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Alta do diesel leva transportadoras a criar “salas de guerra” para evitar prejuízos, diz executivo
Publicado 18/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A disparada do preço do diesel no Brasil está forçando transportadoras a promover mudanças profundas em suas operações para tentar preservar margens em meio ao aumento dos custos e à desaceleração econômica. Para Rony Neri, diretor-executivo Latam da Platform Science, o setor entrou em um momento de extrema pressão financeira, no qual empresas passaram a criar verdadeiras “salas de guerra” diárias para evitar prejuízos nas operações de frete.
Em entrevista nesta segunda-feira (18) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo explicou que a alta média de quase 20% no diesel, apontada pelo IBGE mesmo após medidas adotadas pelo governo federal para conter os preços, agravou um cenário que já vinha pressionado por juros elevados, encarecimento dos caminhões e redução das margens do transporte. “A operação daquele dia precisa gerar lucro”, afirmou ao relatar que muitas transportadoras começam a manhã tentando recalcular rotas, custos e utilização da frota diante da volatilidade do combustível.
“O diesel já era um custo elevado, um dos três maiores custos do setor, mas essa insegurança e essa instabilidade pioraram muito o cenário”, disse. Segundo ele, o problema se torna ainda mais delicado porque muitas empresas operam contratos fechados meses antes da disparada do petróleo. “A transportadora assinou um contrato seis meses atrás e agora precisa absorver um diesel 20% mais caro”, ressaltou.
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Na avaliação de Rony Neri, o diesel se tornou a principal linha de despesa para grande parte das transportadoras brasileiras, ultrapassando inclusive gastos com motoristas e aquisição de caminhões.
“Quando você aumenta 20% numa despesa que representa 30% ou 40% dos custos do transporte, o impacto é gigantesco”, afirmou. Segundo ele, o efeito sobre os balanços é imediato e afeta diretamente a rentabilidade das operações.
O executivo destacou que parte das empresas começou a vender caminhões menos utilizados para reforçar caixa e reduzir custos fixos. “Algumas empresas já colocaram caminhões à venda para tentar fazer caixa”, pontuou.
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Ao mesmo tempo, companhias mais estruturadas aceleraram investimentos em tecnologia e inteligência artificial para otimizar operações e reduzir desperdícios. “As empresas estão tentando acelerar a inteligência artificial para minimizar os danos”, explicou.
Segundo o executivo da Platform Science, o atual cenário está levando empresas a rever modelos de terceirização adotados nos últimos anos e retomar parte das operações para frota própria.
“Havia um movimento forte de terceirização desde a Lei da Jornada de 2013, mas agora vemos empresas trazendo novamente operações para dentro de casa”, afirmou.
Para ele, o objetivo principal é ampliar controle operacional e realizar um “pente fino” sobre todos os custos da logística. “As empresas estão buscando gestão melhor de rotas, redução de acidentes e eliminação máxima de desperdícios”, explicou.
Um dos focos passou a ser evitar que caminhões retornem vazios após as entregas. Segundo Rony, empresas passaram a usar plataformas tecnológicas para encontrar cargas de retorno e manter os veículos operando continuamente. “Caminhão parado é desperdício. Enquanto ele está rodando, está gerando dinheiro”, destacou.
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Siga o Times | CNBCEle ressaltou, porém, que a logística brasileira possui limitações operacionais importantes, já que nem todo tipo de carga pode ser transportado no mesmo veículo devido a exigências regulatórias e sanitárias.
Além da pressão causada pelo diesel, o executivo afirmou que o setor também enfrenta redução na demanda por fretes em meio ao enfraquecimento da atividade econômica.
“Existe um movimento de retração do frete ligado ao cenário econômico”, observou. Segundo ele, os juros elevados reduziram o ritmo da economia e atingiram diretamente o transporte de cargas.
Rony explicou que o setor possui pouca flexibilidade para cortar rapidamente despesas ligadas a caminhões e mão de obra, especialmente diante da escassez de motoristas profissionais. “Motorista e caminhão não são custos fáceis de reduzir rapidamente”, afirmou.
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A volatilidade do combustível também passou a gerar insegurança na formulação de propostas comerciais. “Qual preço eu assumo hoje num contrato de frete?”, questionou ao relatar que empresas enfrentam dificuldades para calcular valores diante da incerteza sobre o comportamento do diesel.
Segundo ele, algumas transportadoras chegam a assumir contratos apostando em queda futura do combustível. “Se o diesel não cair, a empresa quebra”, alertou.
Para o diretor-executivo da Platform Science, o atual momento pode acelerar uma transformação tecnológica mais profunda no transporte rodoviário brasileiro.
Rony afirmou que a inteligência artificial passou a ser vista pelas empresas não apenas como ferramenta digital, mas como instrumento central para sobrevivência financeira. “As transportadoras estão buscando como usar inteligência artificial a favor da redução de custos”, explicou.
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Ele destacou que o setor chegou a um ponto de esgotamento das margens operacionais e precisará de uma disrupção estrutural para voltar a crescer. “A margem do transporte veio achatando e agora precisa de alguma disrupção para esse negócio voltar a crescer”, afirmou.
Segundo o executivo, a dependência do transporte rodoviário amplia ainda mais a urgência por soluções de eficiência. “Hoje, 95% da matriz de transporte do Brasil depende de caminhões”, concluiu.
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