agravou um cenário que já vinha pressionado por juros elevados, encarecimento dos caminhões e redução das margens do transporte. “A operação daquele dia precisa gerar lucro”, afirmou ao relatar que muitas transportadoras começam a manhã tentando recalcular rotas, custos e utilização da frota diante da volatilidade do combustível.
“O diesel já era um custo elevado, um dos três maiores custos do setor, mas essa insegurança e essa instabilidade pioraram muito o cenário”, disse. Segundo ele, o problema se torna ainda mais delicado porque muitas empresas operam contratos fechados meses antes da disparada do petróleo. “A transportadora assinou um contrato seis meses atrás e agora precisa absorver um diesel 20% mais caro”, ressaltou.
Leia também: Gasolina, diesel e etanol ficam mais baratos, mas gás de cozinha sobe; veja os novos preços da ANP
Na avaliação de Rony Neri, o diesel se tornou a principal linha de despesa para grande parte das transportadoras brasileiras, ultrapassando inclusive gastos com motoristas e aquisição de caminhões.
“Quando você aumenta 20% numa despesa que representa 30% ou 40% dos custos do transporte, o impacto é gigantesco”, afirmou. Segundo ele, o efeito sobre os balanços é imediato e afeta diretamente a rentabilidade das operações.
O executivo destacou que parte das empresas começou a vender caminhões menos utilizados para reforçar caixa e reduzir custos fixos. “Algumas empresas já colocaram caminhões à venda para tentar fazer caixa”, pontuou.
Leia também: Para segurar preços, Governo anuncia subvenção de R$ 0,89 para gasolina e R$ 0,35 para diesel
Ao mesmo tempo, companhias mais estruturadas aceleraram investimentos em tecnologia e inteligência artificial para otimizar operações e reduzir desperdícios. “As empresas estão tentando acelerar a inteligência artificial para minimizar os danos”, explicou.
Segundo o executivo da Platform Science, o atual cenário está levando empresas a rever modelos de terceirização adotados nos últimos anos e retomar parte das operações para frota própria.
“Havia um movimento forte de terceirização desde a Lei da Jornada de 2013, mas agora vemos empresas trazendo novamente operações para dentro de casa”, afirmou.
Para ele, o objetivo principal é ampliar controle operacional e realizar um “pente fino” sobre todos os custos da logística. “As empresas estão buscando gestão melhor de rotas, redução de acidentes e eliminação máxima de desperdícios”, explicou.
Um dos focos passou a ser evitar que caminhões retornem vazios após as entregas. Segundo Rony, empresas passaram a usar plataformas tecnológicas para encontrar cargas de retorno e manter os veículos operando continuamente. “Caminhão parado é desperdício. Enquanto ele está rodando, está gerando dinheiro”, destacou.
Leia também: Em meio ao conflito no Irã, Rússia lidera fornecimento de diesel ao Brasil
Ele ressaltou, porém, que a logística brasileira possui limitações operacionais importantes, já que nem todo tipo de carga pode ser transportado no mesmo veículo devido a exigências regulatórias e sanitárias.
Além da pressão causada pelo diesel, o executivo afirmou que o setor também enfrenta redução na demanda por fretes em meio ao enfraquecimento da atividade econômica.
“Existe um movimento de retração do frete ligado ao cenário econômico”, observou. Segundo ele, os juros elevados reduziram o ritmo da economia e atingiram diretamente o transporte de cargas.
Rony explicou que o setor possui pouca flexibilidade para cortar rapidamente despesas ligadas a caminhões e mão de obra, especialmente diante da escassez de motoristas profissionais. “Motorista e caminhão não são custos fáceis de reduzir rapidamente”, afirmou.
Leia também: Refinaria Abreu e Lima da Petrobras bate recorde de produção diesel em meio a tensões no Oriente Médio
A volatilidade do combustível também passou a gerar insegurança na formulação de propostas comerciais. “Qual preço eu assumo hoje num contrato de frete?”, questionou ao relatar que empresas enfrentam dificuldades para calcular valores diante da incerteza sobre o comportamento do diesel.
Segundo ele, algumas transportadoras chegam a assumir contratos apostando em queda futura do combustível. “Se o diesel não cair, a empresa quebra”, alertou.
Para o diretor-executivo da Platform Science, o atual momento pode acelerar uma transformação tecnológica mais profunda no transporte rodoviário brasileiro.
Rony afirmou que a inteligência artificial passou a ser vista pelas empresas não apenas como ferramenta digital, mas como instrumento central para sobrevivência financeira. “As transportadoras estão buscando como usar inteligência artificial a favor da redução de custos”, explicou.
Leia também: ANP prorroga prazo que desobriga empresas a terem estoques mínimos de gasolina e diesel
Ele destacou que o setor chegou a um ponto de esgotamento das margens operacionais e precisará de uma disrupção estrutural para voltar a crescer. “A margem do transporte veio achatando e agora precisa de alguma disrupção para esse negócio voltar a crescer”, afirmou.
Segundo o executivo, a dependência do transporte rodoviário amplia ainda mais a urgência por soluções de eficiência. “Hoje, 95% da matriz de transporte do Brasil depende de caminhões”, concluiu.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Naskar fala pela primeira vez após ‘pane’, muda versão e diz que auditoria investiga saques indevidos que somaram R$ 67 milhões; veja
2
Naskar: venda à gestora americana levanta suspeita de farsa e sócios estudam pedir recuperação judicial
3
EXCLUSIVO: Sócios da Naskar desmontaram estrutura financeira semanas antes de sumirem com quase R$ 1 bilhão
4
Antes de negociar com BRB, Daniel Vorcaro pediu conselho a Lula sobre venda do Banco Master
5
Neymar na Copa: mercados preditivos apostam na convocação, mas otimismo recua