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Taxa de 12,5% dos EUA muda humor do mercado, aumenta prêmio de risco do Brasil e pressiona ativos
Publicado 03/06/2026 • 22:21 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/06/2026 • 22:21 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos ampliaram a cautela dos investidores em relação ao Brasil e ajudaram a pressionar os ativos domésticos nesta quarta-feira (3). Embora parte das medidas ainda dependa de consultas públicas e negociações, analistas ouvidos pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, avaliam que o mercado passou a enxergar um risco mais persistente para o comércio exterior brasileiro e para o fluxo de capital estrangeiro.
Segundo Benny Fard, sócio da B8 Partners, a reação moderada observada após o anúncio inicial de uma tarifa de 25% ocorreu porque a medida ainda não possui aplicação imediata. “Não é uma tarifa que entra imediatamente em vigor, mas uma proposta formal do USTR, resultado de investigação iniciada em julho de 2025 sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana, sujeita a consulta pública e negociação antes de qualquer implementação”, afirmou.
De acordo com ele, exceções para produtos como aeronaves e café, além da possibilidade de negociações diplomáticas, levaram investidores a considerar o impacto como administrável no curto prazo.
O cenário mudou após a divulgação de uma nova tarifa de 12,5%, baseada em alegações de falhas no combate ao trabalho forçado. Fard avalia que a combinação das duas medidas elevou significativamente a percepção de risco.
“Agora o Brasil enfrenta duas frentes jurídicas distintas e acumuláveis, com justificativas separadas, o que reduz o poder de negociação do governo e eleva o prêmio de risco país de forma mais permanente”, disse.
Segundo ele, a possibilidade de uma alíquota combinada de 37,5% sobre parte relevante das exportações brasileiras contribuiu para a revisão das expectativas para a trajetória da Selic.
Já Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, argumenta que as tarifas se somam a um ambiente internacional já deteriorado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã. Ele afirmou que o fluxo positivo de recursos estrangeiros que favoreceu o mercado brasileiro no início do ano perdeu força desde abril, à medida que aumentaram as incertezas geopolíticas.
Na avaliação do analista, a discussão comercial frustra expectativas de que o Brasil voltasse a ocupar posição de destaque entre os destinos preferidos do capital internacional. Lima defende que o impacto econômico direto das tarifas pode ser menor do que o inicialmente imaginado, uma vez que produtos relevantes para a pauta comercial bilateral, como proteínas e fertilizantes, ficaram fora das medidas mais severas.
Ainda assim, ele considera que o efeito sobre a confiança dos investidores é significativo. “Eu vejo um efeito mais psicológico do que econômico neste primeiro momento. O principal impacto é o aumento da percepção de risco sobre o Brasil, o que afeta a dinâmica dos mercados de maneira ampla”, afirmou.
O analista também destaca que o aumento da aversão ao risco já se reflete nos fluxos financeiros. Segundo ele, a saída de recursos estrangeiros pressiona o câmbio, alimenta preocupações inflacionárias e altera projeções para a economia. Como exemplo, citou a retirada de quase R$ 1 bilhão do mercado brasileiro na última segunda-feira, movimento que atingiu tanto a Bolsa quanto aplicações em títulos públicos. “A saída de capital estrangeiro reduz a oferta da moeda americana e reforça sua trajetória de alta frente ao real”, concluiu.
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